Ao ouvir relatos de quem cresceu nas décadas de 1960 e 1970, fica claro como esse grupo compartilha um “jeito de ser” muito próprio: hábitos parecidos, visão de mundo prática e uma forma direta de encarar dificuldades, moldadas por um contexto com menos abundância material, poucas distrações tecnológicas e laços comunitários mais intensos.
Quais eram as condições de vida nas décadas de 60 e 70?
Nessas décadas, a rotina era mais simples e previsível, com menos consumo, menos telas e mais contato cara a cara. Brincadeiras de rua, convivência com vizinhos e participação em tarefas domésticas eram parte do dia a dia.
A ausência de facilidades atuais influenciava a forma de aprender, trabalhar e se relacionar. Em vez de estímulos digitais constantes, havia interações presenciais frequentes, que fortaleciam o senso de comunidade e a cooperação entre gerações.

Quais foram as principais forças mentais desenvolvidas nesse período?
A principal é resiliência emocional, construída a partir de limites claros, frustrações frequentes e poucas opções de lazer. Muitos começavam a trabalhar cedo, aprendendo disciplina, paciência e foco em processos longos.
Outra força marcante era a autonomia prática: em um cenário com poucos serviços, as famílias precisavam “dar um jeito” em consertos, organização da casa e soluções do cotidiano. Isso gerava senso de responsabilidade e criatividade diante de recursos escassos.
Como a resiliência emocional se manifestava na prática?
Com contextos políticos tensos, crises econômicas e estruturas familiares mais rígidas, as pessoas foram treinadas a seguir em frente mesmo sem garantias. Em vez de esperar conforto e segurança total, aprendiam a lidar com incertezas constantes.
Essa resiliência incluía habilidades emocionais que hoje ainda são diferenciais em ambientes profissionais, acadêmicos e pessoais, como a forma de encarar frustrações e adiar prazeres imediatos.
- Tolerância à frustração: entender que nem tudo sai como o planejado.
- Capacidade de adiar recompensas: estudar, trabalhar e economizar antes de usufruir.
- Compromisso com rotinas: seguir horários, regras e responsabilidades com constância.
O que as gerações atuais podem aprender com essas forças mentais?
No cenário hiperconectado de 2025, algumas dessas forças podem ser adaptadas, sem romantizar o passado. A ideia é equilibrar tecnologia com paciência, foco e presença, criando vidas menos reativas e mais intencionais.
Trabalhar a paciência em projetos de longo prazo, reduzir excessos de estímulos e valorizar redes de apoio são práticas que resgatam o espírito comunitário e a robustez psicológica, sem abandonar os recursos digitais que facilitam a rotina.
Como adaptar essa resiliência ao mundo digital de hoje?
Integrar a resiliência das décadas de 60 e 70 ao mundo atual exige estabelecer limites claros de uso de telas, períodos de descanso real e atividades que estimulem concentração profunda. Tecnologia deixa de ser apenas entretenimento e passa a ser ferramenta consciente.
Agora é o momento de agir: escolha um hábito para mudar hoje — desligar o celular em determinados horários, retomar encontros presenciais ou ensinar crianças sobre responsabilidade digital. Quanto mais você adiar, mais o imediatismo ocupa espaço na sua mente; comece já a construir uma resiliência emocional à altura dos desafios que estão vindo.




