Em 2026, mais de 205 mil venezuelanos recebem Bolsa Família com base na Constituição e leis sociais. Com benefício médio de R$ 680, o custo anual supera R$ 1,6 bilhão, concentrado no Norte e pressionando o orçamento público.
O número de venezuelanos no Bolsa Família cresceu em 2026 e reacendeu debates sobre migração, orçamento público e serviços sociais. Dados oficiais indicam mais de 205 mil beneficiários estrangeiros, com forte concentração no Norte e efeitos diretos nas contas públicas.
Por que venezuelanos podem receber o Bolsa Família?
A inclusão de estrangeiros no Bolsa Família tem base legal clara. A assistência social no Brasil é direito de quem dela necessita, independentemente da nacionalidade, desde que haja residência regular e enquadramento nos critérios do programa.
Esse entendimento decorre do artigo 203 da Constituição Federal de 1988, da Lei nº 8.742/1993 (LOAS) e da Lei nº 14.601/2023, que rege o Bolsa Família, além da Lei nº 9.474/1997, que trata da proteção a refugiados.

Quais fundamentos legais permitem o acesso de estrangeiros?
O acesso dos imigrantes venezuelanos ao benefício se apoia em pilares jurídicos específicos, que estruturam a política de assistência social e o acolhimento humanitário adotado pelo Brasil. Entre os principais fundamentos estão os seguintes.
- Constituição Federal de 1988 art. 203: garante assistência social a quem dela necessitar, sem distinção de nacionalidade.
- Lei Orgânica da Assistência Social nº 8.742/1993: assegura proteção social a residentes em situação de vulnerabilidade.
- Lei do Refúgio nº 9.474/1997: equipara refugiados a nacionais no acesso a direitos sociais básicos.
Quanto isso representa em custos para o orçamento público?
Considerando cerca de 205.587 venezuelanos cadastrados e um benefício médio estimado em R$ 680 mensais em 2026, o custo anual supera R$ 1,67 bilhão. O valor inclui adicionais por crianças e adolescentes.
Esse montante pressiona o orçamento do Ministério do Desenvolvimento Social e exige revisões frequentes no Cadastro Único. O impacto não é apenas contábil, mas influencia decisões fiscais e a alocação de recursos em outras políticas sociais.

Quais regiões sentem mais os efeitos dessa política?
Embora o custo seja nacional, os efeitos são desiguais. Estados da região Norte concentram a maior parte dos beneficiários, o que gera sobrecarga local em saúde, educação e assistência social. Os principais impactos regionais incluem os pontos abaixo.
- Roraima: sobrecarga extrema em saúde e educação, especialmente em Boa Vista e Pacaraima.
- Amazonas: aumento da demanda por abrigos e serviços sociais em Manaus.
- Outros estados: interiorização via Operação Acolhida e desafios de integração laboral.
O debate é humanitário ou de sustentabilidade fiscal?
Defensores da política destacam o dever humanitário e argumentam que o benefício evita agravamento da pobreza, da fome e da criminalidade, além de estimular consumo local e arrecadação indireta por meio de tributos.
Críticos alertam para a sustentabilidade fiscal e questionam a capacidade do país de manter o programa sem apoio internacional, enquanto milhões de brasileiros ainda dependem da assistência. Em 2026, o desafio é equilibrar solidariedade e responsabilidade orçamentária.




