A discussão sobre a jornada laboral de 40 horas no México e a possível redução da carga semanal no Brasil ganhou força em negociações políticas, empresas e entre especialistas em direito do trabalho, abrindo debates sobre competitividade, saúde mental, qualidade de vida e modernização das relações de trabalho na América Latina.
O que muda com a jornada laboral de 40 horas
A mudança para uma semana de 40 horas significaria, em linhas gerais, a possibilidade de dois dias de descanso por semana, sem redução salarial. Sindicatos e especialistas apontam ganhos em equilíbrio entre vida profissional e pessoal, com mais tempo para família, estudo, lazer e cuidado com a saúde.
Ao mesmo tempo, a proposta impacta a estrutura produtiva e exige revisar turnos, metas e número de funcionários, sobretudo em setores que funcionam de forma contínua. Nessas áreas, a reorganização da carga horária semanal demanda planejamento cuidadoso para evitar aumento excessivo de custos ou atrasos em prazos e entregas.

Como será a redução da jornada de trabalho no Brasil em 2026
No Brasil, em 2026, a discussão sobre a jornada laboral espelha o movimento mexicano, com propostas de redução mais profunda, focadas no fim da escala 6×1 e na transição para semanas de 36 horas. O tema está na agenda pública, articulando competitividade, geração de empregos e saúde do trabalhador em um cenário de aceleração tecnológica e pós-pandemia.
O governo federal definiu o fim da escala 6×1 como prioridade legislativa, com previsão de votação de propostas já no início do ano. Projetos em análise sugerem redução gradual: primeiro para 40 horas semanais e, em até 5 anos, para 36 horas, permitindo que empresas ajustem processos, escalas, contratações e investimentos em automação.
Em 2026, Brasil e México avançam em direções semelhantes na modernização de suas legislações trabalhistas, veja o comparativo abaixo:
Quais são as principais preocupações das empresas com a jornada de 40 horas
Entre representantes do setor empresarial, o grande desafio é manter a mesma produção com menos horas de trabalho, sem recorrer à intensificação abusiva do ritmo diário. A Ley Federal del Trabajo (LFT) e normas de saúde ocupacional limitam a redução de pausas, o que leva companhias a repensar modelos de operação, revezamento e tecnologia.
Nesse contexto, surgem preocupações centrais que orientam o planejamento interno de curto e médio prazo, especialmente em setores com operação ininterrupta, como indústria, logística, call centers e saúde:
- Custos trabalhistas: possível aumento de contratações para cobrir turnos e horários de pico.
- Produtividade: necessidade de investir em automação, tecnologia e capacitação para manter resultados.
- Organização interna: revisão de escalas, metas e sistemas de controle de jornada e horas extras.
- Gestão de pessoas: adaptação de lideranças e políticas de RH para reduzir sobrecarga e burnout.

O que o governo prevê sobre jornada de 40 horas e períodos de descanso
O governo mexicano afirma que a reforma não deve retirar direitos já consolidados, nem reduzir pausas previstas na LFT, como o intervalo mínimo de alimentação. A Secretaria do Trabalho e Previsão Social (STPS) projeta aplicação gradual a partir de 2026, para que empresas testem novos modelos de escala e acompanhem impactos em emprego e produtividade.
No Brasil, órgãos do Executivo e o Congresso também discutem transição escalonada, com incentivos à adoção de escalas flexíveis como 5×2 e, em setores contínuos, 4×3, por meio de revezamento de equipes. A recomendação oficial é que empresas acompanhem o andamento das PECs nos portais da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, que disponibilizam notas técnicas e audiências públicas.
Como a redução da jornada impacta a rotina e por que agir agora
Com uma jornada semanal de 40 horas, a rotina de milhões de trabalhadores pode ser reorganizada com mais tempo livre para vida pessoal, estudos e capacitação profissional. Esses benefícios, porém, só se concretizam se forem respeitados os limites de horas trabalhadas, pausas legais e se houver negociação transparente entre empresas, sindicatos e trabalhadores.
As reformas em discussão podem redefinir o mercado de trabalho mexicano e brasileiro nas próximas décadas, influenciando contratos, saúde mental e segurança no trabalho. Este é o momento de se informar, participar de debates, pressionar representantes políticos e se organizar em sua empresa ou sindicato: não espere a lei entrar em vigor para reagir, porque as decisões tomadas agora vão determinar, de forma urgente e irreversível, como será a sua jornada de trabalho nos próximos anos.




