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Empresa de móveis declara falência após 78 anos de história

Vanessa Tavares Por Vanessa Tavares
20/01/2026
Em Economia
Empresa de móveis declara falência após 78 anos de história

Mesmo após décadas, Moores fecha e alerta sobre crise estrutural

A notícia do fechamento da Moores Furniture Group, uma fabricante britânica de móveis com 78 anos de história, serve como um alerta sobre como até empresas consolidadas podem sucumbir diante de crises financeiras profundas. Com sede em Wetherby, na região de West Yorkshire, a companhia empregava mais de 450 pessoas e era reconhecida por fornecer cozinhas planejadas para construtoras, setor público e programas habitacionais de baixo custo. Quando a administração judicial foi decretada, 124 funcionários foram demitidos imediatamente, enquanto 336 foram mantidos temporariamente apenas para concluir alguns contratos pendentes, evidenciando a gravidade da situação que levou ao colapso definitivo do negócio.

Por que empresas tradicionais chegam ao ponto de fechar as portas?

A falência empresarial raramente acontece de forma repentina. No caso da Moores, os administradores judiciais apontaram as condições comerciais extremamente desafiadoras que assolam a indústria de construção britânica como fator determinante. Quando uma empresa opera há décadas e mesmo assim não consegue se manter, isso indica problemas estruturais graves que vão além de simples dificuldades passageiras. A combinação de custos crescentes, queda na demanda e pressão de concorrentes mais eficientes cria um ambiente onde até negócios bem estabelecidos podem se tornar inviáveis.

O setor moveleiro enfrenta desafios particulares que aceleram processos de insolvência. A dependência do mercado de construção civil significa que quando as construtoras reduzem projetos, as fornecedoras de móveis e cozinhas planejadas sofrem impacto direto e imediato. Além disso, o aumento nos custos de matéria-prima, energia e mão de obra comprime as margens de lucro a ponto de tornar a operação deficitária. Quando esses fatores se somam durante períodos prolongados, mesmo empresas com histórico sólido podem chegar ao esgotamento financeiro total.

Como funciona o processo de administração judicial no Reino Unido?

Diferente do sistema brasileiro de recuperação judicial, a administração judicial britânica funciona de maneira mais direta e focada na preservação de valor para os credores. Quando a Moores entrou nesse processo, administradores externos foram nomeados para assumir o controle da empresa e avaliar as melhores opções disponíveis. Esses profissionais têm poderes amplos para vender ativos, negociar com credores e tomar decisões sobre o futuro do negócio sem necessariamente buscar sua continuidade.

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No caso específico da Moores, os administradores conseguiram vender a lista de clientes e alguns ativos de propriedade intelectual para a Wren Trade Kitchens, subsidiária da Wren Kitchens. Essa venda permite que contratos existentes sejam transferidos e honrados, minimizando prejuízos para clientes que já haviam pago por produtos. Porém, essa transação não salvou a empresa original nem garantiu empregos para a maioria dos funcionários, demonstrando que a administração judicial muitas vezes resulta no desmembramento e venda em partes do negócio falido.

Moores fecha após 78 anos e expõe riscos para empresas tradicionais

Quais são as consequências reais para funcionários e fornecedores?

Quando uma empresa decreta falência ou entra em processo de insolvência, as consequências humanas são devastadoras e imediatas. No caso da Moores, 124 trabalhadores perderam seus empregos sem aviso prévio adequado, enfrentando a realidade de ficarem desempregados da noite para o dia. Esses profissionais agora precisam buscar suporte do serviço governamental de pagamentos por redundância para tentar recuperar salários atrasados, verbas rescisórias e outros direitos trabalhistas.

Os impactos da insolvência empresarial se estendem muito além dos funcionários diretos e incluem diversos grupos afetados:

  • Fornecedores que tinham créditos a receber enfrentam perdas financeiras significativas, muitas vezes recebendo apenas uma fração do valor devido após o processo de liquidação dos ativos.
  • Clientes com contratos em andamento ficam em situação de incerteza, dependendo da boa vontade de outras empresas para assumir seus pedidos e honrar o que foi pago.
  • Comunidades locais perdem empregos e arrecadação tributária, afetando a economia regional especialmente em cidades menores onde a empresa tinha presença significativa.
  • Concorrentes do setor podem se beneficiar absorvendo parte dos clientes e funcionários, mas também enfrentam pressão adicional caso os mesmos problemas estruturais afetem todo o mercado.

Qual a diferença entre fechar voluntariamente e decretar falência?

Existe uma distinção importante entre empresas que escolhem encerrar suas atividades de forma planejada e aquelas que são forçadas a declarar insolvência. No primeiro caso, os proprietários ainda têm controle sobre o processo e podem liquidar ativos de maneira ordenada, pagar credores e encerrar o negócio com dignidade. Já na falência decretada por incapacidade de pagamento, como aconteceu com a Moores, a empresa perde o controle e administradores externos tomam as decisões.

A falência forçada carrega consequências mais severas para todos os envolvidos. Os credores raramente recebem o valor integral de seus créditos, os funcionários enfrentam demissões abruptas sem as garantias normais de um fechamento planejado, e a reputação dos proprietários fica comprometida no mercado. Além disso, o processo legal é mais demorado, custoso e estressante para todas as partes. Mesmo quando há interesse de concorrentes em adquirir partes do negócio, como a Wren demonstrou ao negociar com a Moores, essas transações acontecem sob pressão e frequentemente resultam em valores bem abaixo do que a empresa valeria em condições normais.

O que esperar do cenário brasileiro em 2025?

O primeiro trimestre de 2025 confirmou uma tendência preocupante no país, com quase cinco mil empresas em processo de reorganização financeira, um crescimento de quase 7% em relação ao final do ano anterior. O setor moveleiro não está imune a essa onda, especialmente considerando que muitas dessas fábricas dependem de crédito caro e enfrentam uma concorrência internacional cada vez mais agressiva. Com a taxa Selic mantida em patamares elevados e a inflação pressionando os custos, a sobrevivência no mercado se torna um desafio diário.

Fechamento mostra que tradição não salva da falência

Os especialistas apontam que essa situação deve continuar ao longo do ano, já que as condições macroeconômicas não dão sinais de melhora substancial. Para as empresas que já estão fragilizadas, cada mês representa uma nova batalha pela sobrevivência. O mais preocupante é que muitos negócios que buscam a recuperação judicial acabam não conseguindo cumprir o plano acordado e terminam fechando as portas mesmo assim. Esse cenário reforça a importância de uma gestão financeira sólida e da capacidade de adaptação rápida às mudanças do mercado, especialmente em setores tão competitivos quanto o de móveis.

Tags: falênciaPedido de falência

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