As ferramentas de Inteligência Artificial generativa, como ChatGPT, Claude e Gemini, têm se tornado uma parte cada vez mais presente no cotidiano. Estas tecnologias são capazes de criar conteúdos originais em texto, vídeo e imagem, e seu uso varia desde a aceleração de leituras acadêmicas até a criação de ilustrações artísticas. Contudo, este avanço tecnológico também trouxe uma nova dimensão para o já existente problema da solidão, principalmente entre os adolescentes.
Conforme um estudo de 2025 publicado no periódico BMJ, as IA são frequentemente usadas como confidentes emocionais, servindo como um “porto seguro” para os jovens. A pesquisa revela que cerca de um terço dos adolescentes utiliza IA para interações sociais, sendo que um em cada dez considera essas interações mais satisfatórias do que com outros seres humanos.
IA: Amiga ou Perigo?
Embora essas plataformas possam parecer conscientes e empáticas, na realidade, carecem de verdadeira compreensão emocional e empatia humana. Isso poderia democratizar o cuidado com a saúde mental para aqueles que possuem dificuldade de acesso a serviços de saúde, mas também acarreta riscos de isolamento social.
No Brasil, essa situação é agravada pela falta de acesso generalizado a serviços de saúde mental. Em uma pesquisa conduzida pela Cisco em parceria com a OCDE, o Brasil aparece como o segundo país com maior uso de IA generativa, com 51,6% da população fazendo uso dessas ferramentas. Tal contexto levanta a preocupação de que as IAs podem ser vistas como substitutas reais para interações humanas, o que pode ser prejudicial a longo prazo.
Qual é o Futuro das Relações Interpessoais com o Crescimento da IA?
Especialistas como Susan C. Shelmerdine e Matthew M. Nour, em seu artigo no BMJ, discutem que o uso de IA pode efetivamente reduzir sintomas de ansiedade e depressão em ambientes controlados, mas também alertam para a formação de “relacionamentos quase-pessoais”. Isto se deve à fluência das respostas das IAs, que podem enganar o cérebro levando-o a humanizar a tecnologia.
O impacto no desenvolvimento social dos jovens ainda não é completamente entendido. As IAs oferecem paciência infinita e raramente criam narrativas desafiadoras, o que pode resultar em uma geração menos preparada para enfrentar conflitos reais encontrados nas interações humanas.

Potencial da IA Como Ferramenta de Cuidado
A IA pode representar um benefício na identificação de sinais de sofrimento psíquico, atuando como uma ponte para cuidados reais de saúde mental. Essa tecnologia pode convidar os indivíduos a reavaliar suas relações com a máquina e com as pessoas ao seu redor, incentivando a busca por apoio em saúde mental.
No entanto, é vital que a regulação e o fortalecimento das redes de apoio presenciais sejam priorizados. Oferecer mais serviços de saúde mental e promover grupos de apoio comunitários podem ser passos essenciais para abordar efetivamente o problema da solidão.
Sinais de Alerta para a Dependência Digital
A transição do uso recreativo das IAs para um padrão de dependência pode ser caracterizada por sintomas semelhantes aos de dependências comportamentais ou químicas. Entre os principais sinais de alerta podem estar:
- Abstinência digital: ansiedade ao ficar longe da internet ou do chatbot;
- Abandono da rotina: negligência de atividades cotidianas a favor da interação virtual;
- Perda de funcionalidade social: dificuldades ao lidar com frustrações e complexidades dos relacionamentos humanos;
- Dificuldades para dormir ou “troca do dia pela noite”;
- Sentimentos de tristeza profunda ou isolamento completo.
Estes sinais alertam para a necessidade de buscar auxílio profissional, garantindo que a interação com a tecnologia não substitua o contato humano necessário para o desenvolvimento saudável das habilidades sociais.
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Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271




