Em 2025, a escassez de mão de obra não se explica pelo Bolsa Família. Com desemprego baixo e renda em alta, mais de 2 milhões de famílias saíram do programa e trabalhadores passaram a recusar salários muito baixos.
A ideia de que “ninguém quer trabalhar” voltou ao debate em 2025, mas os números contam outra história. A saída de milhões de famílias do Bolsa Família e a dificuldade de contratar serviços apontam para um mercado aquecido, com renda maior e menos gente disposta a aceitar salários muito baixos.
A falta de mão de obra tem relação com o Bolsa Família?
A percepção de escassez de trabalhadores não está ligada ao Bolsa Família, mas à melhora dos indicadores econômicos. Com desemprego em patamares historicamente baixos e renda média em alta, menos pessoas permanecem presas a ocupações mal remuneradas.
Em 2025, mais de 2 milhões de famílias deixaram o programa porque suas rendas superaram os critérios de elegibilidade. Esse movimento indica avanço econômico e redução da extrema pobreza, e não acomodação ou desinteresse pelo trabalho.

Por que contratar diaristas e prestadores ficou mais difícil?
A dificuldade para encontrar diaristas, pedreiros e outros serviços decorre de mudanças estruturais no mercado. Quando a economia cresce, a mão de obra tende a buscar melhores condições, o que altera preços e disponibilidade. Os principais fatores por trás disso são os seguintes.
- Desemprego em baixa: menos pessoas disponíveis para aceitar qualquer valor.
- Renda do trabalho maior: trabalhadores exigem remuneração mais compatível.
- Oferta limitada de serviços: atividades sem escala ficam mais caras.
O benefício social sustenta quem decide não trabalhar?
O valor do Bolsa Família, que varia em geral entre R$ 300 e R$ 600, não permite cobrir despesas básicas como alimentação, moradia, água e luz. Na prática, o benefício funciona como complemento, não como substituto do trabalho.
A maioria dos beneficiários atua no mercado informal ou formal. A lógica do programa é garantir um piso mínimo de sobrevivência, evitando miséria extrema, sem afastar as pessoas da atividade econômica.

O que países mais ricos ensinam sobre serviços domésticos?
Em economias mais desenvolvidas, serviços domésticos e pequenos reparos tendem a ser raros e caros. Isso ocorre porque salários mais altos reduzem a quantidade de pessoas dispostas a exercer essas funções por longos períodos.
- Custo elevado: remuneração se aproxima da renda de quem contrata.
- Menos oferta: trabalhadores migram para setores mais valorizados.
- Substituição por tecnologia: eletrodomésticos e automação reduzem demanda.
O que explica a sensação de que “ninguém quer trabalhar”?
Essa sensação surge quando antigos padrões de contratação deixam de funcionar. Serviços antes baratos passam a refletir uma economia com menos pobreza extrema e trabalhadores mais conscientes do próprio valor.
Quando a renda média sobe, cai a oferta de mão de obra barata. O desafio deixa de ser convencer alguém a trabalhar e passa a ser ajustar salários e expectativas a um novo patamar econômico.




