Em Campo Grande, filha de catador transformou sucata em indústria de ferro com 120 empregos. A empresa reaproveita resíduos para produzir insumos da construção civil, em um país que recicla apenas 4% do lixo.
Em Campo Grande, a história de uma filha de catador virou símbolo de transformação econômica e ambiental. A partir da sucata, ela construiu uma indústria de ferro com cerca de 120 empregos e escancarou o contraste de um Brasil que ainda recicla apenas 4% do lixo.
Como a sucata virou oportunidade em Campo Grande?
A trajetória começa com Wagner Coin, catador que recolhia papelão e metais pelas ruas da cidade. Com esforço diário, ele reuniu materiais recicláveis e envolveu a família no trabalho, criando a base de um negócio que mais tarde daria origem a uma indústria de reciclagem.
Com o aumento do volume coletado, a família alugou um terreno e montou um depósito simples. Mesmo enviando a sucata para São Paulo por falta de estrutura local, o grupo persistiu e acumulou experiência até enxergar que o ferro poderia se tornar o principal motor de crescimento.

Quais decisões transformaram sucata em indústria de ferro?
O ponto de virada ocorreu em 2007, quando Vanessa Coin decidiu focar exclusivamente no reaproveitamento do ferro. A escolha estratégica deu origem à Aço e Aço, empresa que passou a transformar resíduos em produtos usados na construção civil, como mostram os fatores abaixo.
- Matéria-prima: compra de sucata e veículos de leilão sem condições de rodar.
- Processo: descontaminação, separação de peças e prensagem do material.
- Produtos finais: vergalhões, arames, pregos, treliças e colunas de marca própria.
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Quem são as pessoas por trás dos 120 empregos gerados?
Hoje, Vanessa Coin, aos 50 anos, dirige a empresa ao lado do irmão Flávio. Juntos, eles comandam cerca de 120 funcionários, enquanto o pai, já aposentado, segue presente no cotidiano da fábrica como símbolo da origem do negócio.
A estrutura atual fica às margens da BR-163 e substituiu o antigo depósito improvisado. Montanhas de ferro reaproveitado abastecem uma cadeia produtiva que gera renda para dezenas de famílias e mantém a reciclagem como atividade econômica viável.

Por que respeito e inclusão sustentam o crescimento da empresa?
Mais do que lucro, a Aço e Aço se apoia no respeito a toda a cadeia da reciclagem. Vanessa defende que o sucesso depende da valorização de cada elo, do pequeno catador aos grandes fornecedores, como mostram os princípios adotados.
- Valorização: respeito a quem entrega pequenas ou grandes quantidades de material.
- Inclusão: presença crescente de mulheres e famílias inteiras no setor.
- Cooperação: entendimento de que a reciclagem funciona como engrenagem coletiva.
O que o futuro reserva para a reciclagem de ferro no Brasil?
Mesmo em um país que recicla apenas 4% do lixo, Vanessa acredita na estabilidade do setor, já que todo resíduo precisa de destino. A pandemia trouxe dificuldades temporárias, mas não interrompeu o avanço do negócio.
Os planos incluem investir em máquinas para ampliar o processamento interno e retirar ainda mais sucata das ruas. A meta é simples e poderosa: gerar mais empregos, fortalecer a economia local e provar que o lixo pode se transformar em desenvolvimento sustentável.



