O tema de uma possível idade máxima para conduzir voltou ao debate público em 2026, com uma petição dirigida à Assembleia da República que defende o fim automático da validade da carta aos 75 anos, reacendendo discussões sobre segurança rodoviária, autonomia dos mais velhos e falta de alternativas de mobilidade num país envelhecido e altamente dependente do automóvel.
O que está em causa na proposta de idade máxima para conduzir
A proposta parte da ideia de que o envelhecimento reduz atenção, visão e rapidez de reação, aumentando o risco de erros graves, como circulação em contramão ou distrações fatais. Defensores sublinham que, acima de determinada idade, a vulnerabilidade física torna qualquer acidente mais grave e com impacto maior no sistema de saúde.
O documento propõe que, aos 75 anos, a carta deixe automaticamente de ter validade, independentemente do estado de saúde individual. Críticos alertam que isto ignora diferenças entre condutores, hábitos de condução, medicação, acompanhamento clínico e estratégias de compensação usadas por muitos idosos responsáveis.

Como funciona hoje a idade para conduzir no Brasil
No Brasil, não existe uma idade máxima estabelecida por lei para parar de dirigir; o que determina a continuidade da habilitação é a capacidade física e mental do condutor, avaliada em exames médicos periódicos previstos no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Acima dos 70 anos, a renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) passa a ser mais frequente, com prazos reduzidos.
Para condutores com 70 anos ou mais, a renovação deve ser feita a cada 3 anos, com exames obrigatórios de aptidão física e mental para verificar visão, audição, reflexos, coordenação motora e doenças que possam comprometer a segurança. Especialistas recomendam atenção a sinais de alerta, como lapsos de memória, confusão mental ou dores crónicas que limitem movimentos rápidos ao volante.
Como é a legislação de idade para conduzir em Portugal
Em Portugal, não existe uma idade máxima geral para conduzir veículos do grupo 1 (como a categoria B), prevalecendo um sistema de revalidações periódicas e avaliações médicas. Os prazos variam conforme a data de emissão da carta e a categoria do veículo, criando um modelo escalonado adaptado ao risco.
No grupo 2, que inclui categorias profissionais e veículos pesados, há limites etários mais rígidos e cessação total ou parcial após os 67 anos, para reduzir riscos em transportes coletivos e de cargas. As revalidações exigem exames médicos, avaliações de visão e, em alguns casos, testes psicológicos, com recurso crescente a plataformas digitais.
A idade máxima para conduzir é segurança ou discriminação etária?
O debate opõe a segurança rodoviária ao direito à mobilidade em territórios com pouco transporte público, onde o automóvel é praticamente indispensável. Alguns especialistas defendem que uma idade-limite pode reduzir certos riscos, mas penaliza injustamente quem mantém boas capacidades físicas e cognitivas, alimentando acusações de discriminação etária.

Por isso, ganham força propostas de avaliações caso a caso, com exames médicos reforçados e testes práticos quando necessário. Para apoiar essa transição, vários países têm investido em medidas complementares de mobilidade que protegem a autonomia dos idosos:
- Reforço da oferta e frequência do transporte público em zonas mais envelhecidas e rurais.
- Serviços de transporte a pedido dedicados a consultas médicas, compras e atividades sociais.
- Incentivos à mobilidade partilhada, táxis e veículos com tarifas reduzidas para idosos.
- Melhorias de acessibilidade física em veículos, paragens e interfaces de transporte.
Qual poderá ser o futuro do tema e como cada cidadão pode agir agora
Uma petição só tem tratamento obrigatório no Parlamento quando atinge o número de assinaturas definido na lei, mas desde o início funciona como alerta político e ponto de partida para rever critérios de aptidão e políticas de mobilidade. Num país cada vez mais envelhecido, ativo e atento aos seus direitos, a decisão entre uma idade-limite rígida e avaliações individualizadas será decisiva para a autonomia de milhões de pessoas.
Este é o momento de agir: informe-se, converse com familiares, profissionais de saúde e autarcas, participe em petições, consultas públicas e debates locais. Não espere que outros definam o seu futuro ou o dos seus pais e avós — manifeste-se hoje, assine, questione e faça a sua voz contar antes que novas leis sejam aprovadas sem o seu contributo.




