São apenas 25 quilômetros e cerca de 40 minutos de carro que separam Belo Horizonte do vilarejo de Macacos, cujo nome oficial é São Sebastião das Águas Claras. Distrito de Nova Lima, esse pequeno povoado nasceu no século XVIII às margens de trilhas que eram usadas por garimpeiros e, hoje, recebe quem procura cachoeiras, o sabor da comida mineira feita no fogão a lenha e o silêncio das montanhas.
Por que o vilarejo se chama Macacos?
O apelido Macacos não tem qualquer relação com os primatas. De acordo com o Departamento de Turismo de Nova Lima e com os registros do Circuito do Ouro, os bandeirantes portugueses utilizavam a palavra “macacos” para se referir aos contrabandistas que utilizavam as trilhas da região para desviar ouro que deveria ir para a Coroa. O nome acabou batizando o ribeirão, depois o arraial, e nunca mais foi embora.
A ocupação do lugar começou na primeira metade do século XVIII. Em 1740, São Sebastião das Águas Claras já constava como arraial no censo da Vila de Sabará. A Capela de São Sebastião, que foi erguida em 1718 e é tombada como patrimônio histórico e cultural de Nova Lima, continua de pé no pequeno centro, com sua fachada branca e os detalhes em azul que viraram um verdadeiro cartão-postal do distrito.

Opções de passeio para um fim de semana saindo da capital
O vilarejo consegue concentrar natureza e boa comida em um espaço bem curto. Muitas das atrações estão a menos de 15 minutos do centrinho, o que permite montar um roteiro sem nenhuma pressa:
- Cachoeira da Ponte: a mais visitada da região, com várias quedas e poços de água cristalina cercados por bancos de areia.
- Cachoeira Marumbé: salto de cerca de dois metros com piscina natural. A trilha parte do Recanto do Suiço e leva aproximadamente 10 minutos.
- Cachoeira Central: a apenas 1 km do centrinho, ideal para quem prefere caminhadas curtas.
- Passeio de quadriciclo: circuitos guiados por trilhas, rios e mirantes com duração média de 1h30.
- Feirinha de Macacos: artesanato local, cervejas artesanais, música ao vivo e comidinhas típicas. Acontece todo segundo sábado do mês.
- Capela de São Sebastião: visita rápida ao patrimônio do século XVIII, com imagens sacras em madeira e altar singelo.
Quem quer conhecer o lazer em Macacos vai gostar deste vídeo do canal ClickAirBH, que já tem mais de 11 mil visualizações. Nele, Fabiola Moura mostra todo o charme de São Sebastião das Águas Claras:
O reconhecimento das trilhas e o título de capital do mountain bike
Nova Lima possui cerca de 300 quilômetros de trilhas protegidas pelo Decreto Municipal 6.773, de 2016, o qual abrange oito áreas diferentes do município, incluindo o distrito de Macacos. A plataforma internacional Trailforks tem catalogadas mais de 130 trilhas só na região do distrito, com trajetos para quem anda de mountain bike, faz caminhada ou corrida. Nos fins de semana, as estradas de terra ao redor do vilarejo ficam lotadas de ciclistas e motociclistas que saem de Belo Horizonte.
O reconhecimento, no entanto, não para por aí. Nova Lima é sede de etapas da Copa Internacional de Mountain Bike (CiMTB), uma competição que conta pontos para o ranking mundial da União Ciclística Internacional (UCI) desde 2004 e que serve como uma das seletivas para os Jogos Olímpicos. Em 2026, a CiMTB completa 30 anos de história.
Onde comer bem no vilarejo da serra?
A gastronomia é um dos grandes motores de Macacos. O distrito faz parte do roteiro Trilhas, Sabores e Aromas do Circuito do Ouro e, em 2025, recebeu a primeira edição do Gastrô Macacos, um circuito que reuniu 15 restaurantes e foi organizado pelo Sebrae Minas e pela Prefeitura de Nova Lima. Alguns lugares que valem a parada são:
- Evolução da Gula: comida mineira no fogão a lenha, com receitas criativas como bolinho de coração de bananeira.
- Mar Mineiro Restaurante: vista para as montanhas, cardápio mineiro e internacional, com música ao vivo nos fins de semana.
- Sítio Bar: peixe defumado na folha de bananeira e cerveja artesanal São Sebastião, produzida no próprio distrito.
Qual a melhor época para ir e o que fazer em cada estação?
O clima de Macacos segue o padrão das serras da região metropolitana de Belo Horizonte. Os verões costumam ser quentes e chuvosos, enquanto os invernos são mais secos e frescos. A tabela abaixo ajuda a planejar o passeio:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar conforme a altitude.
Como chegar a Macacos partindo de Belo Horizonte?
De carro, o caminho é pegar a BR-040 no sentido Rio de Janeiro/Ouro Preto. Depois de passar o viaduto da Mutuca, é preciso pegar a saída 549, que está sinalizada para São Sebastião das Águas Claras. A partir dali, são mais uns 9 quilômetros por uma estrada asfaltada, de pista dupla e com iluminação noturna, que desce a serra em meio à mata nativa. O trajeto completo dura de 30 a 40 minutos, dependendo de como estiver o trânsito na saída de Belo Horizonte.
Quem não for de carro pode usar a linha de ônibus 3915 (São Sebastião das Águas Claras/BH), que é operada pela empresa Santafé. Outra opção é ir de carro de aplicativo. Vale lembrar que no distrito não há posto de gasolina nem farmácia. Os mais próximos estão no bairro Jardim Canadá, em Nova Lima.
A tranquilidade da serra a meia hora da capital
Macacos consegue manter aquele equilíbrio raro entre a natureza que ainda está preservada, uma gastronomia cheia de criatividade e a história do tempo colonial, tudo isso a menos de meia hora de uma capital com mais de dois milhões de habitantes. São poucas as escapadas de fim de semana que entregam tanta coisa em tão pouco tempo de estrada.
Você precisa descer a serra pela saída 549 e conhecer esse vilarejo onde os contrabandistas do passado viraram lenda e onde as cachoeiras se transformaram na rotina gostosa de um domingo.




