Imagine mergulhar no fundo do mar e encontrar, espalhados pela areia, os pedaços de uma antiga torre que um dia guiou navios de todos os cantos do mundo. É isso que uma equipe internacional faz em Alexandria, tentando trazer de volta, ao menos de forma virtual, o famoso Farol de Alexandria.
Como está sendo resgatado o Farol de Alexandria
O projeto atual reúne instituições de pesquisa da França e do Egito, além de uma fundação privada voltada à modelagem digital. A iniciativa combina arqueologia tradicional, mergulhos técnicos e tecnologias de escaneamento em alta resolução para documentar, peça por peça, o que restou do antigo farol.
A partir desses dados, o objetivo é recriar em ambiente virtual a aparência e a engenharia da construção, considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Essa reconstituição permite que qualquer pessoa, em um computador ou óculos de realidade virtual, “passeie” por uma versão reconstruída da torre.

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O que foi encontrado sob as águas do antigo porto de Alexandria
Durante as campanhas mais recentes, arqueólogos localizaram e recuperaram 22 blocos monumentais associados à entrada do antigo Farol de Alexandria. Entre esses elementos estão dintéis, jambas, umbrais e grandes lajes de pavimento, alguns com pesos estimados entre 70 e 80 toneladas.
As dimensões e o acabamento das peças indicam uma arquitetura que mesclava tradições egípcias e gregas, traço típico da cidade fundada por Alexandre, o Grande. Parte das pedras mostra marcas de corte e encaixe que ajudam a entender como o acesso à torre era organizado.
Que outras ruínas submarinas ajudam a entender o Farol de Alexandria
Embora restos do farol submerso sejam conhecidos desde a década de 1960, a investigação sistemática ganhou força a partir dos anos 1990. Campanhas de mergulho em grande escala identificaram milhares de objetos espalhados pelo fundo marinho, revelando um verdadeiro “museu submerso”.
Entre eles aparecem colunas, esfinges, obeliscos e blocos de granito reaproveitados de templos mais antigos, o que mostra uma prática comum na Antiguidade. O conjunto recuperado acrescenta dados sobre a monumentalidade da entrada da torre e sobre como os antigos engenheiros pensaram o fluxo de pessoas pelo local.
Como funciona a reconstrução digital em 3D do farol
A reconstituição do Farol depende hoje de um processo que mistura arqueologia, história da arte e modelagem 3D de forma acessível. Mais de uma centena de fragmentos arquitetônicos foi escaneada diretamente no fundo do mar, gerando modelos digitais extremamente detalhados por meio de fotogrametria.
Nessa técnica, centenas de fotos tiradas de vários ângulos são cruzadas para calcular a forma e o volume de cada bloco. Assim, cada pedra ganha uma “versão virtual” que pode ser girada, medida e recolocada no espaço, como num grande quebra-cabeça digital.
Quais pistas históricas ajudam a montar o quebra cabeça virtual
Com os modelos 3D reunidos, equipes de especialistas — incluindo arqueólogos, historiadores, numismatas e arquitetos — trabalham para posicionar as peças de forma coerente. Para isso, eles recorrem a diferentes fontes históricas que servem como pistas visuais e textuais sobre o antigo farol.
Essas fontes ajudam a comparar proporções, alturas e detalhes arquitetônicos, criando cenários possíveis para a aparência do monumento. Entre as principais referências usadas, estão:
- Descrições de autores da Antiguidade que mencionam o farol e suas proporções básicas
- Moedas antigas que trazem pequenas representações da silhueta da torre
- Relatos de viajantes medievais que ainda viram o farol em pé ou parcialmente arruinado
- Comparações com faróis posteriores inspirados no modelo de Alexandria
Para você que gosta de curiosidades, separamos um vídeo do canal Canal History Brasil com mais sofre a história do grande farol de Alexandria:
Como era o Farol de Alexandria na época em que brilhava
O Farol de Alexandria foi erguido no início do século III a.C., durante o governo de Ptolemeu I Sóter, na pequena ilha de Faros. A autoria do projeto é atribuída ao arquiteto grego Sóstrato de Cnido, e fontes antigas indicam que a torre alcançava mais de 100 metros de altura.
A maioria das reconstruções o descreve com três níveis principais: base quadrada, corpo intermediário octogonal ou circular e topo mais estreito, possivelmente coroado por uma estátua. No interior, rampas ou escadas levariam até a área do fogo, que podia ser ampliado por refletores metálicos ou superfícies polidas.
O que levou o antigo Farol de Alexandria ao colapso e ao fundo do mar
Ao longo dos séculos, o Farol foi atingido por diversos terremotos que abalaram a região do Mediterrâneo oriental. Registros apontam que, por volta de 1303, um grande sismo comprometeu de forma decisiva sua estrutura, deixando a torre inutilizada.
Partes do edifício ruíram progressivamente, até restarem apenas bases e blocos espalhados pela costa. No fim do século XV, o sultão mameluco Qa’it Bay mandou construir uma fortaleza no mesmo local, reaproveitando muitas pedras do antigo farol.
