Você deita para descansar, mas sente um formigamento estranho e uma vontade incontrolável de mexer as pernas? Para muita gente, isso não é apenas cansaço: pode ser a síndrome das pernas inquietas. Esse quadro neurológico, também chamado de doença de Willis-Ekbom, costuma piorar à noite e atrapalhar o início e a manutenção do sono, exigindo atenção e avaliação profissional.
O que é a Síndrome das Pernas Inquietas e como ela aparece no dia a dia
Os relatos mais comuns envolvem um desconforto nas pernas quando a pessoa fica em repouso por muito tempo, principalmente ao deitar ou permanecer sentada. O alívio vem com o movimento, fazendo com que o indivíduo levante, caminhe ou estique as pernas várias vezes durante a noite, o que fragmenta o sono e gera cansaço no dia seguinte.
A síndrome das pernas inquietas (SPI) é um distúrbio neurológico marcado por um impulso quase involuntário de mover as pernas, junto de sensações como formigamento, coceira interna, agulhadas ou pressão. Em muitas pessoas, surgem também movimentos periódicos durante o sono, como pequenos chutes ou sacudidas, que podem incomodar tanto quem sente quanto quem dorme ao lado.

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Quais são os tipos de SPI e quem pode ter
Os especialistas diferenciam a SPI primária, também chamada de idiopática, que costuma ter forte componente genético, da SPI secundária, associada a fatores como deficiência de ferro, insuficiência renal crônica, gravidez e uso de determinados medicamentos, como alguns antidepressivos e anti-histamínicos.
A doença pode surgir em qualquer fase da vida, inclusive em jovens, mas é mais identificada a partir da meia-idade, quando os sintomas passam a interferir nas atividades diárias. Em crianças, às vezes é confundida com “dor de crescimento” ou agitação, o que reforça a importância de uma avaliação cuidadosa.
Qual é a relação entre Pernas Inquietas e ansiedade
Muitas pessoas se perguntam se a síndrome das pernas inquietas é “coisa da cabeça” por se agravar em momentos de estresse e preocupação. A situação costuma virar um ciclo: a dificuldade para dormir gera ansiedade, a ansiedade aumenta a tensão corporal, e essa tensão intensifica o desconforto nas pernas, deixando o cérebro em estado de alerta na hora de deitar.
Do ponto de vista clínico, a ansiedade não é a causa única da SPI, mas funciona como um importante fator de agravamento dos sintomas. A presença de transtornos ansiosos ou depressivos pode amplificar a percepção do incômodo e manter o sono cada vez mais fragmentado, enquanto noites mal dormidas, por sua vez, alimentam ainda mais a ansiedade.
Para você que gosta de se cuidar, separamos um vídeo do canal do Dr Diego De Castro com dicas para lidar com a SPI:
Quais impactos a falta de sono e a SPI podem trazer para a rotina
Com o tempo, a combinação de sono ruim e desconforto nas pernas vai além do cansaço físico e afeta o humor, a produtividade e os relacionamentos. Esse impacto diário costuma ser um sinal de alerta de que é hora de buscar ajuda profissional e não encarar o problema como “mania” ou “nervoso”.
Algumas consequências são especialmente comuns entre quem convive com a doença de Willis-Ekbom sem tratamento adequado:
- Privação de sono: aumenta irritabilidade e dificuldade de concentração.
- Hipervigilância noturna: a pessoa vai para a cama já esperando piora dos sintomas.
- Impacto social: cansaço constante pode reduzir produtividade e interação social.
Como é feito o controle da Síndrome das Pernas Inquietas no dia a dia
O controle da síndrome das pernas inquietas começa pela identificação da causa mais provável. Na forma secundária, a correção do fator de base é prioridade: níveis baixos de ferro, por exemplo, podem ser investigados com exames de sangue, e o médico decide sobre suplementação adequada e ajustes na alimentação, quando necessário.
Quando a SPI está ligada ao uso de medicamentos, a revisão da prescrição é fundamental. Alguns antidepressivos e anti-histamínicos podem piorar o quadro em pessoas predispostas, e o profissional de saúde avalia alternativas ou mudanças de dose, sem suspensões por conta própria. Na gravidez, os sintomas costumam surgir ou se intensificar no terceiro trimestre e, muitas vezes, melhoram após o parto, exigindo um manejo que proteja o sono da gestante e a segurança do bebê.




