Em 2026, falar de imóveis no Reino Unido deixou de ser só sobre localização, metragem e acabamento. A partir desse ano, a eficiência energética passou a definir custos, impostos, condições de financiamento e até a viabilidade de colocar uma casa para aluguel por temporada, transformando a propriedade residencial em um ativo que também é medido pelo seu impacto ambiental.
Como as novas regras do Reino Unido mudaram o valor dos imóveis?
As metas de descarbonização e a pressão por uso racional de energia fizeram com que donos de imóveis no Reino Unido sentissem rapidamente o peso da falta de adequações. Sem bons níveis de eficiência, fica mais caro financiar, mais difícil vender e mais limitado alugar por curtos períodos.
Na outra ponta, imóveis classificados como sustentáveis ganharam liquidez, juros menores e melhor posição em negociações. Bancos, governos e proprietários passaram a enxergar o imóvel também como um conjunto de sistemas de consumo de energia, e não só como abrigo ou reserva de valor.

Quais são as principais exigências de sustentabilidade para imóveis britânicos?
No Reino Unido, o foco das novas normas está na eficiência energética de imóveis, atingindo tanto novas construções quanto casas antigas. O objetivo é cortar o consumo de gás e eletricidade e reduzir emissões, o que mexe diretamente na avaliação e no preço das propriedades.
Entre as mudanças mais relevantes, destacam-se avanços que redefinem projetos, reformas e decisões de compra:
- Fim das caldeiras a gás em novas obras, priorizando bombas de calor e sistemas híbridos menos poluentes.
- Ratings EPC mais exigentes, com imóveis abaixo do mínimo enfrentando barreiras para venda e locação.
- Pressão sobre casas antigas, que perdem valor sem isolamento, esquadrias eficientes e sistemas modernos de aquecimento.
De que forma eficiência energética pesa em financiamento, impostos e aluguel?
Com a eficiência energética no centro da política habitacional, bancos e governos incorporaram esse critério em toda a jornada do imóvel. Instituições financeiras criaram financiamentos verdes com taxas menores e prazos melhores para propriedades bem avaliadas no EPC, estimulando reformas e projetos mais eficientes.
Na tributação, autoridades locais passaram a aplicar uma espécie de Council Tax verde, cobrando mais de casas ineficientes e vazias e oferecendo alívios fiscais a imóveis reformados ou construídos com foco em sustentabilidade. No aluguel por temporada, plataformas em áreas de alta pressão imobiliária operam com licenças, limites de dias e, em alguns casos, critérios mínimos de desempenho energético.

Qual é a situação da eficiência energética de imóveis no Brasil hoje?
No Brasil, a eficiência energética de imóveis ainda não comanda o mercado como no Reino Unido, mas ganha espaço em debates técnicos, projetos de lei e políticas urbanas. Há programas de etiquetagem e normas de desempenho térmico, embora sua aplicação seja irregular entre regiões e padrões de empreendimento.
Incorporadoras de médio e alto padrão já adotam soluções como aquecimento solar de água, fachadas ventiladas e iluminação racional, enquanto programas como o Minha Casa, Minha Vida (MCMV), linhas da Caixa Econômica Federal e do BNDES passaram a incluir requisitos mínimos de desempenho térmico, retrofit de sistemas e financiamento de energia solar fotovoltaica, ainda que de forma mais incentivadora do que obrigatória.
Como proprietários no Reino Unido e no Brasil podem se adaptar agora?
Tanto no Reino Unido quanto no Brasil, quem enxerga o imóvel como um verdadeiro ativo energético tende a se antecipar. No cenário britânico, adaptar-se é necessidade imediata para manter liquidez; no brasileiro, é uma oportunidade de reduzir custos futuros, acessar crédito diferenciado e valorizar o patrimônio antes que regras mais rígidas cheguem.
O momento de agir é agora: organize uma avaliação energética, priorize isolamento e esquadrias eficientes, considere fontes renováveis e planeje reformas em etapas com foco em retorno financeiro e certificações. Adiar significa correr o risco de ter um imóvel mais caro de manter, mais difícil de financiar e menos atraente para venda ou locação em um mercado que se torna sustentável por obrigação, não mais por opção.




