Imagine um mergulhador descendo lentamente em águas tão frias que beiram o congelamento, sem esperar encontrar quase nada vivo — até que, das sombras profundas, surge um enorme tubarão-dorminhoco, nadando com calma como se aquele gelo todo fosse seu lar há séculos.
O que torna o tubarão-dorminhoco tão fascinante e diferente de outros tubarões
Para entender essa espécie é tubarão-dorminhoco, um grupo de animais adaptados a águas geladas e a um ritmo de vida extremamente lento. Pertencente ao gênero Somniosus, esse tubarão cresce poucos milímetros por ano e pode alcançar vários metros de comprimento ao longo de centenas de anos.
Estudos com parentes próximos, como o tubarão-da-groenlândia, indicam idades próximas a 400 anos, o que o coloca entre os vertebrados mais longevos já analisados. Seu modo de vida é quase “em câmera lenta”: ele nada devagar, gasta pouca energia metabólica e parece não ter pressa para nada, o que ajuda seu corpo a durar muito mais tempo.

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Como o tubarão-dorminhoco consegue viver em águas quase congeladas
Para permanecer ativo em mares polares, o tubarão-dorminhoco conta com uma combinação especial de adaptações no corpo e no sangue. Pesquisadores acreditam que ele possui substâncias crioprotetoras naturais — uma espécie de “anticongelante natural” — que impedem que suas células congelem e ajudam a manter as proteínas funcionando mesmo perto de 0 °C.
Além disso, sua circulação é lenta, o que ajuda a preservar calor interno, e ele costuma viver em grandes profundidades, onde a temperatura é fria, mas mais estável. Em algumas regiões, cientistas sugerem a existência de corredores térmicos, faixas de água um pouco mais quentes que facilitam o deslocamento desses tubarões entre áreas polares e subpolares.
Quais estratégias permitem que esse tubarão sobreviva com pouca energia
O estilo de vida do tubarão-dorminhoco é baseado em economia máxima de energia. Em vez de perseguir presas em alta velocidade, ele prefere deslocamentos lentos pelo fundo do mar, procurando peixes, lulas e até carcaças que encontra pelo caminho. Isso é essencial em lugares onde a comida aparece de forma irregular e imprevisível.
Para entender melhor como ele se mantém vivo em um ambiente tão desafiador, vale observar algumas de suas principais estratégias de sobrevivência, que trabalham juntas para garantir sua resistência em águas quase congeladas:
- Metabolismo muito lento, que reduz o consumo de energia e o desgaste do corpo;
- Compostos químicos que protegem as células do frio intenso e estabilizam proteínas;
- Camadas de gordura corporal que funcionam como isolamento térmico natural;
- Preferência por profundidades com temperatura mais estável ao longo do ano;
- Possível uso de “corredores” de água um pouco mais quente para se deslocar.
Para você que gosta de curiosidades, separamos um vídeo do canal Canal do Eddie com mais sobre esse tubarão:
Que impacto esse tubarão tem para a ciência e para o futuro dos oceanos
O registro do tubarão-dorminhoco próximo à Antártida obriga os cientistas a repensar o que realmente sabemos sobre a vida nos oceanos polares. Por muito tempo se acreditou que esses mares eram quase vazios de grandes tubarões, mas a filmagem de um animal com cerca de 4 metros nadando em águas quase congeladas mostra que a história ecológica pode ser bem diferente.
Essa descoberta levanta perguntas importantes: será que ele é morador fixo da região ou apenas um visitante em busca de alimento? As mudanças climáticas estariam abrindo novas rotas para espécies de águas frias irem ainda mais ao sul? E, principalmente, como proteger um animal de crescimento tão lento em oceanos cada vez mais afetados pela pesca, pelo aquecimento e pela poluição química?
O que o tubarão-dorminhoco pode nos ensinar sobre envelhecer devagar
A enorme longevidade do tubarão-dorminhoco chama atenção não só de biólogos marinhos, mas também de pesquisadores interessados em envelhecimento. Estudos sugerem que esse grupo de tubarões pode ter mecanismos genéticos e celulares que retardam danos ao longo do tempo, como melhor reparo de DNA celular e proteção contra inflamações constantes, algo que ainda está sendo investigado com cuidado.
Ao crescer devagar e gastar pouca energia e viver em um ambiente frio e estável, esse tubarão reduz o “desgaste” diário do próprio corpo. Cada nova imagem capturada nas profundezas geladas reforça a ideia de que ainda conhecemos pouco sobre as formas de vida que habitam o fundo do mar — e que, escondido nas sombras dos oceanos polares, pode estar um dos segredos naturais de como é possível viver muito, muito tempo.


