A 60 km do Recife, uma antiga vila de pescadores esconde aquários a céu aberto entre recifes de coral. Porto de Galinhas, no município de Ipojuca, tem águas mornas a 27°C o ano inteiro, jangadas coloridas e um nome com origem surpreendente.
Por que Porto de Galinhas é eleita a melhor praia do Brasil há anos?
O reconhecimento veio de um ranking único no turismo nacional. Porto de Galinhas foi eleita 10 vezes consecutivas como “Melhor Praia do Brasil” pelos leitores da revista Viagem e Turismo, da Editora Abril, segundo confirma a Prefeitura Municipal de Ipojuca.
O motivo aparece em qualquer maré baixa. Os recifes de coral que ficam a cerca de 200 metros da faixa de areia formam piscinas rasas de fundo transparente, com peixes coloridos nadando a centímetros da superfície. Quando o mar recua, surgem aquários naturais acessíveis por jangadas conduzidas por jangadeiros credenciados.
A infraestrutura acompanha o prestígio. O vilarejo tem 18 km de costa, 16 grandes hotéis, 230 pousadas e 120 restaurantes, segundo levantamento do setor de turismo local divulgado pelo Porto de Galinhas Convention & Visitors Bureau.

A origem do nome que carrega memória do tráfico de escravizados
Antes de virar sinônimo de paraíso tropical, a praia se chamava Porto Rico, pela abundância de pau-brasil na região. O nome mudou no século XIX, após a proibição do tráfico de escravizados no Brasil.
Navios clandestinos passaram a desembarcar africanos escondidos sob engradados de galinhas-d’angola, evitando a fiscalização intensa do Porto do Recife. A senha que anunciava o desembarque era direta: “tem galinha nova no porto”. O nome ficou e nunca mais mudou.
Hoje, esculturas coloridas de galinhas feitas de troncos de coqueiros pelo artista piauiense Gilberto Carcará espalham-se pelas praças, calçadas e fachadas da vila. A transformação de uma história dolorosa em marca visual faz parte da identidade que os moradores cultivam.

O reconhecimento federal que protege os recifes de coral
Toda a faixa costeira integra uma das maiores unidades de conservação marinha do país. A Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais foi criada por decreto federal em 1997, no Ano Internacional dos Recifes de Coral.
Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a APA soma mais de 400 mil hectares entre Pernambuco e Alagoas, configurando a maior unidade de conservação federal marinha costeira do Brasil. A gestão ordena o turismo nas piscinas naturais, protege os manguezais e preserva o habitat do peixe-boi marinho.
Dentro dessa área, a Biofábrica de Corais opera desde 2017 com autorização do ICMBio. O projeto já resgatou mais de 3 mil fragmentos de coral e envolve turistas na reintrodução das espécies nos recifes. O trabalho transforma o turismo predatório em ferramenta de conservação.
O que fazer além das piscinas naturais?
As praias do litoral de Ipojuca oferecem perfis diferentes em poucos quilômetros. Entre as paradas obrigatórias estão:
- Praia da Vila: coração do destino, ponto de partida das jangadas até as piscinas naturais com formato do mapa do Brasil.
- Muro Alto: paredão de recifes forma piscina natural de aproximadamente 3 km com águas calmas, ideal para famílias.
- Pontal de Maracaípe: encontro do rio com o mar entre manguezais, passeio de jangada para observar cavalos-marinhos.
- Praia de Maracaípe: ondas fortes que atraem surfistas e sediam etapas do circuito brasileiro da modalidade.
- Praia do Cupe: faixa extensa com trechos de piscinas naturais e areia menos movimentada.
- Projeto Hippocampus: centro de preservação de cavalos-marinhos com aquários visitáveis na vila.
Quem sonha com o litoral de Pernambuco, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Partiu de Férias, que conta com mais de 207 mil visualizações, onde são mostradas as belezas de Porto de Galinhas:
Quando a maré favorece o mergulho nas piscinas?
O clima tropical mantém temperaturas altas o ano todo, com estação chuvosa concentrada entre maio e agosto. O segredo da viagem está na tábua das marés:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao litoral sul pernambucano?
O acesso é feito pelo Aeroporto Internacional dos Guararapes, em Recife, que recebe voos de todas as capitais brasileiras e de destinos internacionais. De lá são cerca de 60 km até Porto de Galinhas pela PE-060, em trajeto de aproximadamente uma hora de carro.
Quem prefere transporte público encontra linhas regulares de ônibus saindo do Terminal Cais de Santa Rita e do próprio aeroporto, com percurso de cerca de duas horas. Transfers privativos, serviços por aplicativo e aluguel de carro completam as opções, segundo a Prefeitura de Ipojuca.
Pise nessa areia e entenda o hype
Poucas praias brasileiras conseguem manter a combinação de águas calmas, recifes vivos e infraestrutura completa como Porto de Galinhas. O vilarejo cresceu sem perder o charme que lhe rendeu o título repetido pelo ranking mais influente do turismo nacional.
Você precisa subir em uma jangada colorida e mergulhar nas piscinas naturais de Porto de Galinhas, onde peixes tropicais dançam entre os corais vivos do maior santuário marinho do Brasil.




