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Uma montanha de 1.385 metros desapareceu: a cidade mineira a 2 horas de BH onde a paisagem valia menos que os lucros e o maior poeta brasileiro nasceu

Vitor Bruno Por Vitor Bruno
02/04/2026
Em Cidades
Uma montanha de 1.385 metros desapareceu: a cidade mineira a 2 horas de BH onde a paisagem valia menos que os lucros e o maior poeta brasileiro nasceu

Uma montanha de 1.385 metros desapareceu: a cidade mineira a 2 horas de BH onde a paisagem valia menos que os lucros e o maior poeta brasileiro nasceu (imagem ilustrativa)

A menos de 2 horas de Belo Horizonte, Itabira guarda uma das histórias mais perturbadoras da relação entre riqueza mineral e destruição ambiental no Brasil. O Pico do Cauê, que brilhava azul a 1.385 metros e orientava viajantes desde o século XVIII, foi pulverizado por décadas de mineração e virou cratera. Em seu lugar, ficaram poemas.

O que foi o Pico do Cauê e como ele desapareceu?

O Pico do Cauê, cujo nome vem de um dialeto africano que significa “irmãos”, era o marco geográfico e afetivo de Itabira. Desde que os irmãos Francisco e Salvador de Faria Albernaz chegaram à região por volta de 1720, o brilho azulado do minério de ferro exposto na montanha guiava viajantes e atraía prospectores. A cidade levou esse nome do próprio minério: Itabira vem do tupi e significa “pedra que brilha”.

A extração em escala industrial começou no início do século XX, com capital inglês da Itabira Iron Ore Company. Em 1942, o governo de Getúlio Vargas nacionalizou as minas por meio dos Acordos de Washington, criando a Companhia Vale do Rio Doce. Em 1973, a Mina do Cauê se tornou a maior frente de extração de minério de ferro do mundo ocidental. No início da década de 1980, o pico havia desaparecido. No lugar da montanha, uma enorme cratera. Desde 2011, a Vale conduz um projeto de revegetação no local, licenciado pelos órgãos ambientais competentes.

Itabira garante qualidade de vida e desenvolvimento familiar // Créditos: Wikipedia

Como Drummond viu a destruição da própria cidade?

Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira em 31 de outubro de 1902 e viveu ali até os 13 anos. Da janela de casa, via o Pico do Cauê. Ao retornar à cidade décadas depois, encontrou uma cratera onde havia uma montanha. A destruição entrou em sua obra com força crescente.

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Em 1930, no livro Alguma Poesia, Drummond já escrevia: “Cada um de nós tem seu pedaço no Pico do Cauê.” Em 1973, publicou “A Montanha Pulverizada”, poema em que narra o desaparecimento da serra com uma precisão que dói como reportagem: chega à sacada, olha para o horizonte e não encontra mais a montanha que pertencia à família por gerações. O poeta foi um crítico contundente da mineração predatória e chegou a fazer campanha direta contra a Vale nos anos 1950. Por muito tempo, itabiranos o trataram como traidor por criticar a empresa que sustentava a cidade.

Itabira atrai moradores que querem viver com calma // Créditos: Wikipedia

Leia também: Eleito o 2º melhor destino do Brasil, esse paraíso a 150 km da capital tem 365 ilhas e águas esverdeadas de tirar o fôlego

O que visitar em Itabira além da cratera do Cauê?

Itabira transformou a memória de Drummond em um dos roteiros culturais mais completos de Minas Gerais. Todos os espaços abaixo integram os Caminhos Drummondianos, percurso criado em 1997 pela Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA):

  • Museu de Território Caminhos Drummondianos: 44 placas de ferro com poemas de Drummond espalhadas por 7 km da cidade, cada uma ligada ao lugar onde está instalada. Guias e jovens do Projeto Drummonzinhos declamam os versos ao longo do percurso.
  • Memorial Carlos Drummond de Andrade: projetado por Oscar Niemeyer, amigo do poeta, e inaugurado em 1998 na encosta do Pico do Amor. Recebe mais de 15 mil visitantes por ano. O acervo inclui a primeira máquina de datilografia de Drummond, cartas, manuscritos e primeiras edições.
  • Casa de Drummond: sobrado do século XIX no Centro Histórico onde o poeta viveu dos 2 aos 13 anos. Tombada pelo IPHAN, funciona como espaço cultural com exposições, oficinas e espetáculos.
  • Fazenda do Pontal: propriedade rural da família do poeta, onde ele passou parte da infância. Hoje é centro cultural e ponto final dos Caminhos Drummondianos.
  • Área do antigo Pico do Cauê: a cratera onde existia a montanha é um ponto de referência ativo para quem quer entender a extensão do impacto da mineração na paisagem e na memória da cidade.

Quem busca conhecer a história e os encantos de Minas Gerais, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Vanessa Cunha, que conta com mais de 8.600 visualizações, onde Vanessa Cunha mostra um tour completo pelos pontos turísticos de Itabira, a cidade de Drummond:

Quando é a melhor época para visitar a Cidade de Ferro e Poesia?

O clima de Itabira é tropical de altitude, com verões quentes e chuvosos e invernos secos e amenos. Para os roteiros culturais a céu aberto, o inverno seco é ideal. Confira as estações de acordo com o Climatempo:

🌧️
Verão
Dezembro a fevereiro
18°C a 29°C
Período tropical quente com fortes chuvas. A estação ideal para contemplar o volume das cachoeiras em Ipoema e focar em museus cobertos.
💧 Chuva Alta
📜
Outono
Março a maio
15°C a 26°C
O ar úmido se afasta gradualmente. Uma fase bastante interessante para mergulhar nos poéticos Caminhos Drummondianos e explorar as trilhas.
☁️ Chuva Média
🏞️
Inverno
Junho a agosto
10°C a 24°C
Dias ensolarados impecáveis com baixa umidade no ar. A época supremamente indicada para roteiros a céu aberto e vistas claras dos mirantes.
⭐ Melhor Época / Céu Limpo
🏛️
Primavera
Setembro a novembro
15°C a 28°C
O calor volta à cidade junto com dias levemente chuvosos. Aproveite para caminhar pela rica Fazenda do Pontal e apreciar o Centro Histórico.
☁️ Chuva Média

Temperaturas aproximadas com base em dados históricos do Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Itabira saindo de Belo Horizonte?

Itabira fica a cerca de 110 km de Belo Horizonte, com trajeto de aproximadamente 2 horas de carro pela BR-381 e estradas estaduais. A cidade integra a Estrada Real e o Circuito do Ouro, o que facilita combinações com outros destinos históricos de Minas Gerais. Para visitas guiadas pelos Caminhos Drummondianos, o contato com a Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade pode ser feito pelo site fccda.com.br.

Itabira vale a visita pelo que ficou e pelo que foi perdido

Poucas cidades brasileiras carregam com tanta honestidade a tensão entre o que se ganha e o que se perde quando o subsolo vale mais do que a paisagem. Itabira tem a coragem de exibir a ferida aberta onde havia uma montanha, e também os versos de quem não aceitou o silêncio.

Vá a Itabira, leia os poemas nas placas de ferro e entenda por que o maior poeta do Brasil escolheu a própria destruição da cidade como tema.

Tags: cidadesItabiraMinas Gerais

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