O caso que ocorreu em Tarragona, na Espanha, mostra de forma contundente os riscos de uma obra de demolição e os reflexos jurídicos de decisões empresariais tomadas durante a licença médica do empregado. Um trabalhador de 58 anos sofreu a queda de uma viga sobre o corpo, teve fraturas na coluna, acabou afastado por incapacidade para o trabalho e, em plena recuperação, recebeu carta de dispensa sem justificativa objetiva, o que levantou forte suspeita de discriminação por doença.
Como foi a demissão do trabalhador durante a licença médica na Espanha
Enquanto ainda se recuperava do acidente, o trabalhador recebeu, em janeiro de 2023, uma carta comunicando sua demissão. No próprio documento, a empresa reconheceu tratar-se de uma dispensa sem justificativa válida, oferecendo uma compensação inicial de 1.320 euros.
A demissão durante o afastamento médico, logo após um acidente de trabalho grave, levantou questionamentos sobre possível discriminação por doença. Inconformado, o empregado acionou a Justiça, alegando que seu estado de saúde e a incapacidade temporária foram determinantes para a ruptura do contrato.

Como funcionou a indenização por demissão durante licença médica na Espanha
O ponto central da disputa foi a dispensa ocorrida enquanto o trabalhador estava em licença médica decorrente do acidente na obra de demolição. Após o afastamento em novembro de 2022, o vínculo foi rompido poucos meses depois, em um contexto que envolvia não só a responsabilidade pelo acidente, mas também a forma do desligamento.
Em novembro de 2024, o tribunal de primeira instância rejeitou o pedido de indenização por danos adicionais, entendendo que não havia prova de prejuízos extras além do valor já pago. O trabalhador recorreu ao Tribunal Superior de Justiça da Catalunha, alegando relação direta entre sua condição de saúde e a demissão, o que configuraria tratamento discriminatório.
O que decidiu o Tribunal Superior de Justiça da Catalunha nesse caso
Ao revisar o processo, o Tribunal Superior de Justiça da Catalunha concluiu que havia elementos suficientes para caracterizar discriminação por doença. Pesaram na análise o fato de a demissão ter ocorrido durante a licença médica e a total ausência de justificativa objetiva para a rescisão do contrato.
Com essa interpretação, a corte anulou a sentença de primeira instância e determinou o pagamento de uma indenização por danos morais de 25.000 euros ao trabalhador, além do valor já pago na dispensa. A demissão não foi declarada nula porque o prazo legal para pedir a nulidade havia expirado, de modo que o vínculo de emprego não foi restabelecido.

O que poderia acontecer em um caso semelhante no Brasil
Em um cenário brasileiro, um episódio parecido — queda de viga, fraturas na coluna, afastamento médico e demissão durante a licença — seria analisado à luz da CLT, da legislação previdenciária e das normas de segurança do trabalho. A Justiça do Trabalho costuma examinar com rigor a dispensa de empregado afastado pelo INSS, sobretudo após acidente típico de trabalho.
Nesse contexto, alguns desdobramentos são comuns e podem envolver, ao mesmo tempo, a esfera trabalhista, previdenciária e de fiscalização de segurança:
- Reconhecimento do acidente de trabalho junto ao INSS e concessão de auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença acidentário).
- Garantia de estabilidade provisória no emprego, impedindo a dispensa arbitrária por determinado período.
- Pedidos de nulidade da dispensa, reintegração, danos morais e materiais (como pensão), se houver redução permanente da capacidade laboral.
- Responsabilização da empresa por falhas em segurança do trabalho e sanções administrativas por órgãos de fiscalização.
Por que esse caso reforça a importância da prevenção e da proteção ao trabalhador
O episódio em Tarragona evidencia como um acidente de trabalho pode desencadear não apenas sequelas físicas, mas também longas disputas judiciais sobre responsabilidade, forma da dispensa e respeito à dignidade do trabalhador. Em atividades de risco, como demolição e construção civil, a exigência de EPI, treinamentos e planejamento rigoroso das tarefas é ainda mais intensa.
Se você ou alguém próximo sofreu acidente, foi afastado e teme uma demissão injusta, procure orientação jurídica o quanto antes e registre toda a documentação médica e trabalhista. Agir rápido pode ser decisivo para garantir seus direitos, evitar prejuízos irreversíveis e pressionar empresas a cumprirem, de fato, as normas de segurança e proteção ao trabalhador.



