A vontade intensa de comer doces durante a menstruação é um fenômeno frequente e já bem estudado. Em vez de estar ligada apenas a costume ou “falta de disciplina”, essa fome por açúcar se relaciona a alterações hormonais, ao funcionamento do cérebro e ao modo como o corpo utiliza energia ao longo do ciclo menstrual. Entender esse processo ajuda a enxergar esses desejos como uma resposta biológica complexa, e não como algo puramente psicológico.
Por que o desejo por doces aumenta na menstruação
Na fase que antecede a menstruação, chamada de fase lútea, os níveis de estrogênio e progesterona mudam, afetando a produção e a ação da serotonina no cérebro. Quando essa substância diminui, surgem sintomas de tensão pré-menstrual (TPM), como oscilação de humor, cansaço e busca maior por alimentos que tragam alívio rápido.
Alimentos ricos em açúcar e carboidratos simples aumentam rapidamente a disponibilidade de triptofano, aminoácido que participa da produção de serotonina. Assim, o corpo tende a “pedir” chocolates, biscoitos e sorvetes como resposta automática para amenizar o mal-estar emocional, o que mostra que não se trata de uma preferência aleatória, mas de uma resposta com base biológica.

Como o estresse, o sono e a energia influenciam o apetite por açúcar
Além dos hormônios, o estresse crônico e a qualidade do sono influenciam diretamente o apetite por açúcar na TPM. Quando o organismo está mais cansado ou sobrecarregado, aumenta a liberação de cortisol, o que favorece a busca por fontes de energia de absorção rápida, como doces e ultraprocessados.
A combinação entre alterações hormonais, cansaço acumulado e tensão emocional ajuda a explicar por que esse período costuma ser marcado por maior ingestão de açúcar. Nessa fase, muitas pessoas relatam irritação, sensibilidade emocional e menos disposição para cozinhar, o que favorece escolhas rápidas e menos nutritivas.
Qual é o papel dos hormônios, do metabolismo e da insulina
Na primeira fase do ciclo, chamada fase folicular, o estrogênio predomina e está associado a maior disposição e, em muitos casos, a um apetite mais controlado. Após a ovulação, a progesterona ganha destaque e o metabolismo tende a queimar mais carboidratos estocados, tendo maior dificuldade em usar gordura como fonte principal de energia.
Nessa segunda fase, surge uma resistência à insulina fisiológica, ou seja, uma redução temporária na sensibilidade das células a esse hormônio. Em quem já tem resistência à insulina ou pré-diabetes, esse efeito pode se intensificar, gerando picos e quedas de glicose, mais fome e mais vontade de beliscar, com maior consumo de produtos ultraprocessados e menor ingestão de frutas, grãos integrais e proteínas de boa qualidade.

Como controlar o desejo por doces na menstruação no dia a dia
Muitas pessoas perguntam como controlar o desejo por doces na menstruação sem cair em culpa ou restrições extremas. A ideia não é proibir o açúcar, mas evitar episódios de compulsão que provoquem mal-estar físico e emocional, usando estratégias simples que estabilizam a glicose e aumentam a saciedade.
Algumas medidas práticas costumam ser recomendadas por profissionais de saúde para tornar essa fase mais previsível e equilibrada:
- Fracionar as refeições: fazer pequenas refeições ao longo do dia para evitar quedas bruscas de glicose.
- Priorizar carboidratos integrais: como arroz integral, aveia, pão integral e leguminosas, que liberam energia de forma mais lenta.
- Associar proteínas e gorduras boas: ovos, iogurte natural, oleaginosas e abacate ajudam a prolongar a saciedade.
- Manter boa hidratação: água ao longo do dia, evitando confundir sede com fome.
- Planejar lanches da fase pré-menstrual: deixar opções equilibradas à mão dificulta o consumo exagerado de doces ultraprocessados.
Quais mudanças de estilo de vida ajudam e como agir agora
Além da alimentação, atividade física regular melhora a sensibilidade à insulina, modula hormônios do estresse e favorece a produção de neurotransmissores ligados ao bem-estar. Técnicas de manejo do estresse, como respiração profunda, meditação guiada e terapia psicológica, reduzem o uso da comida como resposta automática a emoções intensas, e suplementos como magnésio, cálcio e vitaminas do complexo B podem ser considerados com orientação profissional.
Se o desejo por doces, a irritabilidade ou o cansaço são muito intensos, não espere piorar: busque avaliação com um(a) ginecologista ou nutricionista para um plano personalizado e, se necessário, investigar condições como transtorno disfórico pré-menstrual. Comece hoje com um pequeno ajuste – planejar suas refeições desta fase, marcar uma consulta ou incluir uma caminhada regular – e dê ao seu corpo a resposta urgente e cuidadosa que ele está pedindo agora.




