A decisão da Administração Nacional de Medicamentos, Alimentos e Tecnologia Médica (Anmat), divulgada no Diário Oficial desta terça-feira, ganhou destaque ao atingir diferentes segmentos do mercado argentino, proibindo o uso, a comercialização e a distribuição de produtos de limpeza, cosméticos e até um equipamento médico considerados irregulares por falta de registro ou rotulagem adequada, o que reacende o alerta sobre segurança, consumo consciente e responsabilidade das empresas.
O que motivou as proibições recentes da Anmat
De acordo com as disposições publicadas, o órgão identificou problemas que vão desde ausência de registro sanitário até suspeita de substâncias potencialmente tóxicas. Em comum, está a avaliação de que esses itens, ao circularem fora das normas, podem representar risco direto à saúde da população.
As medidas funcionam também como um aviso ao setor produtivo, que passa a ter de revisar com mais atenção processos de regularização, rotulagem e rastreabilidade. Em um cenário de crescimento do comércio on-line, a atuação da Anmat busca reduzir brechas usadas por marcas informais ou mal reguladas.

Por que uma água sanitária foi considerada falsamente rotulada
Entre as medidas anunciadas, destacou-se a proibição do produto “Água sanitária comum. Val chemical. Elimina 99,9% das bactérias em sua casa. 25 g Cl/l.”, supostamente fabricado pela Compañía de Poliproductos Baigó S.A., em Hurlingham. Embora a empresa tenha habilitação para atuar no setor de domissanitários, o Serviço de Domisanitários da Anmat constatou que esse item não possui registro na base oficial.
A classificação como “falsamente rotulado” indica que as informações da embalagem não correspondem à realidade regulatória, impedindo a verificação formal de composição, concentração de cloro ativo e segurança de uso. Em saneantes como água sanitária, isso pode comprometer a desinfecção ou causar irritações cutâneas e respiratórias, motivo pelo qual a fabricação, distribuição e venda foram proibidas até regularização.
Quais riscos representam os cosméticos capilares com possível formol
A Anmat também proibiu diversos produtos da marca La Gefa cosmética VIP, voltados para tratamento e alisamento capilar, por ausência de inscrição sanitária e suspeita de conter formol como ativo. Entre eles estão séruns biomoleculares, máscaras, shampoos e tratamentos anunciados como “sem formol” na rotulagem.
O uso de formol em cosméticos capilares vem sendo restrito em vários países, devido à liberação de vapores durante a aplicação com calor, como chapinhas e secadores. A exposição pode causar irritação ocular e respiratória e, em uso prolongado, aumentar o risco de hipersensibilidade, dermatites alérgicas e maior probabilidade de carcinomas, especialmente na região da nasofaringe.
Como a Anmat está tratando domissanitários automotivos e equipamentos médicos
As disposições também atingiram produtos domissanitários para uso automotivo de marcas como Restorer, Bully Industry, Fenix, Impactto, Marchand Car Care, Solimo Detailing Products e Sedanil, com exceção da silicona aromatizada Fenix. Foram identificadas falhas de registro, ausência de responsáveis técnicos e falta de dados claros sobre origem e composição.

A Anmat ainda proibiu um concentrador de oxigênio Respironics, modelo EverFLO, de número de série específico, por dúvidas sobre procedência e documentação. Equipamentos médicos exigem certificação técnica rigorosa, e, diante de qualquer incerteza quanto à segurança ou rastreabilidade, a retirada preventiva do mercado é adotada para evitar falhas que possam comprometer a terapia de oxigenoterapia.
Quais cuidados imediatos o consumidor deve adotar agora
Diante dessas proibições, torna-se essencial que o consumidor adote uma postura mais crítica ao comprar itens de limpeza, cosméticos ou dispositivos médicos, especialmente em e-commerces e redes sociais. Verificar registros, rótulos e dados do fabricante é hoje uma medida básica de autoproteção.
Algumas ações simples podem reduzir significativamente o risco de exposição a produtos irregulares ou potencialmente perigosos:
- Conferir se há número de registro sanitário visível no rótulo ou embalagem;
- Checar se fabricante ou distribuidor informa endereço físico, CNPJ ou razão social completa;
- Desconfiar de promessas de efeito imediato ou resultados “milagrosos”, sobretudo em alisantes capilares;
- Evitar produtos sem instruções de uso, advertências claras ou composição detalhada;
- Consultar regularmente comunicados da Anmat ou de órgãos equivalentes sobre proibições e alertas.
Em um mercado cada vez mais dinâmico, com alta rotatividade de marcas e forte presença digital, acompanhar alertas oficiais e checar rótulos deixou de ser opcional. Comece a revisar agora mesmo os produtos que você tem em casa, descarte os suspeitos e, ao notar qualquer irregularidade, interrompa o uso e informe o órgão regulador: sua atitude pode proteger não só a sua saúde, mas a de muitas outras pessoas.




