A crescente popularidade dos dispositivos eletrônicos para fumar, como os cigarros eletrônicos, entre os jovens brasileiros tem se tornado um motivo de preocupação. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2024, houve aumento expressivo no número de adolescentes entre 13 e 17 anos que relataram ter experimentado cigarro eletrônico: o percentual subiu para 29,6% em todo o Brasil, crescimento de 76,2% em seis anos, apesar da proibição da Anvisa desde 2009.
Panorama atual do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes?
A região Centro-Oeste destacou-se com o maior percentual de usuários entre adolescentes, alcançando 42% em 2024. O Nordeste revelou aumento de 10,8% para 22,5%, indicando expansão do problema em diferentes contextos sociais e econômicos.
Esse crescimento desafia políticas de saúde pública, pois a comercialização de cigarros eletrônicos é proibida no Brasil. A persistência do consumo aponta para falhas na fiscalização, na comunicação de riscos e no controle da oferta ilegal, inclusive em meios digitais.
Por que o aumento do uso de cigarros eletrônicos é preocupante?
A preocupação com o uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes é sustentada por evidências científicas. A nicotina pode levar à dependência, afetar o desenvolvimento cerebral e favorecer dificuldades de atenção, memória e controle de impulsos nessa fase.
Além disso, há risco de exposição a substâncias tóxicas, doenças pulmonares e problemas cardiovasculares. Especialistas alertam ainda para o potencial de servir como porta de entrada para outros produtos de tabaco e para impactos ambientais do descarte inadequado dos aparelhos e refis.
Como a legislação brasileira regula os cigarros eletrônicos?
A regulamentação da Anvisa proíbe a fabricação, venda e propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar. Essa legislação foi reforçada pela Resolução RDC nº 855, de 2024, que também veda o uso desses dispositivos em locais fechados e de uso coletivo, como escolas, cinemas e transportes públicos.
Essa norma integra um esforço alinhado à Convenção-Quadro da Organização Mundial da Saúde para o Controle do Tabaco. O objetivo é reduzir a exposição de crianças e adolescentes à nicotina e limitar estratégias de marketing que tornem esses produtos atraentes, sobretudo por sabores e aparência tecnológica.

Tendências recentes no uso de outras substâncias entre adolescentes?
Apesar do cenário preocupante dos cigarros eletrônicos, a PeNSE 2024 identificou redução no consumo de outras substâncias. O uso de cigarros convencionais, a experimentação de bebidas alcoólicas e de drogas ilícitas caiu em relação a 2019, indicando mudanças de comportamento entre os jovens.
O uso de álcool, por exemplo, diminuiu de 63,3% para 53,6% dos adolescentes. Especialistas apontam que campanhas educativas, ações escolares e maior debate público sobre dependência química podem ter contribuído para essa tendência positiva.
Próximos passos para enfrentar o desafio do cigarro eletrônico?
Enfrentar o crescimento do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes exige uma resposta ampla e coordenada. É necessário combinar educação em saúde, regulação mais efetiva e fiscalização reforçada, especialmente sobre o comércio informal e o ambiente digital.
Nesse contexto, algumas ações são frequentemente destacadas por gestores e especialistas como prioritárias para conter o avanço desse consumo entre jovens:
🚭💙 Estratégias para Prevenção do Tabagismo em Adolescentes
| Ação | Objetivo |
|---|---|
| Programas educativos em escolas | Abordar riscos da nicotina e dos dispositivos eletrônicos. |
| Fiscalização de vendas ilegais | Incluir plataformas online e redes sociais para reduzir acesso de menores. |
| Integração de famílias e comunidades | Envolver profissionais de saúde em estratégias de prevenção e orientação. |
| Campanhas direcionadas a adolescentes | Usar linguagem acessível e baseada em evidências científicas. |
💡 Dica: A prevenção é mais eficaz quando envolve educação, fiscalização e participação da comunidade.
Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271




