Um caso de médico falso em San Miguel de Tucumán, na Argentina, chamou a atenção das autoridades em março de 2026. Um homem de 41 anos foi flagrado oferecendo receitas médicas em troca de dinheiro, sem qualquer formação ou registro profissional, expondo moradores a riscos graves e reacendendo o debate sobre segurança dos pacientes, controle de documentos médicos e fiscalização do exercício da medicina.
Falso médico em Tucumán o que aconteceu no caso
O episódio ocorreu nas proximidades do CAPS Carlos Cattaneo, em um cruzamento movimentado de avenidas. Segundo a investigação, o suspeito abordava pessoas que circulavam pelo local, se apresentava como médico e oferecia prescrição de medicamentos, inclusive psicofármacos, aumentando o risco de danos à saúde.
Moradores relataram que o homem atuava ali há alguns dias, o que sugere repetição da conduta e possível número maior de vítimas. As autoridades agora tentam identificar quem recebeu essas receitas e se houve internações ou complicações associadas ao uso de remédios prescritos por ele.

O que revelaram os investigadores sobre o falso médico
Durante a abordagem, os investigadores apreenderam uma bolsa plástica com itens que sustentam a suspeita de exercício ilegal da medicina. Dentro dela havia um caderno com anotações, um certificado de deficiência em nome de uma mulher e dois blocos de receituário com a sigla “IMC” já impressa.
Também foi encontrado um carimbo em nome de um suposto profissional identificado como “Dr. Diego Metrel”, inexistente nos registros oficiais. A bolsa continha ainda 22 receituários em branco do Sanatório 9 de Julio, certificados médicos preenchidos e prescrições de psicofármacos, como Alprazolam, tanto em nome do investigado quanto de terceiros.
Como atuam esquemas de falsos médicos e receitas médicas
Casos como o do médico falso em Tucumán seguem um padrão conhecido: o golpista assume identidade de profissional inexistente ou usa dados de alguém real, fabrica carimbos e receituários falsos e oferece consultas improvisadas ou apenas prescrição de remédios. No caso relatado, há indícios de que o suspeito apresentou uma dessas receitas na Farmacia Nuestra Señora del Valle.
Esse tipo de esquema costuma envolver elementos recorrentes, usados para dar aparência de legitimidade às fraudes e facilitar o acesso a medicamentos de venda controlada e outros benefícios indevidos:
- Uso de carimbos falsos com nomes de médicos inexistentes ou não registrados.
- Apropriação ou cópia de receituários de clínicas e sanatórios legítimos.
- Oferecimento de receitas de psicofármacos ou medicamentos de controle especial.
- Abordagem de pessoas em áreas públicas, muitas vezes próximas a centros de saúde.

Quais crimes podem ser atribuídos ao investigado
No caso de San Miguel de Tucumán, o Ministério Público Fiscal apresentou imputações provisórias que abrangem diferentes tipos penais. A conduta do investigado foi, inicialmente, enquadrada como usurpação de título, falsificação de selos, timbres e marcas, exercício ilegal da medicina, falsificação de instrumento privado e uso de documento falso, todos em concurso real de delitos.
A audiência, requerida pela Unidade Fiscal de Usurpações, Estelionatos e Cibercriminalidade I, teve pedido de prisão preventiva por 40 dias, mas a juíza optou por medidas cautelares menos gravosas. O investigado responderá em liberdade, sob restrições, enquanto se apuram possíveis vítimas, eventuais cúmplices e o alcance da circulação de receitas e certificados falsificados.
Por que o exercício ilegal da medicina exige reação imediata
O episódio em Tucumán evidencia a vulnerabilidade de pacientes diante de supostos profissionais que atuam fora de qualquer controle. A emissão de receitas sem avaliação adequada, sobretudo de psicofármacos, pode causar dependência, interações perigosas, piora de doenças pré-existentes e até mortes evitáveis, além de abalar a confiança em hospitais, sanatórios e farmácias.
Diante desse cenário, é urgente que cidadãos adotem uma postura ativa: sempre confirmem o registro do profissional, desconfiem de ofertas de receitas “rápidas” em locais públicos e denunciem imediatamente situações suspeitas às autoridades e conselhos de classe. Cada denúncia pode evitar novos danos, proteger vidas e pressionar o sistema de saúde e a Justiça a reagirem com mais rigor agora, não depois.




