O rio Iguaçu corre manso por quase 1.300 km até despencar em 275 quedas de água no extremo oeste do Paraná. Do outro lado da fronteira, a Argentina observa o espetáculo de frente. Ao norte, o Paraguai completa a tríplice fronteira. Foz do Iguaçu é a única cidade brasileira plantada nesse encontro de três nações, e guarda muito mais do que cataratas.
Santos Dumont salvou as Cataratas de virar fazenda
Em 1916, Alberto Santos Dumont visitou as quedas e ficou alarmado ao descobrir que a área pertencia a um proprietário privado, o uruguaio Jesús Val. O aviador viajou até Curitiba para pressionar o governador Afonso Camargo pela desapropriação. Em três meses, o estado do Paraná declarou a área de utilidade pública, com 1.008 hectares. Só em 1939, o presidente Getúlio Vargas criou oficialmente o Parque Nacional do Iguaçu.
Hoje, o parque protege 185 mil hectares de Mata Atlântica, uma das maiores reservas de floresta subtropical do mundo. Em 1986, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) o inscreveu na lista de Patrimônio Natural da Humanidade. Em 2011, as Cataratas foram eleitas uma das Sete Maravilhas da Natureza por votação popular global.

A usina que produziu energia para abastecer o planeta por 43 dias
A 15 km ao norte da Ponte da Amizade, a Itaipu Binacional divide o rio Paraná entre Brasil e Paraguai. São 20 turbinas de 700 MW cada, totalizando 14 mil MW de potência instalada. Em 2016, a usina bateu o recorde mundial de geração anual: 103,1 milhões de MWh, marca que nenhuma outra hidrelétrica superou até hoje em produtividade.
Em março de 2024, Itaipu atingiu 3 bilhões de MWh acumulados desde o início da operação, em 1984. Esse volume seria suficiente para abastecer o mundo inteiro por 43 dias ou o Brasil por quase seis anos. A usina fornece cerca de 8,6% da energia consumida no país e 86,3% no Paraguai. O nome vem do tupi-guarani e significa “pedra na qual a água faz barulho”.
O que visitar na terra das três fronteiras
A cidade concentra atrações em um raio curto. A maioria dos passeios fica a menos de 30 minutos do centro.
- Cataratas do Iguaçu: 275 quedas ao longo de 2,7 km. A Garganta do Diabo tem 80 metros de altura e 150 metros de largura. Arco-íris aparecem a qualquer hora do dia.
- Parque das Aves: santuário com cerca de 1.500 aves de espécies brasileiras, ao lado da entrada do Parque Nacional.
- Complexo Turístico de Itaipu: visita panorâmica à barragem, iluminação noturna e o Ecomuseu com a história da construção.
- Marco das Três Fronteiras: mirante onde se avistam Brasil, Argentina e Paraguai ao mesmo tempo. O obelisco tem mais de 100 anos.
- Templo Budista: construído pela comunidade tailandesa local, é um dos poucos templos Theravada do sul do Brasil.
Quem sonha em visitar Foz do Iguaçu, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Fabi Cassol | Minha Praia Viajar, que conta com mais de 147 mil inscritos, onde Fabi Cassol mostra um roteiro completo de 2025 pelas Cataratas, Itaipu Binacional e compras no Paraguai:
Quando o clima favorece cada tipo de passeio
O verão é quente e chuvoso, o que aumenta a vazão das cataratas e garante cenários mais dramáticos. O inverno seco permite trilhas mais confortáveis e filas menores.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à tríplice fronteira
O Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu recebe voos diretos de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Brasília. De carro, a BR-277 liga a capital paranaense a Foz em cerca de 640 km, com estrada duplicada em boa parte do trajeto. Quem vem do norte pode acessar pela BR-369 via Cascavel.

Três países em um só destino
Foz do Iguaçu reúne o que poucos lugares do mundo concentram: uma maravilha da natureza com 275 quedas, a terceira maior usina hidrelétrica do planeta e o encontro de três culturas separadas por dois rios. O cenário é grandioso, mas a cidade funciona em escala humana.
Você precisa ver a névoa subindo da Garganta do Diabo ao entardecer para entender por que Eleanor Roosevelt, ao visitar as Cataratas, teria exclamado apenas duas palavras: “Pobre Niágara!”.




