O encerramento das atividades da ScanCom International, uma das maiores fabricantes globais de móveis para áreas externas, virou um símbolo das turbulências recentes do setor moveleiro. Após mais de três décadas de operação e uma tentativa frustrada de recuperação, a companhia anunciou o fim de suas operações em março de 2026, evidenciando como inflação, crise imobiliária e mudanças no consumo vêm pressionando empresas de todos os portes.
Como a crise imobiliária tem freado as vendas de móveis
Os números do mercado imobiliário ajudam a explicar a retração nas vendas de móveis e artigos para o lar. Em 2025, o total de vendas de casas ficou em torno de 4,06 milhões de unidades, o menor patamar em três décadas, limitando novas compras de mobiliário e projetos de reforma.
Relatórios de varejo indicam que as vendas de móveis recuaram em 2025 em comparação com 2024, ainda que de forma moderada. Em janeiro de 2026, houve nova queda de 0,31% em relação ao mês anterior, já com ajuste sazonal, reforçando uma tendência de desaquecimento atrelada diretamente ao humor do mercado de habitação.
O que a crise da ScanCom revela sobre os fabricantes globais
No centro desse cenário está a ScanCom International, especializada em móveis para áreas externas e sediada em Copenhague. Em 31 anos, a empresa construiu presença global, fornecendo cadeiras, mesas e conjuntos para jardins e varandas, mas decidiu encerrar suas operações após uma reestruturação malsucedida de cerca de dois anos.

Segundo comunicado de 3 de março de 2026, mudanças de mercado iniciadas na pandemia tornaram os desafios “insuperáveis”, mesmo com apoio de consultores externos. Custos logísticos elevados, cadeias de suprimentos pressionadas, câmbio volátil e a retração da demanda global por mobiliário outdoor acabaram corroendo margens e inviabilizando o negócio.
Quais pressões vêm moldando o desempenho do setor moveleiro
A crise da ScanCom expõe fatores que afetam todo o mercado, de grandes fabricantes a pequenas marcenarias. Além da inflação e da desaceleração imobiliária, empresas lidam com consumidores mais seletivos, competição de players de baixo custo e necessidade de investir em tecnologia, design sustentável e canais digitais.
Nesse contexto, alguns vetores ajudam a entender por que tantas companhias estão revisando seus modelos de operação e rentabilidade:
- Pressão de custos com matérias-primas, transporte, energia e mão de obra especializada.
- Demanda irregular, com pico durante o isolamento seguido de retração e adiamento de compras.
- Reestruturações complexas em fábricas, contratos, estoques e canais de venda globais.
- Concorrência internacional intensa, especialmente de fabricantes de baixo custo na Ásia.
Quais sinais recentes indicam ajustes no varejo de móveis
O fechamento da ScanCom não é um caso isolado: o varejo de móveis também vem se ajustando. Em Boston, a loja Machine Age, focada em móveis vintage de meados do século XX, deve encerrar as atividades no início de 2026, somando-se a um cenário de redes encolhendo operações físicas e buscando formatos mais enxutos.
Em várias regiões, varejistas têm fechado filiais, reduzido estoques e migrado parte relevante das vendas para o online. O foco é equilibrar custos fixos com um crescimento mais lento, por meio de coleções menores, segmentação de público, negociação mais dura com fornecedores e maior eficiência em logística e atendimento digital.
Como o setor moveleiro pode reagir aos desafios atuais
O caso da ScanCom mostra que nem tamanho nem tradição garantem sobrevivência em ciclos de forte mudança econômica. Para atravessar esse momento, empresas do mercado moveleiro precisam aumentar eficiência operacional, ler rapidamente os sinais do setor imobiliário e adaptar portfólio, canais e preços com base em dados concretos.
Agora é hora de agir: se você atua no setor, revise seu planejamento, avalie riscos na cadeia de suprimentos e acelere estratégias digitais e de diferenciação antes que a próxima onda de instabilidade chegue. Quem adiar decisões pode repetir a trajetória da ScanCom; quem se mover já consegue transformar a crise em ponto de virada.




