O nome vem do tupi-guarani e significa “lugar alto onde primeiro se avista o sol”. Araxá, no Alto Paranaíba, combina a força de um subsolo que abastece a indústria aeroespacial mundial com águas termais de origem vulcânica e um ritmo de vida que cidades grandes já perderam.
Por que Araxá é estratégica para o mundo inteiro?
O subsolo da cidade abriga o Depósito do Barreiro, a maior reserva de nióbio em operação do planeta. Segundo a Agência Gov, o Brasil responde por cerca de 90% da produção global desse metal, e a mina araxaense, operada pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), é o coração dessa cadeia. O nióbio entra em ligas de aço para turbinas de avião, foguetes e até no acelerador de partículas do CERN.
Em 2024, Minas Gerais exportou US$ 2,1 bilhões em produtos da cadeia de nióbio, segundo a Agência Minas. No mesmo ano, a CBMM inaugurou na cidade a maior planta de produção de ânodo de nióbio do mundo. Essa riqueza mineral se traduz em arrecadação robusta e em indicadores sociais acima da média nacional.

Como é viver na terra onde primeiro se avista o sol?
Araxá reúne 111 mil habitantes, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e registra IDH de 0,772, considerado alto. O PIB per capita de R$ 79 mil reflete o impacto da mineração no cotidiano: ruas pavimentadas, saneamento acima da média e escolas bem equipadas.
A cidade foi apontada como a mais segura de Minas entre municípios com mais de 100 mil habitantes, segundo dados do anuário do IBGE de 2023. O trânsito flui sem congestionamentos, os bairros residenciais são arborizados e o Complexo do Barreiro funciona como um parque urbano para caminhadas e banhos termais no fim do dia.
Um palácio de Getúlio Vargas no meio do cerrado
Em 1938, o presidente Getúlio Vargas encomendou a construção de um hotel monumental para atrair turistas ao interior de Minas. O Grande Hotel Termas de Araxá, inaugurado em 1944, reuniu nomes como o arquiteto Luiz Signorelli e o paisagista Roberto Burle Marx. Mármores de Carrara, lustres de cristal belga e ladrilhos portugueses cruzaram o Atlântico em plena Segunda Guerra para compor os salões.
Tombado como Patrimônio Histórico de Minas Gerais pelo IEPHA-MG desde 1989, o complexo inclui termas de águas sulfurosas e radioativas de origem vulcânica, jardins às margens de um lago e 150 quartos com mobília original dos anos 1940. Hoje, administrado pelo Grupo Tauá, o hotel funciona como destino de bem-estar e preservação histórica.

O que fazer em Araxá além das termas?
A cidade oferece atrações que vão do mirante panorâmico à rampa de voo livre. Confira os destaques que valem a visita:
- Parque do Cristo: mirante no alto do bairro Santa Rita com vista 360° da cidade, pista de cooper, academia ao ar livre e loja de artesanato. Aberto diariamente das 7h às 21h.
- Horizonte Perdido: no topo da Serra da Bocaina, a 1.350 m de altitude, uma das cinco melhores rampas de voo livre do Brasil. Restaurante panorâmico e chalés completam a experiência.
- Museu Histórico Dona Beja: casarão do início do século XIX onde viveu Ana Jacinta de São José, a Dona Beja, figura que marcou a política e os costumes do Triângulo Mineiro. Entrada gratuita.
- Fonte Andrade Júnior: pavilhão histórico de 1947 dentro do Complexo do Barreiro, com quatro bebedouros de águas minerais alcalinas e sulfurosas.
- Bocaina Park: ao pé do Horizonte Perdido, oferece escalada, tirolesa, rapel, trilhas e mountain bike em meio ao cerrado.
Quem busca relaxamento em Minas Gerais, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Família Pet na Estrada 💛, que conta com mais de 22 mil visualizações, onde Anna e Dani mostram as águas terapêuticas de Araxá, explorando o luxuoso Grande Hotel e a lendária fonte de Dona Beja:
Dona Beja e o mito que virou identidade
Poucas cidades brasileiras têm sua história tão entrelaçada a uma personagem real. Dona Beja nasceu em Formiga em 1800, chegou a Araxá ainda criança e viveu uma trajetória de rupturas. Sequestrada aos 15 anos pelo ouvidor do rei, voltou à cidade e enfrentou a rejeição da sociedade local. Construiu o maior casarão da vila e se tornou uma figura influente na política liberal do século XIX, segundo registros da Fundação Calmon Barreto.
A lenda de que as águas radioativas da fonte que leva seu nome eram o segredo de sua beleza eterna ajudou a consolidar o turismo termal. Em 2024, uma nova adaptação em novela pela HBO Max, estrelada por Grazi Massafera, recolocou Araxá no imaginário nacional.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
A altitude média de 1.000 m garante temperaturas amenas boa parte do ano. O inverno seco é a melhor época para passeios ao ar livre, enquanto o verão pede manhãs cedo para evitar as pancadas de chuva à tarde:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à capital do nióbio?
Araxá fica a 367 km de Belo Horizonte pela BR-262, cerca de 4h30 de carro. De São Paulo, são 550 km pela SP-330 e BR-146. A Prefeitura de Araxá informa que o Aeroporto Romeu Zema, a 5 km do centro, recebe voos da Azul Linhas Aéreas com conexões por Belo Horizonte e São Paulo.
Conheça a cidade que nasceu sobre um vulcão adormecido
Araxá é rara. O subsolo alimenta a indústria de ponta mundial, as águas vulcânicas acolhem quem busca descanso e a história de Dona Beja dá personalidade a cada esquina. Tudo isso a um voo de distância das capitais do Sudeste, com segurança e qualidade de vida de cidade grande sem o caos de uma.
Você precisa subir o planalto e sentir o ritmo de Araxá, a cidade onde o sol chega primeiro e o tempo ainda corre devagar.




