Em 2026, os relógios do Reino Unido serão adiantados para o horário de verão no dia 29 de março, um dia antes do que ocorreu em 2025. Embora a diferença pareça pequena, a mudança altera o pôr do sol, as manhãs ficam mais escuras e as famílias britânicas perdem uma hora de sono, o que gera perturbações reais na rotina diária. Essa notícia acende o debate sobre os efeitos do ajuste de hora na saúde e no dia a dia de milhões de pessoas.
Como funciona a mudança para o horário de verão no Reino Unido?
O horário de verão britânico, chamado de British Summer Time (BST), entra em vigor sempre no último domingo de março, quando os relógios são adiantados em uma hora. Em 2026, esse domingo cai no dia 29 de março, à 1h da madrugada, quando os ponteiros saltam diretamente para as 2h. Na prática, as pessoas perdem 60 minutos de sono naquela noite.
A medida tem como objetivo aproveitar melhor a luz natural durante os meses mais quentes, estendendo a claridade no fim da tarde e reduzindo o consumo de energia. O Reino Unido adota essa prática desde 1916, quando a ideia foi implementada durante a Primeira Guerra Mundial para economizar combustível. Desde então, o ajuste acontece duas vezes por ano, sendo revertido no último domingo de outubro, quando os relógios voltam ao Greenwich Mean Time (GMT).

Por que a mudança de hora afeta tanto a rotina das famílias britânicas?
O impacto vai muito além de perder uma hora no relógio. O que realmente pesa na rotina é a mudança na distribuição da luz ao longo do dia. Com o horário de verão, as manhãs ficam mais escuras e o pôr do sol acontece mais tarde, criando uma sensação de descompasso entre o corpo e o ambiente. O relógio biológico leva alguns dias para se ajustar.
Para as famílias com crianças, os efeitos são ainda mais evidentes. A claridade no fim da tarde faz com que os pequenos resistam mais na hora de dormir, o horário do jantar parece chegar fora de hora e o despertar matinal se torna mais difícil porque o corpo ainda sente que é noite. Decisões simples como “ainda dá para ir ao parque?” passam a esticar o fim do dia, empurrando toda a rotina noturna para mais tarde.
Quais são os efeitos da mudança de hora na saúde e no sono?
Estudos científicos apontam que o ajuste do horário de verão pode causar perturbações no ritmo circadiano, o sistema interno que regula o ciclo de sono e vigília com base na exposição à luz solar. Quando os relógios adiantam, o corpo recebe sinais contraditórios: a hora do relógio diz uma coisa, mas a luz e o organismo dizem outra. Os efeitos mais comuns nos primeiros dias incluem:
DIFICULDADE PARA DORMIR
A claridade prolongada no final do dia pode dificultar o início do sono e atrasar o momento natural de adormecer.
CANSAÇO PELA MANHÃ
A perda de uma hora de sono pode gerar sensação de fadiga e dificuldade para despertar nos primeiros dias após a mudança.
ALTERAÇÕES NO APETITE
O organismo pode sentir fome em horários diferentes, já que o relógio biológico ainda não se ajustou ao novo horário.
IRRITABILIDADE
Nos primeiros dias de adaptação, é comum ocorrer queda na concentração e maior irritabilidade.
MAIOR RISCO DE ACIDENTES
A combinação de sono insuficiente e manhãs mais escuras pode aumentar o risco de acidentes no trânsito nos primeiros dias.
A maioria das pessoas leva entre 3 e 7 dias para se ajustar completamente. Crianças pequenas, adolescentes e trabalhadores noturnos costumam demorar mais, o que torna o período de transição particularmente desafiador para as famílias.
Como se preparar para minimizar o impacto da mudança de hora?
Especialistas recomendam que a adaptação comece alguns dias antes da troca oficial dos relógios. Pequenos ajustes progressivos na rotina são muito mais eficientes do que tentar se adaptar de uma vez. Veja as estratégias que facilitam a transição para o novo horário:
- Comece a adiantar o horário de dormir e acordar em 10 a 15 minutos por dia, de 3 a 5 dias antes da mudança
- Busque exposição à luz natural pela manhã, mesmo em dias nublados, para ajudar o relógio biológico a se reajustar
- Reduza a intensidade das luzes em casa na última hora antes de dormir e evite telas brilhantes
- Mantenha âncoras de rotina, como o mesmo ritual de banho, leitura ou música antes de deitar
- Evite sestas longas durante o dia e exercícios intensos próximos ao horário de dormir
Quando a família inteira combina que aquela semana será de ajuste e aceita algum cansaço natural, a adaptação tende a acontecer de forma mais tranquila e rápida.
O debate sobre o fim do horário de verão na Europa afeta o Reino Unido?
A discussão sobre abolir a mudança de hora não é nova. Em 2018, a Comissão Europeia realizou uma consulta pública em que a maioria dos participantes votou a favor do fim do horário de verão. Países como Rússia, Turquia e Islândia já abandonaram a prática. No entanto, o Reino Unido, que saiu da União Europeia com o Brexit, segue mantendo o sistema de troca bianual dos relógios.
Enquanto essa definição não muda, as famílias britânicas continuam lidando com os efeitos da mudança duas vezes por ano. A notícia de que o horário de verão de 2026 chega um dia mais cedo reacende o debate e lembra que, mesmo sendo uma tradição de mais de um século, o ajuste dos relógios ainda mexe profundamente com o sono, a rotina e o bem-estar de milhões de pessoas no Reino Unido e em toda a Europa.




