Minas Gerais tem 853 municípios, mas apenas 34 passam de 100 mil habitantes. Entre esses, um grupo seleto se destaca por índices de segurança muito abaixo da média nacional. São cidades espalhadas pelo Triângulo Mineiro, pela Zona da Mata e pelo Sul do estado, longe dos grandes centros e com uma qualidade de vida que surpreende quem só conhece o interior mineiro pelo queijo e pelas montanhas.
Como funciona o ranking que avaliou 853 cidades mineiras?
O Anuário 2025 Cidades Mais Seguras do Brasil, elaborado pela plataforma MySide, cruzou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com registros do Ministério da Saúde. O indicador principal é o número de ocorrências graves por 100 mil habitantes, medida usada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para comparar a segurança entre países e regiões.
O estudo considera apenas municípios com mais de 100 mil moradores. São 34 cidades nessa faixa, menos de 4% do total de Minas. O estado aparece na 6ª posição entre os mais seguros do país, com média de 18,40.
O resultado surpreende pela variedade geográfica. O top 10 reúne cidades do Triângulo Mineiro, da Zona da Mata, do Sul de Minas e até da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Quais cidades lideram o ranking de segurança em Minas?
A distância entre os extremos impressiona. A líder do ranking registra índice de 4,21 por 100 mil habitantes, enquanto Ribeirão das Neves, na Grande BH, marca 53,20. A taxa da última colocada é quase 13 vezes maior que a da primeira.
A tabela abaixo reúne as cinco primeiras posições e a última colocada, com seus índices e regiões:
Dados do Anuário 2025 Cidades Mais Seguras do Brasil©, com base em registros do IBGE e do Ministério da Saúde.
Por que a líder do ranking já teve outro nome?
Ituiutaba não se chamava assim até 1915. Fundada em 1901 como Vila Platina, a cidade do Pontal do Triângulo Mineiro só recebeu o nome atual por força da Lei Estadual nº 663. O termo vem do tupi e significa “povoação do rio Tijuco”, referência ao rio lamacento que corta o município.
Antes da colonização, a região era território dos povos Caiapós, do grupo Gê, segundo registros da Prefeitura de Ituiutaba.
Com índice de 4,21, a cidade saltou do quarto para o primeiro lugar em relação ao anuário de 2024. A economia gira em torno do agronegócio, com unidades da Nestlé, JBS e BP Biocombustíveis. Ituiutaba também abriga um campus da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e unidade do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), o que atrai estudantes e movimenta o comércio local.

Nióbio, renda recorde e a primeira luz elétrica do continente
As cidades mais seguras de Minas carregam histórias que vão além dos índices de segurança. Cada posição do ranking guarda uma curiosidade sobre o município que a ocupa:
- Araxá (4ª, índice 8,87): abriga a maior jazida de nióbio em operação do planeta. O depósito de Barreiro concentra reservas estimadas em 527 milhões de toneladas, segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB). A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) opera a mina desde 1955 e exporta para mais de 50 países.
- Nova Lima (8ª, índice 10,99): tem o maior IDH de Minas Gerais, com 0,813, classificado como “muito alto” pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O município também lidera a renda per capita do estado, segundo o Censo 2022 do IBGE.
- Juiz de Fora (6ª, índice 9,33): conhecida como “Manchester Mineira”, a cidade inaugurou em 1889 a Usina de Marmelos, primeira hidrelétrica da América Latina destinada à iluminação pública. O empreendedor Bernardo Mascarenhas acendeu as luzes do município antes de muitas capitais brasileiras.
- Lavras (2ª, índice 6,09): abriga a Universidade Federal de Lavras (UFLA), reconhecida entre as melhores do país em ciências agrárias. A presença universitária molda o dia a dia do município.

Minas é o 6º estado mais seguro, mas os números subiram
Minas Gerais vive uma contradição. Mesmo entre os seis estados com menores índices do país, os registros de ocorrências graves subiram 4,6% em 2024. Foram 2.635 casos no ano, contra 2.517 no anterior, segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).
A concentração dos casos é geográfica. A Região Metropolitana de Belo Horizonte puxou os números para cima, com alta de 16,1%. A capital mineira, isolada, teve aumento ainda maior.
No primeiro trimestre de 2025, porém, o cenário começou a mudar. Crimes graves caíram 7% no estado e as tentativas recuaram mais de 20%, conforme a mesma secretaria.

Um estado de contrastes que vale conhecer de perto
Minas Gerais cabe inteiro nesse ranking: a cidade que nasceu tupi no Pontal do Triângulo, a que guarda nióbio suficiente para dois séculos, a que acendeu a primeira luz elétrica do continente. A tranquilidade dessas cidades não é acaso, é reflexo de economias diversificadas, presença universitária e distância dos grandes centros metropolitanos.
Se você quer entender o interior mineiro além do queijo e das montanhas, siga o mapa das cidades que provam: em Minas, tranquilidade também é patrimônio.




