O aroma de arroz com pequi escapa pelas barracas do Mercado Municipal e se mistura ao som de tambores que ensaiam nos bairros ao redor. Montes Claros, no norte de Minas Gerais, é a cidade que reúne um parque com mais de 50 cavernas, uma festa bicentenária que já virou enredo na Sapucaí e um fruto do cerrado tão importante que ganhou concurso nacional de quem consegue roê-lo mais rápido.
Do Arraial das Formigas à Princesa do Norte
A história começa no século 18, quando o bandeirante Antônio Gonçalves Figueira fundou a Fazenda Montes Claros nas cabeceiras do Rio Verde, perto de morros de calcário com pouca vegetação. O segundo povoado da fazenda era chamado Arraial das Formigas. Elevada a cidade em 1857, Montes Claros cresceu com o gado e depois com a chegada da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que trouxe indústrias nacionais e multinacionais ao distrito industrial a partir da década de 1960.
Hoje, com 414 mil habitantes segundo o Censo 2022 do IBGE, a Princesa do Norte é a maior cidade do norte mineiro e influencia uma região de 86 municípios com mais de 1,6 milhão de pessoas. O IDHM de 0,770 é considerado alto, e a economia se apoia em serviços, indústria farmacêutica e um comércio que atrai compradores de toda a região.

Por que os Catopês de Montes Claros chegaram à Sapucaí?
Porque as Festas de Agosto carregam mais de 183 anos de tradição. Desde 1839, os grupos de Catopês, Marujos e Caboclinhos saem às ruas durante cinco dias para homenagear Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e o Divino Espírito Santo. Os Catopês representam a linhagem africana com roupas brancas, fitas coloridas e capacetes com penas de pavão. Os Marujos evocam os marinheiros portugueses. Os Caboclinhos celebram as raízes indígenas.
Em 2024, a escola de samba Acadêmicos de Niterói levou essa história para o Carnaval do Rio de Janeiro com o enredo “Catopês, Um Céu de Fitas”. A Secretaria Municipal de Cultura mantém o calendário oficial dos festejos, que incluem levantamento de mastros, missas, cortejos e o Festival Folclórico. A prefeitura trabalha para registrar as Festas como patrimônio imaterial nacional junto ao IPHAN.
O pequi que virou identidade e competição
O fruto espinhoso do cerrado define a mesa e o calendário de Montes Claros. A Festa Nacional do Pequi, organizada pela Prefeitura, celebra a colheita com comidas típicas, festivais de música regional e o inusitado concurso “O Melhor Roedor de Pequi do Mundo”, que já acumula milhões de visualizações nas redes sociais. O desafio exige técnica: a polpa do pequi envolve espinhos finíssimos, e quem não sabe roê-lo corre o risco de espetar a língua.
No Mercado Municipal, o pequi aparece em conserva, no arroz, no licor e até em sorvetes. A carne de sol com mandioca, o feijão tropeiro e o requeijão do norte completam um cardápio que resume a cozinha sertaneja mineira.

O que visitar na maior cidade do norte mineiro?
A Princesa do Norte mistura parques com cavernas, igrejas históricas e espaços de convivência ao ar livre. Os pontos que merecem lugar no roteiro são estes:
- Parque Estadual da Lapa Grande: 15.360 hectares de cerrado e caatinga, com mais de 50 cavernas catalogadas. A gruta principal tem 2,2 km de extensão, estalactites, estalagmites e um rio subterrâneo com bagres despigmentados. Entrada a R$ 10, com limite de 400 visitantes por dia. Informações no site do Instituto Estadual de Florestas (IEF).
- Parque Municipal Milton Prates: a 6 km do centro, tem lagoa com pedalinhos, trilhas entre árvores de grande porte do cerrado e áreas para piquenique.
- Parque da Sapucaia: trilhas de caminhada e um mirante com vista panorâmica de toda a cidade.
- Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida: construção neogótica iniciada na década de 1920 e concluída em 1950, com vitrais, rosácea e terminações em agulha que se destacam na paisagem urbana.
- Mercado Municipal Christo Raeff: cachaças artesanais, doces caseiros, queijos, carnes de sol e tudo que é feito com pequi. Os restaurantes internos servem pratos típicos no almoço.
Quem deseja conhecer o potencial do Norte de Minas, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Montes Claros MG, que conta com mais de 10 mil inscritos, onde é apresentado um documentário sobre o desenvolvimento e infraestrutura de Montes Claros:
Como é o dia a dia na Princesa do Norte?
Montes Claros funciona como capital regional. A Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), o campus do Instituto Federal do Norte de Minas (IFNMG) e o Instituto de Ciências Agrárias da UFMG fazem da cidade um centro universitário que movimenta bairros, comércio e vida noturna. A rede de saúde é referência para todo o norte mineiro, com hospitais que recebem pacientes de dezenas de municípios vizinhos.
O trânsito flui sem o caos das grandes capitais, e o custo de vida é acessível para os padrões mineiros. A posição geográfica ajuda: Montes Claros é considerada o segundo maior entroncamento rodoviário do país, com as BRs 135 e 365 cruzando a cidade e conectando o Sudeste ao Nordeste.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O clima é tropical semiúmido, com estação seca bem definida e média anual próxima de 23 °C. A altitude de 665 metros ameniza parte do calor, mas os meses de setembro e outubro costumam registrar umidade muito baixa:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Montes Claros saindo de BH?
A cidade fica a 420 km de Belo Horizonte pela BR-135, cerca de 5 horas de carro. O Aeroporto Mário Ribeiro recebe voos diretos da capital mineira e de São Paulo. Ônibus partem diariamente da rodoviária de BH com viagem de aproximadamente 6 horas.
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Conheça a cidade onde o cerrado encontra o sertão
Montes Claros é esse lugar raro onde uma caverna de 2,2 km convive com uma festa bicentenária e um fruto que vira competição nacional. O cerrado marca a paisagem, o pequi marca a mesa e os Catopês marcam o calendário.
Você precisa subir o norte de Minas e sentir de perto o ritmo da Princesa do Norte, essa cidade que cresce sem deixar de lado nem a tradição nem o cheiro de pequi no arroz.




