O possível fim da escala 6×1 e a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais podem elevar custos em até R$ 95,8 bilhões nos estados. Estudo da CNI aponta reflexos diretos na folha de pagamentos e em milhões de empregos formais.
O que muda com a redução da jornada para 40 horas?
A proposta prevê diminuir a jornada semanal de 44 para 40 horas, eliminando o modelo 6×1. Segundo a CNI, essa alteração exigiria recomposição das horas trabalhadas para manter a produção atual.
Se as empresas optarem por pagar horas extras para compensar a redução, o custo adicional anual pode chegar a R$ 267,2 bilhões, representando aumento médio de 7% na folha de pagamentos.

Quais estados seriam mais afetados?
De acordo com o levantamento da Confederação Nacional da Indústria, o impacto varia conforme a estrutura produtiva e o peso do emprego formal. Alguns estados concentram os maiores aumentos de custo, como mostram os dados a seguir.
- Minas Gerais: aumento estimado de R$ 25,55 bilhões e possível impacto em 6,09 milhões de vínculos formais.
- Paraná: custo adicional de R$ 19,58 bilhões e reflexos em 3,72 milhões de empregos.
- Rio Grande do Sul: elevação de R$ 17,67 bilhões com potencial impacto em 3,29 milhões de vínculos.
Quantos empregos formais podem ser afetados?
A CNI estima que até 26 milhões de vínculos formais podem sofrer impacto nos estados mais expostos à mudança. O efeito dependeria da forma como as empresas reagirem à nova carga horária.
Caso as horas não sejam recompostas por contratação ou extras, pode ocorrer retração da atividade econômica, com reflexos na produtividade e na geração de renda regional.

Quais cenários econômicos a CNI avaliou?
O estudo analisou dois caminhos possíveis para as empresas: pagar horas extras ou contratar novos trabalhadores. Em ambos os casos, haveria aumento nos custos regionais, conforme apresentado a seguir.
- Cenário com horas extras: Sul teria alta de até 8,1%, Sudeste 7,3%, Nordeste 6,1%, Norte e Centro-Oeste 5,5%.
- Cenário com novas contratações: Sul 5,4%, Sudeste 4,9%, Nordeste 4,1%, Norte e Centro-Oeste 3,7%.
- Sudeste: concentraria o maior impacto absoluto, chegando a R$ 95,8 bilhões em custos estimados.
O debate sobre a mudança na jornada segue aberto, com análises técnicas destacando impactos econômicos amplos e desiguais entre as regiões brasileiras.




