A redução de jornada de trabalho sem corte salarial foi autorizada pela Justiça do Trabalho do Rio para uma bancária com filha com deficiência. A decisão fixou multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento e reacendeu o debate no setor privado.
O que decidiu a Justiça do Trabalho do Rio?
A 64ª Vara do Trabalho do Rio determinou que a empregada passe de oito para quatro horas diárias, mantendo remuneração integral. A medida permite que ela acompanhe os cuidados permanentes da filha com deficiência, sem prejuízo financeiro.
Para garantir o cumprimento imediato, foi fixada multa diária de R$ 10 mil caso o banco descumpra a decisão. O processo tramita em segredo de Justiça, sem divulgação de detalhes adicionais sobre o caso.

Quais fundamentos jurídicos sustentaram a decisão?
A sentença não se baseou em lei específica do setor privado, mas aplicou princípios constitucionais e entendimentos consolidados em casos semelhantes. Entre os fundamentos destacados estão os seguintes pontos.
- Dignidade da pessoa humana e proteção integral à criança.
- Direitos da pessoa com deficiência, com prioridade na garantia de cuidados.
- Aplicação por analogia de decisões já adotadas no setor público.
Por que a decisão é considerada inédita no setor privado?
No setor privado, não há norma expressa que assegure jornada reduzida sem redução salarial para pais ou mães de filhos com deficiência. Por isso, o caso amplia o debate sobre a extensão de direitos com base na Constituição.
A magistrada também mencionou o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do CNJ. O instrumento orienta decisões que considerem desigualdades estruturais, especialmente em situações envolvendo mulheres responsáveis por cuidados familiares intensivos.

O que a multa diária de R$ 10 mil representa na prática?
A penalidade busca assegurar efetividade à decisão, impedindo atrasos na implementação da nova jornada. A multa funciona como mecanismo de pressão para cumprimento imediato, como mostram os efeitos práticos abaixo.
- Aplicação automática em caso de descumprimento da redução de jornada.
- Obrigação de manter salário integral e demais direitos contratuais.
- Reforço ao caráter vinculante da decisão judicial, mesmo sob recurso.
A decisão pode influenciar outros trabalhadores?
Embora não haja uniformização na Justiça do Trabalho, o caso pode servir como precedente relevante em situações semelhantes. Especialistas apontam que novas ações podem invocar fundamentos constitucionais semelhantes.
A discussão envolve limites da atuação judicial no setor privado e a necessidade de equilíbrio entre contrato de trabalho e proteção familiar. O tema tende a ganhar espaço em tribunais e no debate legislativo.




