Na década de 1950, o paisagista Roberto Burle Marx visitou as montanhas do centro de Minas Gerais em busca de espécies para suas pesquisas botânicas. Encontrou uma flora tão diversa que batizou a região de Jardim do Brasil. A Serra do Cipó, distrito de Santana do Riacho, mantém o título: mais de 1.700 espécies de plantas já foram catalogadas ali, muitas delas exclusivas do local.
Uma geologia de 1,7 bilhão de anos moldou a paisagem
A Serra do Cipó faz parte da Serra do Espinhaço, cadeia de montanhas que se estende de Minas Gerais até a Bahia. Suas rochas de quartzito e calcário começaram a se formar há 1,7 bilhão de anos, quando sedimentos marinhos se acumularam no fundo de um oceano primitivo. Esse relevo acidentado, com altitudes entre 900 e 1.700 m, funciona como divisor de águas entre as bacias dos rios São Francisco e Doce.
A região também guarda vestígios humanos antigos. O ICMBio registra 40 sítios arqueológicos dentro do Parque Nacional, com ocupação estimada em 10 mil anos. São abrigos usados para enterramentos ritualizados considerados entre os mais antigos do mundo.

Quais cachoeiras visitar no Parque Nacional?
Criado em 1984, o Parque Nacional da Serra do Cipó protege 33.800 hectares nos municípios de Jaboticatubas, Santana do Riacho, Morro do Pilar e Itambé do Mato Dentro. A entrada é gratuita e os atrativos podem ser percorridos a pé, de bicicleta ou a cavalo.
- Cachoeira da Farofa: queda de mais de 40 m com poço cristalino, a 8 km da portaria. Trilha bem sinalizada, cerca de 2 horas a pé.
- Cânion das Bandeirinhas: paredões de rocha com poços encaixados, a 12 km da portaria. Pode ser combinado com a Farofa no mesmo dia.
- Circuito das Lagoas: percurso leve de 2 km passando pelas lagoas Bonita, Dourada e Sumidouro. Ideal para famílias.
- Cachoeira do Gavião: a 7 km da entrada, com poço fundo cercado de vegetação nativa. Cerca de 2 horas de caminhada.

O que conhecer fora do Parque no Jardim do Brasil?
Boa parte das cachoeiras mais acessíveis fica em áreas particulares, ao longo da rodovia MG-010.
- Cachoeira Grande: o cartão-postal da serra, com 10 m de altura e 60 m de largura sobre um paredão de gramíneas. Fácil acesso pelo rio Cipó.
- Cachoeira Serra Morena: duas quedas (a maior com cerca de 100 m), cercadas de campos rupestres. Acesso por 9 km de estrada cênica.
- Cachoeira Véu da Noiva: a 200 m do estacionamento, com infraestrutura de camping e piscina natural.
- Cachoeira do Tabuleiro: a maior de Minas Gerais, com 273 m de queda, no município vizinho de Conceição do Mato Dentro. A trilha forma uma silhueta em formato de coração com o paredão e a vegetação ao redor.
No alto da serra, a Estátua do Juquinha homenageia o andarilho José Patrício, que vivia entre as montanhas colhendo flores para oferecer aos viajantes. A figura se tornou símbolo da região.
Quem planeja visitar a Serra do Cipó, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Arruma Essa Mala, que conta com mais de 26 mil visualizações, onde a apresentadora explica tudo o que você precisa saber sobre as trilhas do Parque Nacional, o acesso às cachoeiras particulares e dicas de transporte e hospedagem:
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
A estação seca, de abril a setembro, garante trilhas firmes e céu limpo para observação de estrelas. No período chuvoso, as cachoeiras ganham volume e os campos rupestres florescem.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Serra do Cipó saindo de Belo Horizonte?
A serra fica a cerca de 100 km de Belo Horizonte pela MG-010, com acesso também pela MG-424 via Lagoa Santa. O trajeto leva aproximadamente 1h30. O Aeroporto Internacional de Confins está a 77 km, facilitando a chegada de quem vem de outros estados. Não há transporte público regular até a portaria do Parque, mas agências locais oferecem traslados e passeios guiados.
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Conheça o jardim que Burle Marx nunca esqueceu
A Serra do Cipó entrega em um único destino o que normalmente se busca em viagens separadas: cachoeiras de fácil acesso, trilhas para todos os níveis, fauna e flora endêmicas e a melhor mesa mineira de fogão a lenha. Tudo isso a menos de duas horas da capital.
Você precisa subir a serra, mergulhar nos caldeirões de água cristalina e entender por que um dos maiores paisagistas do mundo escolheu este canto de Minas para chamar de jardim.




