O fechamento de fábricas tradicionais do setor têxtil voltou a expor, de forma contundente, a fragilidade da indústria nacional diante de mudanças econômicas, avanço das importações e do contrabando, como mostra o caso da Alal SAFICI, que encerrou definitivamente suas atividades em Corrientes e Chaco, demitindo centenas de trabalhadores e reacendendo o debate sobre competitividade, custos internos e proteção ao emprego formal em regiões altamente dependentes da atividade industrial.
Por que a fábrica têxtil Alal SAFICI encerrou suas atividades
Segundo o proprietário, o fechamento da Alal SAFICI foi resultado da combinação entre abertura de importações e avanço do contrabando de produtos têxteis, que inundaram o mercado com artigos estrangeiros a preços muito mais baixos. Mesmo com produção de fios e tecidos de maior valor agregado, a empresa afirmou não conseguir manter a competitividade e viu suas margens de rentabilidade encolherem de forma contínua.
Além da concorrência externa, a empresa relatou elevados custos financeiros, com crédito caro e grande necessidade de capital de giro, somados a despesas trabalhistas, energéticas e tributárias consideradas altas. O chamado atraso cambial também foi citado como fator que encareceu a produção local frente aos importados, criando um ambiente hostil à manutenção de uma estrutura industrial extensa e tradicional.

Quais foram os principais impactos do fechamento para trabalhadores e cidades
O fim das operações da fábrica têxtil deixou 260 trabalhadores sem emprego formal, afetando diretamente centenas de famílias de Goya e Villa Ángela e pressionando ainda mais o mercado de trabalho regional. Em localidades com pouca oferta de vagas industriais, a recolocação tende a ser lenta, elevando a insegurança econômica e social em um curto espaço de tempo.
As indenizações trabalhistas passaram rapidamente ao centro do debate, com relatos de que a empresa estaria disposta a pagar apenas parte dos valores legais, o que motivou protestos e mobilizações de ex-funcionários e familiares. Enquanto autoridades acompanham as negociações e implementam ações emergenciais, como entrega de alimentos, a principal reivindicação segue sendo o pagamento integral dos direitos acumulados ao longo dos anos de serviço.
O que o caso Alal SAFICI revela sobre a indústria têxtil argentina
O encerramento dessa fábrica centenária não é um fato isolado, mas um sintoma das dificuldades estruturais da indústria têxtil argentina em 2026, marcada por oscilações de demanda interna, mudanças na renda da população e forte sensibilidade ao câmbio. Quando custos internos elevados se combinam a um câmbio desfavorável por longos períodos, torna-se difícil financiar investimentos, modernizar máquinas e manter estoques competitivos.
A situação também reforça a urgência de políticas eficazes contra importações ilegais e contrabando, que distorcem preços e minam empresas formais. Para sobreviver em um cenário desafiador, fábricas têxteis de médio e grande porte tendem a depender de estratégias articuladas como:
- Foco em produtos de maior valor agregado, com diferenciação em qualidade, tecnologia e design;
- Investimentos em eficiência energética, automação e digitalização para reduzir custos fixos;
- Melhorias logísticas para otimizar transporte, armazenamento e prazos de entrega;
- Busca de novos mercados externos quando o câmbio favorece a exportação;
- Parcerias com políticas públicas de incentivo e proteção contra práticas desleais.

Como as comunidades podem reagir ao fechamento de fábricas têxteis
Em situações de fechamento definitivo de fábricas de fios e tecidos, comunidades costumam organizar respostas rápidas para mitigar os efeitos imediatos e evitar um colapso social local. A articulação entre trabalhadores, governos, sindicatos e entidades empresariais é decisiva para transformar uma crise aguda em oportunidade de reconstrução produtiva.
Entre as medidas mais discutidas estão a negociação rigorosa dos direitos trabalhistas, a implementação de apoio emergencial e a criação de alternativas de emprego e renda. Programas de qualificação profissional, atração de novos investimentos para ocupar a estrutura física ociosa e, em alguns casos, a formação de cooperativas de ex-funcionários podem ajudar a reativar parte da cadeia econômica local e preservar o conhecimento produtivo acumulado.
Qual é o futuro da indústria têxtil argentina diante de fechamentos como o da Alal SAFICI
O caso Alal SAFICI escancara o conflito entre abertura comercial, custos internos elevados e proteção ao emprego formal em um setor que ainda move agricultores de algodão, transportadoras, oficinas de manutenção e o comércio local de insumos. Cada planta que fecha desorganiza essa cadeia e deixa um vazio econômico e simbólico nas cidades que cresceram em torno das fábricas.
Para evitar novos encerramentos e uma desindustrialização silenciosa, é urgente que governos, empresários e trabalhadores pressionem por políticas consistentes, combatam o contrabando e construam estratégias de inovação e qualificação em todo o setor têxtil. A hora de agir é agora: adiar decisões significa arriscar mais empregos, mais histórias e mais cidades inteiras ao desgaste de um modelo que já não se sustenta sozinho.




