Fábricas, sapatilhas de balé e palmeiras imperiais trazidas do Rio de Janeiro convivem no mesmo endereço. Joinville, no norte catarinense, é a maior cidade do estado e carrega o título federal de Capital Nacional da Dança.
Um dote de princesa que virou cidade industrial
A história começa com um casamento real. Em 1843, a princesa Francisca Carolina de Bragança, irmã de Dom Pedro II, casou-se com o príncipe francês François Ferdinand de Orléans. O dote incluía 25 léguas quadradas de terra no norte de Santa Catarina. Seis anos depois, o casal negociou parte dessas terras com a Sociedade Colonizadora de Hamburgo para atrair imigrantes europeus.
Em 9 de março de 1851, a barca Colon trouxe os primeiros 118 colonos, que desembarcaram às margens do rio Cachoeira para fundar a Colônia Dona Francisca. O nome da cidade homenageia o título do príncipe: Joinville. Alemães, suíços e noruegueses ergueram o que se tornaria, um século depois, o maior parque industrial catarinense. Hoje, multinacionais como Tupy, Whirlpool e Schulz empregam cerca de 78 mil trabalhadores na indústria local.

Como é a qualidade de vida na Cidade da Dança?
Joinville reúne números que impressionam para uma cidade de 616 mil habitantes. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,809, o 21º maior do país, segundo o IBGE. A escolarização entre 6 e 14 anos alcança 98,68%, e a rede municipal lidera o IDEB entre cidades com mais de 500 mil habitantes.
O ensino superior conta com campus da UFSC voltado para engenharias, o centro tecnológico da UDESC, o IFSC e a comunitária Univille. A infraestrutura de lazer inclui ciclovias bem distribuídas, parques arborizados e uma programação cultural que ocupa o ano inteiro. Quem mora na cidade costuma dizer que Joinville funciona como uma capital sem o trânsito de uma.
O Bolshoi brasileiro é o maior festival de dança do planeta
Em 2000, a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil abriu as portas em Joinville como a única filial da companhia russa fora de Moscou. A instituição ocupa 6 mil m² no Centreventos Cau Hansen, ensina a metodologia Vaganova e concede bolsa integral a todos os alunos. Em 25 anos, formou quase 480 bailarinos, vários contratados por companhias na Rússia, na Inglaterra e nos Estados Unidos.
Ao lado dela, o Festival de Dança de Joinville acontece todo mês de julho por cerca de treze dias. Reconhecido pelo Guinness World Records desde 2005 como o maior do mundo em número de participantes, o evento reúne mais de 7 mil bailarinos e atrai público superior a 200 mil pessoas. Em 2026, a cidade recebe a 43ª edição. A Lei 13.314/2016 oficializou o que o mundo da dança já reconhecia: Joinville é a Capital Nacional da Dança.

O que visitar na maior cidade catarinense?
A Cidade dos Príncipes oferece atrações que vão da história colonial à natureza preservada. Algumas ficam a poucos minutos do centro.
- Rua das Palmeiras: alameda com palmeiras-imperiais trazidas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro em 1867, que conduz ao Museu Nacional de Imigração e Colonização, tombado pelo IPHAN.
- Museu Arqueológico de Sambaqui (MASJ): acervo com cerca de 100 mil peças de povos que habitaram a região há mais de 5 mil anos. Entrada gratuita. Informações no Visite Joinville.
- Estrada Bonita: rota de turismo rural com 5 km em Pirabeiraba, 16 empreendimentos entre cafés coloniais, orquidários e o Museu de 2 Rodas com 400 exemplares de motos e bicicletas antigas.
- Instituto Juarez Machado: espaço dedicado ao renomado artista plástico joinvilense, com exposições temporárias. Quem chega de bicicleta entra de graça.
- Barco Príncipe: passeio pela Baía da Babitonga até a vizinha São Francisco do Sul, com vista de manguezais e ilhas.
Quem deseja explorar a “Cidade das Flores” e da dança, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Num Pulo, que conta com mais de 80 mil visualizações, onde os apresentadores mostram o melhor de Joinville, em Santa Catarina, incluindo o Mirante da Boa Vista, o Museu Nacional da Imigração e a famosa escola de teatro Bolshoi:
Sabores que misturam cuca, marreco e chope artesanal
A herança germânica define a mesa joinvilense. O prato mais tradicional é o marreco recheado, servido com repolho roxo e purê de maçã. Nos doces, a cuca reina: o bolo alemão com farofa crocante tem variações de banana, morango e goiabada. Joinville mantém até um Festival de Cucas para eleger a melhor receita da cidade.
O chineque, massa enrolada cujo nome vem do alemão Schnecke (caracol), é outra especialidade local. A Via Gastronômica, na Rua Visconde de Taunay, concentra restaurantes de cozinha alemã, japonesa, mexicana e australiana em pouco mais de 2 km. Uma vez por ano, a rua recebe o Stammtisch, festa de rua que celebra a tradição germânica com bandas típicas, chope e cerca de 30 mil pessoas.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
A cidade tem clima subtropical úmido e carrega o apelido carinhoso de “Chuville” pela chuva frequente. O guarda-chuva é companheiro em qualquer estação.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Cidade dos Príncipes?
Joinville fica a 130 km de Curitiba pela BR-101 e a 180 km de Florianópolis pela mesma rodovia, cerca de 2h de carro em ambos os casos. O Aeroporto Lauro Carneiro de Loyola opera voos diretos para São Paulo e Campinas. Ônibus partem das rodoviárias de Curitiba e Florianópolis com frequência ao longo do dia.
Leia também: A cidade do interior que nasceu como “Pequena Londres” e já produziu mais da metade do café do mundo
Uma cidade que dança entre fábricas e flores
Poucas cidades brasileiras reúnem o peso de um parque industrial de classe nacional com a leveza de uma escola de balé reconhecida no mundo inteiro. Joinville faz isso com ruas arborizadas, herança europeia viva na gastronomia e uma programação cultural que ocupa o calendário de janeiro a dezembro.
Você precisa conhecer a Cidade da Dança e sentir como uma colônia nascida de um dote real se transformou na maior e mais surpreendente cidade de Santa Catarina.




