Nenhuma outra capital brasileira tem tantos bares por habitante. Em Belo Horizonte, a mesa é assunto sério, o boteco é patrimônio afetivo e a conversa rende mais que em qualquer outro lugar do país. A capital de Minas Gerais, cercada pela Serra do Curral e reconhecida pela UNESCO como Cidade Criativa da Gastronomia, junta arquitetura modernista, vida cultural intensa e um jeito próprio de receber que faz qualquer visitante querer ficar.
A capital dos botecos não ganhou esse título por acaso
Um levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), com base nos dados do Censo do IBGE, colocou BH no topo do ranking nacional: são 178 bares a cada 100 mil habitantes. A segunda colocada, Florianópolis, tem 150. São Paulo, com nove mil bares em números absolutos, aparece apenas na 14ª posição.
Dados da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Prodabel, detalham: são mais de 9,5 mil estabelecimentos cadastrados, o equivalente a 28 bares por km². A região central lidera com 704 bares, seguida pela Savassi e pelo bairro Santa Efigênia. O mineiro não vai ao bar apenas para beber. Vai para jogar conversa fora, comer torresmo, pedir um tropeiro e encontrar a vizinhança.

Uma cidade desenhada na prancheta antes de existir
BH nasceu no papel. O engenheiro Aarão Reis projetou a nova capital entre 1894 e 1897, inspirado no traçado de Washington D.C.. O objetivo era substituir Ouro Preto, cuja topografia montanhosa dificultava a expansão. No local existia o Arraial do Curral del Rei, quase inteiramente demolido para dar lugar à cidade planejada.
A inauguração oficial aconteceu em 12 de dezembro de 1897, com a capital ainda em obras e apenas 10 mil habitantes. O nome original era Cidade de Minas, trocado em 1901 para Belo Horizonte, nome que já pertencia ao distrito e à comarca. Hoje, a região metropolitana ultrapassa 6 milhões de pessoas e é a terceira maior aglomeração urbana do Brasil.
Como é viver na capital mineira?
Belo Horizonte é uma das cidades mais arborizadas do país. A Serra do Curral funciona como moldura natural e referência de orientação para os moradores. Parques como o Municipal Américo Renné Giannetti, no centro, e o Mangabeiras, na encosta da serra, oferecem áreas verdes a poucos minutos de qualquer bairro.
A vida urbana se organiza em núcleos regionais bem definidos. O bairro Santa Tereza concentra vida boêmia e cultural. Savassi e Lourdes reúnem gastronomia e comércio. A Pampulha é o refúgio de quem busca espaço e contato com a orla da lagoa. O metrô conecta a zona norte ao centro, e o BRT Move atende corredores de alta demanda. A cidade cresce, mas mantém o hábito de caminhar até o bar da esquina.

O que visitar em BH além dos botecos?
A capital mineira tem atrações para dias inteiros. Algumas delas carregam peso histórico e artístico reconhecido internacionalmente.
- Conjunto Moderno da Pampulha: Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2016, reúne as quatro primeiras obras de Oscar Niemeyer, com paisagismo de Roberto Burle Marx e painéis de Cândido Portinari. Inclui a Igrejinha de São Francisco de Assis, o Museu de Arte e a Casa do Baile.
- Praça da Liberdade: antigo centro administrativo do estado, hoje abriga o Circuito Cultural com museus como o Centro Cultural Banco do Brasil e o Memorial Minas Gerais Vale.
- Mercado Central: aberto desde 1929, com mais de 400 lojas. Queijos, cachaças, temperos e o tradicional sanduíche de pernil atraem turistas e moradores todos os dias.
- Rua do Amendoim: no bairro Mangabeiras, a topografia cria uma ilusão de ótica que faz carros em ponto morto parecerem subir a ladeira. A Praça do Papa, com mirante para a serra, fica a poucos metros.
- Mirante do Mangabeiras: vista panorâmica de toda a capital, ideal para o fim de tarde.
Quem deseja explorar a essência da capital mineira, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Anderson Sap, que conta com mais de 34 mil visualizações, onde Anderson apresenta um roteiro completo por Belo Horizonte, incluindo a Praça da Liberdade, a Lagoa da Pampulha e o imperdível Mercado Central:
Pão de queijo no café e tropeiro no almoço
Em 2019, a UNESCO reconheceu BH como Cidade Criativa da Gastronomia. O título reflete uma tradição que vai da quitanda caseira à alta cozinha, passando pelo concurso Comida di Buteco, que desde 2000 elege os melhores petiscos de bar da cidade.
- Pão de queijo: servido quente em padarias, cafés e até postos de gasolina. Em BH, funciona como cartão de visita.
- Feijão-tropeiro: feijão, farinha de mandioca, torresmo, couve, ovo e linguiça. Prato completo e presente em qualquer restaurante mineiro.
- Torresmo de barriga: petisco obrigatório nos botecos, crocante por fora e macio por dentro.
- Frango com quiabo: servido com angu, tutu e couve refogada. Almoço de domingo para os belo-horizontinos.
Quem busca um mergulho profundo na gastronomia e na história da capital mineira, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Gaba, que conta com mais de 802 mil visualizações, onde o apresentador passa 24 horas explorando os sabores de Belo Horizonte, do clássico pão de queijo ao tradicional Mercado Central:
Quando o clima favorece os passeios ao ar livre?
O clima é tropical de altitude, com verões quentes e chuvosos e invernos secos e amenos. A altitude média de 850 m suaviza as tardes de verão.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à capital mineira?
O Aeroporto Internacional de Confins recebe voos de todo o Brasil e de destinos internacionais, a 40 km do centro. O Aeroporto da Pampulha opera voos regionais e fica a 8 km da área central. De carro, BH é acessível pela BR-040 (vinda do Rio de Janeiro, 440 km), pela BR-381 (de São Paulo, 580 km) e pela BR-262 (do Espírito Santo). A rodoviária atende linhas para as principais cidades do Sudeste e do país.
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Uma capital que se explica pela mesa
Belo Horizonte é uma cidade que se entende melhor sentada num banquinho de bar, com um copo de cerveja suando na mão e um prato de torresmo na frente. A serra emoldura tudo, Niemeyer assina os cartões-postais e o mineiro faz o resto: acolhe, conversa e repete o pedido sem pressa.
Você precisa conhecer BH e sentir por que essa capital de prancheta virou a cidade mais saborosa do Brasil.




