A terra vermelha deu o apelido. As árvores deram o título. Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, é a única capital brasileira reconhecida seis vezes consecutivas como Cidade Árvore do Mundo. A Cidade Morena mistura culinária de Okinawa, pôr do sol sobre o cerrado e um aquário de 5 milhões de litros no meio de um parque urbano.
Por que chamam Campo Grande de Cidade Morena?
O apelido nasceu no início do século XX, cunhado pelo arcebispo Dom Francisco de Aquino Correia. Ele associava cidades a elementos da natureza: Cuiabá era a verde, Corumbá a branca. Campo Grande ficou com morena, por causa do solo avermelhado do cerrado, que ao entardecer tinge ruas e fachadas com tons de cobre.
Fundada em 1872 por mineiros que desceram atrás de pastagens nativas, a cidade cresceu com a chegada da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. O complexo ferroviário foi tombado pelo Iphan em 2009.
Os trilhos trouxeram imigrantes japoneses, árabes, paraguaios e gaúchos, formando a mistura cultural que define o cotidiano campo-grandense até hoje.

Uma escola com formato de livro assinada por Niemeyer
Poucos sabem que Oscar Niemeyer projetou uma escola em Campo Grande. A Escola Estadual Maria Constança Barros Machado, inaugurada em 1954, tem fachada que reproduz um livro aberto. Um pilar branco na entrada imita um lápis, e o corredor interno lembra uma régua.
O projeto foi desenhado para Corumbá, mas o governador da época determinou que a construção fosse feita na capital. A escola funciona até hoje no bairro Amambaí, tombada como Patrimônio Histórico Estadual desde 1995. Em 2023, recebeu restauração de R$ 10 milhões que preservou cada traço modernista.

Como é viver na capital com mais árvores do país?
Dados do Censo Demográfico 2022 do IBGE mostram que 91,4% dos domicílios de Campo Grande ficam em vias com pelo menos uma árvore. O índice é o maior entre todas as capitais brasileiras.
O reconhecimento internacional veio com o selo Tree City of the World, concedido pela FAO/ONU e pela Arbor Day Foundation. Campo Grande recebeu o título seis vezes seguidas, caso único entre as capitais do país.
Avenidas largas, canteiros arborizados e parques generosos explicam por que a cidade atrai moradores de São Paulo, Paraná e Minas Gerais. A rotina inclui rodas de tereré na calçada, caminhadas no Parque das Nações e fins de tarde contemplando araras que cruzam a Avenida Afonso Pena.

O que visitar na Cidade Morena além dos parques?
Campo Grande oferece atrações que vão da natureza à arte contemporânea. Várias ficam a poucos minutos do centro e têm entrada gratuita.
- Bioparque Pantanal: maior aquário de água doce do mundo, com 5 milhões de litros e 470 espécies. Entrada gratuita com agendamento. Já recebeu 1,4 milhão de visitantes de 140 países e conquistou o selo Ouro em sustentabilidade da Green Destinations (Holanda).
- Parque das Nações Indígenas: 119 hectares de área verde com lago, pistas de caminhada e capivaras circulando entre os visitantes.
- Museu das Culturas Dom Bosco: acervo de peças indígenas e animais do Pantanal taxidermizados, dentro do Parque das Nações.
- Morada dos Baís: sobrado de 1913 transformado em centro cultural e ponto de partida do ônibus turístico.
- MARCO: Museu de Arte Contemporânea com acervo de cerca de 1.600 obras, incluindo pinturas de Lídia Baís, pioneira das artes plásticas sul-mato-grossenses.
Quem quer descobrir o que fazer na Cidade Morena, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Vida sem Paredes, que conta com mais de 42 mil visualizações, onde Camila e Geane exploram o Bioparque do Pantanal e a gastronomia de Campo Grande:
Que sabores definem a mesa campo-grandense?
O prato mais emblemático da capital é o sobá, macarrão de origem okinawana servido com carne, omelete em tiras e cebolinha, mergulhado em caldo quente. Imigrantes da ilha de Okinawa trouxeram a receita no início do século XX. Em 2006, o prato foi reconhecido como patrimônio cultural imaterial do município.
A Feira Central e Turística, conhecida como Feirona, reúne 28 restaurantes de sobá. Durante o Festival do Sobá, em agosto, o espaço chega a movimentar 200 mil pessoas.
A culinária pantaneira também marca presença. Peixes como pintado, pacu e dourado aparecem grelhados ou em moquecas. A linguiça de Maracaju e o tereré gelado completam a mesa.

Como é o clima de Campo Grande?
O clima tropical da capital divide o ano em duas estações bem marcadas. O verão concentra chuvas fortes, e o inverno traz tempo seco com manhãs frias.
Nos últimos anos, as temperaturas têm subido: em 2024, a média anual chegou a 25,2°C, a mais alta da década, segundo o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de MS (Cemtec).
Faixas de temperatura baseadas em dados recentes do Cemtec/MS e do Climatempo. Condições podem variar conforme o ano.
Como chegar à capital sul-mato-grossense?
O Aeroporto Internacional de Campo Grande recebe voos diretos de São Paulo, Campinas e Brasília. De carro, a cidade fica a cerca de 1.010 km de São Paulo pela BR-267 e a 1.134 km de Curitiba pela BR-267/BR-163. A rodoviária opera linhas interestaduais e conecta a capital a Bonito (297 km) e ao Pantanal.
Conheça a capital que vive debaixo das árvores
Campo Grande combina ritmo tranquilo de cidade do interior com estrutura de capital. É raro encontrar um lugar onde araras cruzam avenidas, o pôr do sol colore a terra de cobre e um prato japonês adaptado no cerrado vira patrimônio cultural.
Você precisa provar um sobá na Feirona, caminhar sob as árvores da Afonso Pena e sentir por que tanta gente escolhe a Cidade Morena para ficar.




