Você já reparou seu gato parado no meio da sala, com a boca semiaberta e uma cara de “nojo curioso”, como se estivesse avaliando o ar? Esse momento estranho não é aleatório: é um dos jeitos mais fascinantes de entender como ele enxerga o mundo sensorial, usando um “sexto sentido” que combina cheiros, sabores e emoções para decifrar tudo ao redor.
O que é o órgão de Jacobson e onde ele fica no gato
O chamado órgão de Jacobson, ou órgão vomeronasal, é uma pequena estrutura sensorial escondida entre a cavidade nasal e o céu da boca. Ele se conecta à boca por dois minúsculos dutos sensoriais, localizados logo atrás dos dentes incisivos superiores do gato.
Quando o gato aspira o ar e faz aquele gesto de boca semiaberta, está direcionando partículas químicas para esse órgão especial. Diferente do olfato comum, ele é muito sensível a feromônios felinos, ajudando o felino a perceber quem está por perto, quem passou ali e o que está acontecendo no território dele.
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Como o órgão de Jacobson faz o gato “saborear” os cheiros
A expressão “saborear cheiros” existe porque o gato usa a boca para completar a análise dos odores, misturando um pouco de cheiro e gosto. Ao encontrar algo interessante — como urina de outro gato, um móvel novo ou um ponto muito cheirado na parede — ele inspira fundo, levanta o lábio superior e fica alguns segundos parado, concentrado.
Esse comportamento é chamado de reflexo de Flehmen. Nesse momento, as partículas entram pelos dutos no céu da boca e chegam ao órgão de Jacobson, que manda um “relatório químico” ao cérebro felino. Em vez de apenas “cheiro de outro animal”, o gato recebe um perfil completo: sexo, idade aproximada, humor, se está no cio ou estressado.
Por que esse “sexto sentido” é tão importante para o dia a dia do gato
No ambiente externo, o órgão de Jacobson ajuda o gato a reconhecer território seguro, trilhas de presas e presença de outros indivíduos. Dentro de casa, mesmo que ninguém perceba, ele lê constantemente os feromônios ambientais em móveis, paredes, arranhadores e até nas roupas das pessoas da família.
Esse “mapa químico” organiza a rotina do gato, definindo por onde ele circula, onde prefere descansar e quais áreas considera zonas seguras. É também um dos motivos pelos quais mudanças grandes em casa — móveis novos, reformas, cheiros fortes — podem deixá-lo tão desconfiado e cauteloso emocionalmente.
Para você que gosta de curiosidades, separamos um vídeo do canal Mundo Gato aprofundando no reflexo de flehmen:
Quais comportamentos do gato estão ligados ao órgão de Jacobson
Muitos comportamentos que parecem esquisitos ganham sentido quando pensamos nesse “superolfato emocional”. Ao se esfregar, arranhar ou cheirar com insistência certos pontos, o gato está registrando e consultando informações químicas invisíveis para nós.
Veja alguns exemplos práticos em que o órgão de Jacobson entra em ação no dia a dia do gato:
- Marcação territorial com urina ou arranhões, para deixar e reencontrar o próprio rastro químico;
- Reconhecimento de outros gatos da casa, diferenciando amigos de possíveis intrusos felinos;
- Avaliação de parceiros reprodutivos, principalmente em épocas de cio intenso;
- Análise de novidades como caixas, brinquedos, bolsas e sapatos vindos da rua movimentada.
Como você pode observar esse “sexto sentido” funcionando na prática
Dentro de casa, o uso do órgão de Jacobson aparece em situações bem simples. Quando você chega da rua e tira o sapato usado, por exemplo, muitos gatos correm para cheirá-lo com atenção e, logo depois, fazem a tal cara de “nojo curioso”, com a boca entreaberta.
Você pode perceber esse processo quando o gato cheira algo por vários segundos, ergue o lábio superior, deixa os dentes aparecerem um pouco e fica parado com expressão concentrada. Depois de analisar o “recado químico”, ele volta ao comportamento normal, ou repete o ciclo em outro ponto da casa familiar.




