Escolher a roupa para viajar de avião parece uma decisão trivial, guiada apenas pelo conforto ou pelo estilo. Mas há razões práticas e concretas pelas quais profissionais da aviação recomendam evitar determinadas peças durante o voo, e elas vão muito além da etiqueta ou da preferência pessoal. Tops curtos, shorts e leggings de fibra sintética podem representar riscos reais em situações de emergência e também expor o corpo a condições nada agradáveis durante o trajeto. Entender o porquê dessas recomendações muda completamente a forma de montar o look de aeroporto.
Por que shorts e roupas curtas são desaconselhados em voos?
O principal argumento contra o uso de shorts em aviões tem a ver com segurança em evacuações de emergência. Quando uma aeronave precisa ser evacuada em solo, os passageiros utilizam o escorregador inflável de emergência, um equipamento que atinge velocidades e temperaturas suficientes para causar queimaduras sérias na pele exposta. Com pernas descobertas, o atrito com a superfície do equipamento pode provocar lesões dolorosas que pioram consideravelmente a situação de quem tenta se afastar rapidamente da aeronave.
Há ainda o fator higiene, frequentemente subestimado. Os assentos dos aviões são superfícies altamente utilizadas e nem sempre higienizadas com a frequência que os passageiros imaginariam. Sentar com pernas e coxas diretamente em contato com o estofado aumenta a exposição a bactérias e germes acumulados ao longo de múltiplos voos. Calças compridas, mesmo leves, criam uma barreira simples que reduz esse contato.

Qual é o risco específico das leggings de fibra sintética?
As leggings são uma das peças mais populares entre quem viaja de avião: são leves, elásticas e ocupam pouco espaço na mala. O problema está no material. A maioria é fabricada com fibras sintéticas derivadas do petróleo, como poliéster, nylon e elastano. Esses materiais, em contato com calor intenso, derretem e se colam à pele em vez de queimar e se soltar, agravando significativamente queimaduras em situações de incêndio a bordo ou após um acidente.
A alternativa é optar por peças feitas de fibras naturais, que se comportam de forma muito mais segura em contato com calor. As melhores opções de tecido para viajar incluem:
- Algodão: leve, respirável e muito menos inflamável que fibras sintéticas. Mantém o conforto em voos longos sem os riscos associados ao poliéster.
- Lã: surpreendentemente confortável em temperatura ambiente, regula bem o calor e é naturalmente resistente ao fogo, sendo uma das fibras mais seguras em situações de emergência.
- Bambu: macio, elástico e feito de origem natural, é uma boa alternativa para quem quer o conforto das leggings sem abrir mão da segurança do material.
Tops curtos causam algum problema específico durante o voo?
Além dos riscos em emergências, tops curtos e peças que expõem muito o corpo trazem dois problemas práticos bastante comuns nos voos. O primeiro é a temperatura: a cabine dos aviões é notoriamente fria, especialmente em voos longos, e passageiros com muito do corpo exposto tendem a sofrer mais com o desconforto térmico. O segundo ponto é que algumas companhias aéreas possuem políticas internas sobre vestimenta inadequada a bordo que, embora raramente aplicadas, podem resultar em situações constrangedoras ou até impedimento de embarque em casos extremos.
Viajar em camadas é a estratégia mais inteligente para resolver esses dois problemas ao mesmo tempo: uma camiseta leve de algodão como base, combinada com um cardigan ou jaqueta leve que possa ser retirada conforme a temperatura variar ao longo do voo.

O que usar então para viajar com conforto e segurança?
A lógica das peças ideais para o avião combina três critérios: conforto para longas horas sentado, proteção física em emergências e adaptabilidade às variações de temperatura da cabine. Algumas escolhas práticas que atendem a esses três critérios ao mesmo tempo:
- Calças leves de algodão ou moletom: confortáveis, protetoras e feitas de material natural. Também ajudam a reduzir o risco de retenção de líquidos e inchaço nas pernas em voos mais longos.
- Camiseta de algodão com camada extra: uma base leve coberta por um cardigan ou flanela resolve tanto o frio da cabine quanto a exposição excessiva de pele.
- Sapatos fechados e fáceis de tirar: essenciais tanto para a passagem pela segurança do aeroporto quanto para uma eventual evacuação, situação em que andar descalço em uma cabine pode ser perigoso.
A roupa certa para viajar não precisa ser sem estilo, mas precisa ser pensada com um mínimo de critério além da estética do momento. Conforto e segurança andam juntos quando se escolhe bem o material e o caimento de cada peça antes de embarcar.




