Imagine um canto tão profundo que pode atravessar oceanos inteiros e ainda assim chegar claro a outro ser vivo. Assim é a comunicação da baleia-azul, um dos mistérios mais fascinantes da vida marinha e uma prova de como o som, debaixo d’água, é tão importante quanto a visão é para nós em terra firme.
O que torna a comunicação da baleia-azul tão especial?
A comunicação da baleia-azul intriga pesquisadores há décadas. Esse mamífero marinho emite sons tão graves e potentes que podem atravessar grandes distâncias no oceano, conectando indivíduos separados por milhares de quilômetros, o que reforça sua importância na ecologia marinha.
Em vez de depender da visão, limitada pela escuridão e pela turbidez da água, a baleia-azul utiliza o som como principal forma de interação. Esses chamados de baixa frequência, quase inaudíveis para o ser humano, funcionam como um “radar social” que auxilia na busca por parceiros, na orientação em rotas migratórias e até na escolha de áreas de alimentação.
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Como o som da baleia-azul viaja por oceanos inteiros
A comunicação da baleia-azul baseia-se em sons que variam entre aproximadamente 10 e 40 hertz, faixa abaixo da audição média humana. Apesar de tão graves, essas ondas sonoras carregam muita energia e podem percorrer longas distâncias, sobretudo em águas profundas, onde a velocidade do som é mais estável.
Estudos acústicos mostram que os chamados da baleia-azul podem se espalhar por milhares de quilômetros graças ao canal sonoro profundo, uma camada do oceano em que o som é guiado e perde pouca energia. Assim, duas baleias podem “conversar” mesmo estando a cerca de 8.000 quilômetros de distância, como se fossem cidades em continentes diferentes trocando mensagens diretas.
Como a baleia-azul se comunica na prática no dia a dia
A comunicação da baleia-azul é um recurso essencial de sobrevivência, não apenas uma curiosidade científica. Os cientistas acreditam que esses sons longos e graves têm funções diferentes, conforme o contexto, o padrão de repetição e a intensidade de cada chamado, podendo até indicar o estado fisiológico ou o nível de estresse do animal.
Entre os usos mais citados da comunicação sonora da baleia-azul estão:
- Localização de parceiros em vastas áreas oceânicas;
- Manutenção de contato entre indivíduos em rotas migratórias;
- Sinalização de presença em determinadas regiões do mar;
- Orientação espacial, ajudando na navegação em mar aberto.
Para você que gosta de curiosidades, separamos um vídeo do canal Ponto em Comum com uma fatos sobre as baleias e seu canto:
Como a baleia-azul consegue se comunicar a 8.000 km de distância
Para entender como uma baleia-azul se comunica a mais de 8.000 quilômetros, é preciso juntar física, biologia e oceanografia. Na água, o som se propaga de maneira diferente do ar: as partículas estão mais próximas, o que permite que a onda sonora viaje mais rápido e alcance trajetos muito longos, favorecendo a troca de informações entre populações distantes.
Alguns fatores explicam esse alcance impressionante, como a baixa frequência dos sons, que perdem pouca energia, o canal sonoro profundo, que funciona como um corredor natural, e a enorme potência vocal da espécie. Condições como temperatura, salinidade e pressão também influenciam a velocidade e o caminho das ondas sonoras pelo mar.
Quais são os impactos do ruído humano na comunicação da baleia-azul
Hoje, a comunicação da baleia-azul enfrenta um grande desafio: o aumento do barulho causado por atividades humanas. Navios cargueiros, exploração de petróleo e gás, sonares militares e construções no mar geram sons que muitas vezes se sobrepõem às frequências usadas pelas baleias, alterando o ambiente sonoro que antes era mais estável.
Pesquisas recentes apontam que o ruído produzido pelo ser humano pode mascarar os chamados, obrigando as baleias a “gritarem” mais alto, mudarem seu jeito de vocalizar e até evitarem rotas tradicionalmente importantes. Isso aumenta o gasto de energia, altera comportamentos e pode afetar reprodução, migração e alimentação de populações inteiras, comprometendo a recuperação de uma espécie já ameaçada.




