Encravada na Serra do Espinhaço, a 290 km de Belo Horizonte, Diamantina é a cidade histórica mineira onde a música sai pelas janelas. Terra de Juscelino Kubitschek e da lendária Chica da Silva, o antigo Arraial do Tejuco foi o maior centro de extração de diamantes do mundo no século XVIII e carrega o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO desde 1999.
Dos diamantes à UNESCO: o passado que moldou as ladeiras
A história começa em 1713, quando bandeirantes paulistas descobriram ouro no curso do Rio Jequitinhonha. Poucos anos depois, em 1720, surgiram as primeiras jazidas de diamantes. A Coroa Portuguesa criou a Intendência dos Diamantes para controlar cada pedra extraída, impondo regras tão rígidas que moldaram até o traçado das ruas: becos estreitos e casarões sem recuo, pensados para vigiar a circulação de pessoas e mercadorias.

Esse controle sufocante, paradoxalmente, produziu refinamento. A elite local importava moda, música e costumes europeus, e Diamantina ganhou o apelido de “Atenas do Norte” no século XIX, pela força de sua imprensa e literatura. O tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) veio em 1938, e a UNESCO reconheceu o centro histórico como Patrimônio Mundial em dezembro de 1999.

A Vesperata que transforma ruas em auditórios
O evento mais famoso da cidade acontece de abril a outubro, quinzenalmente, na Rua da Quitanda. Músicos da banda militar e da sinfônica se posicionam nas sacadas e janelas dos casarões coloniais, enquanto o maestro rege do meio da rua, cercado pelo público sentado em mesas de bares e calçadas. O repertório vai do popular brasileiro ao clássico, e a acústica natural do centro histórico amplifica cada nota.
A Vesperata é o inverso da serenata: em vez de o músico cantar embaixo da janela, ele toca de cima, para quem está na rua. Essa tradição musical atravessa gerações e se fortalece com o Conservatório Lobo de Mesquita, que forma instrumentistas desde a infância. Diamantina respira música como poucas cidades no país.

O que visitar no Diamante do Sertão?
O centro histórico se percorre a pé, entre ladeiras de pedra e casarões coloridos. Fora dele, cachoeiras e trilhas completam o roteiro.
- Passadiço da Glória: ponte coberta em madeira que liga dois casarões do século XVIII, cartão-postal mais fotografado da cidade.
- Casa de Juscelino Kubitschek: museu na residência onde JK passou a infância, com móveis originais e acervo sobre a construção de Brasília.
- Casa da Chica da Silva: casarão preservado que conta a história da ex-escravizada que se tornou a mulher mais influente do Arraial do Tejuco.
- Mercado Velho: construído em 1835 com influência árabe, sedia feiras de artesanato e gastronomia aos sábados.
- Parque Estadual do Biribiri: 16.998 hectares de cerrado e campos rupestres a 12 km do centro, com a Cachoeira da Sentinela e a Cachoeira dos Cristais.
Quem ama história, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Boa Sorte Viajante, que conta com mais de 340 mil inscritos, onde Matheus mostra as riquezas de Diamantina:
Quando visitar a terra de JK?
A altitude de 1.113 metros garante noites frescas o ano inteiro. A estação seca, de abril a outubro, coincide com a temporada das Vesperatas e oferece céu limpo para percorrer ladeiras e trilhas sem risco de chuva.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar. Consulte a previsão antes de viajar.
Como chegar à serra dos diamantes?
O aeroporto mais próximo é o de Confins, a cerca de 300 km. De Belo Horizonte, o trajeto de carro leva aproximadamente 4h30 pela BR-259 e MG-010. Ônibus da viação Pássaro Verde fazem o percurso com saídas diárias da Rodoviária de BH. A estrada é bem sinalizada, mas o trecho final pela serra exige atenção nas curvas.
Ouça Diamantina antes de ir embora
Poucas cidades brasileiras conseguem reunir patrimônio colonial, natureza de serra e uma tradição musical tão viva quanto Diamantina. O som que desce das sacadas durante a Vesperata, os passos nas pedras do Caminho dos Escravos e o silêncio das cachoeiras do Biribiri contam histórias que nenhum guia impresso dá conta de traduzir.
Você precisa subir a Serra do Espinhaço e ouvir Diamantina com os próprios ouvidos para entender por que essa cidade nunca deixou de brilhar, mesmo depois que os diamantes ficaram escassos.




