Imagine acordar em pleno mês de julho, na Europa, e ver neve cair lá fora, como se fosse inverno. Foi isso que aconteceu em 1816, o famoso ano em que o verão praticamente desapareceu por causa de uma erupção vulcânica do outro lado do mundo. O vulcão Tambora, no Sudeste Asiático, mudou o clima do planeta e entrou para a história como um exemplo impressionante de como a natureza pode bagunçar totalmente as estações.
O que foi a erupção do vulcão Tambora em 1815 e por que ela foi tão intensa
A erupção do Tambora, em abril de 1815, foi uma das mais poderosas já registradas desde que temos relatos organizados. Localizado na ilha de Sumbawa, na Indonésia, o vulcão lançou uma quantidade gigantesca de cinzas, rochas e gases na atmosfera, escurecendo o céu por dias na região.
Perto do Tambora, vilarejos foram destruídos, pessoas morreram e até tsunamis locais foram relatados. Mas o impacto não ficou restrito ali: as partículas finas subiram até a estratosfera e começaram a viajar pelo planeta, como um cobertor de poeira e fumaça envolvendo a Terra.
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Como o bloqueio da luz solar causou um “inverno vulcânico”
As partículas de cinza e, principalmente, os gases como o dióxido de enxofre formaram uma névoa de sulfato na atmosfera superior. Essa camada funcionou como um filtro, diminuindo a quantidade de luz solar que chegava ao solo, quase como se o planeta estivesse usando óculos escuros por um tempo.
Com menos sol, as temperaturas médias caíram em vários continentes, especialmente no Hemisfério Norte. O resultado foi um “inverno vulcânico”: verões frios, primaveras que pareciam não acabar, geadas tardias e um clima completamente fora de padrão por um ou dois anos.
Como o ano em que o verão desapareceu mudou o dia a dia na Europa
Na Europa, o ano de 1816 ficou marcado por um clima estranho e desanimador. Em vez de verões agradáveis, muitos países enfrentaram frio, chuva constante e até neve em meses tradicionalmente quentes, como junho e julho, assustando agricultores e moradores.
As plantações de cereais, batatas e outros alimentos básicos sofreram com a falta de sol e o excesso de umidade, e muitas colheitas foram perdidas. Isso levou à escassez de comida, aumento de preços, fome em algumas regiões e deslocamento de famílias em busca de melhores condições.
Por que a erupção do Tambora fez nevar em julho e bagunçou o clima global
A ligação entre o Tambora e o “ano sem verão” está na forma como os aerossóis vulcânicos interferem no clima. O dióxido de enxofre lançado pelo vulcão reagiu na estratosfera, formando pequenas partículas que refletiam parte da luz solar de volta para o espaço, resfriando a superfície.
Esse resfriamento não foi igual em todos os lugares, mas alterou ventos, massas de ar e até correntes oceânicas de curto prazo. Em algumas regiões montanhosas da Europa Central, houve neve em julho, um fenômeno totalmente fora da normalidade e chocante para quem vivia ali.
Para você que gosta de curiosidades, separamos um vídeo do canal Segredos Escondidos com a histórias por trás dessa erupção:
Quais foram as principais consequências humanas e sociais desse ano sem verão
Os efeitos não se limitaram ao incômodo de passar frio em época quente. Em uma época em que muitas famílias viviam da própria plantação, a perda de safra significava diretamente fome, doenças e incerteza sobre o futuro, afetando tanto o campo quanto as cidades.
Nesse cenário, várias crises se somaram e ajudaram a moldar o cotidiano de comunidades inteiras:
- Crises agrícolas: colheitas fracas ou perdidas em partes da Europa e da América do Norte.
- Escassez de alimentos: dificuldade de acesso a comida, sobretudo entre os mais pobres.
- Alta de preços: alimentos básicos ficaram muito mais caros e pesaram no bolso.
- Migrações: famílias se mudaram em busca de trabalho e comida.
- Problemas de saúde: desnutrição e más condições de higiene favoreceram doenças.




