Nos últimos tempos, houve um aumento na conscientização e discussão em torno do lipedema, uma condição frequentemente mal interpretada e confundida com obesidade. O Lipedema é uma doença crônica que afeta o tecido adiposo, principalmente nas extremidades inferiores, e pode acometer mulheres de diferentes biotipos, o que reforça a necessidade de um entendimento mais profundo e livre de preconceitos sobre essa doença.
O que diferencia o lipedema da obesidade?
A confusão entre lipedema e obesidade é um dos pontos centrais da desinformação sobre o tema. Na obesidade, a distribuição de gordura é mais uniforme e inclui tanto a gordura subcutânea quanto a visceral, enquanto no lipedema a acumulação é predominantemente subcutânea, concentrada em quadris e pernas.
Essa gordura é caracteristicamente dolorosa ao toque, tende à formação de hematomas e é resistente à perda apenas com dieta e exercícios. Essa diferença é crucial para o diagnóstico e o tratamento adequados, pois o emagrecimento pode melhorar sintomas, mas não leva à cura do lipedema.

Quais são os sintomas e como é feito o diagnóstico do lipedema?
O lipedema apresenta um conjunto específico de sinais que auxilia no diagnóstico clínico. O aumento simétrico de volume em pernas e quadris, a dor ao toque, a sensação de peso e a dificuldade para perder gordura nessas áreas são características marcantes da condição.
Embora o diagnóstico seja predominantemente clínico, o médico pode solicitar exames de imagem, como ultrassonografia, para avaliar o tecido adiposo e descartar outras doenças, como linfedema ou insuficiência venosa. Essa avaliação detalhada orienta a conduta mais adequada para cada paciente.
Como é realizado o tratamento para o lipedema?
O manejo do lipedema envolve uma abordagem multidisciplinar e contínua, voltada a aliviar sintomas e retardar a progressão da doença. Além do cirurgião plástico, podem participar endocrinologistas, nutricionistas, fisioterapeutas e cirurgiões vasculares, integrando tratamentos clínicos e, quando indicado, cirúrgicos.
Entre as opções terapêuticas existentes, algumas medidas costumam ser combinadas de forma individualizada, de acordo com o estágio da doença e as queixas da paciente:
- Lipoaspiração específica para lipedema, visando reduzir o volume do tecido adiposo afetado.
- Dieta com foco anti-inflamatório, para ajudar no controle de dor, edema e inflamação.
- Exercícios físicos de baixo impacto, como caminhada, hidroginástica e pilates.
- Terapia física complexa, incluindo drenagem linfática, uso de meias de compressão e cuidados com a pele.
- Protocolos medicamentosos individualizados, conforme avaliação médica especializada.
Qual é o papel da conscientização no manejo do lipedema?
A educação em saúde sobre o lipedema é fundamental para reduzir diagnósticos tardios, estigmas e tratamentos inadequados. A informação correta ajuda mulheres a reconhecerem sinais precoces, buscarem avaliação especializada e compreenderem que não se trata apenas de ganho de peso ou sedentarismo.
Quando pacientes, familiares e profissionais de saúde estão atualizados sobre a condição, aumenta a chance de acesso a diagnóstico preciso, plano terapêutico eficaz e suporte emocional. Isso contribui para melhor qualidade de vida e maior autonomia no manejo diário do lipedema.
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Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271




