O uso de medicamentos com análogos de GLP-1 tem se popularizado no Brasil, especialmente para controlar diabetes tipo 2 e obesidade. Entre os mais conhecidos estão semaglutida, tirzepatida, liraglutida e dulaglutida. Apesar da eficácia terapêutica, um aumento nas notificações de efeitos adversos foi observado no sistema de farmacovigilância da Anvisa, o VigiMed, que entre 2018 e 2025 recebeu 2.436 notificações de reações suspeitas, incluindo 65 mortes registradas como suspeitas, o que não configura, por si só, uma relação causal direta com os medicamentos, mas exige análise minuciosa dos casos.
Quais são os principais efeitos adversos dos análogos de GLP-1?
Esses medicamentos modulam a secreção de insulina de forma dependente da glicose, reduzindo o apetite e auxiliando no controle glicêmico. Com o uso mais disseminado, porém, efeitos colaterais já descritos em bula passaram a ser observados com maior frequência na prática clínica.
Os eventos mais comuns incluem náuseas, vômitos e desconforto gastrointestinal, como diarreia e constipação, em geral leves a moderados. A pancreatite, condição mais grave e potencialmente séria, também foi relatada, com 145 notificações no VigiMed e 225 casos em estudos clínicos independentes, reforçando a importância do acompanhamento médico.

Quais são os efeitos adversos relevantes para o monitoramento clínico?
As reações adversas registradas na Anvisa reforçam a necessidade de monitoramento contínuo, sobretudo em pacientes com fatores de risco prévios. A atenção deve abranger tanto sintomas leves quanto sinais de complicações mais sérias, que exigem intervenção rápida.
Entre os efeitos que merecem vigilância próxima, destacam-se:
- Manifestações gastrointestinais persistentes (náuseas intensas, vômitos repetidos, dor abdominal).
- Sinais sugestivos de pancreatite, como dor abdominal forte e contínua, associada ou não a vômitos.
- Alterações glicêmicas importantes, especialmente em combinação com outros antidiabéticos.
- Perda de peso excessiva ou rápida, que possa comprometer o estado nutricional do paciente.
Como a farmacovigilância funciona no Brasil?
A farmacovigilância no Brasil é estruturada para identificar padrões de segurança e não para concluir causalidade com base em casos isolados. O VigiMed atua como sistema central de notificação de eventos adversos, reunindo relatos de profissionais de saúde, pacientes e fabricantes para análise agregada.
Além do VigiMed, estudos clínicos controlados, pesquisas observacionais e análises independentes complementam esse monitoramento. Esses dados são avaliados com critérios rigorosos, permitindo revisar bulas, emitir alertas e, quando necessário, ajustar recomendações de uso dos medicamentos.
Qual é o impacto dos relatórios de efeitos adversos na segurança dos medicamentos?
A Anvisa utiliza as notificações como pontos de partida para investigações aprofundadas, e não como prova definitiva de que o medicamento causou o evento. Mesmo nos casos de óbito ou de pancreatite grave, é realizada avaliação criteriosa antes de qualquer conclusão sobre a relação com o uso de análogos de GLP-1.
Esse processo ajuda a manter o equilíbrio entre benefícios e riscos, garantindo que os medicamentos permaneçam disponíveis dentro das indicações aprovadas e com informações atualizadas de segurança. Relatar qualquer efeito adverso é fundamental para aprimorar o conhecimento sobre o perfil de risco e contribuir para um uso mais seguro e eficaz desses tratamentos.
Entre em contato:
Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271




