Ouro Preto já foi sinônimo de dinheiro, poder e disputa. Hoje, a antiga “Vila Rica” parece um set de filme histórico a céu aberto, mas poucas pessoas imaginam que aquelas ladeiras guardam histórias de ouro, exploração, arte, fé e tradições que seguem vivas em 2026, em meio a novos projetos culturais, turismo de base comunitária e um olhar mais crítico sobre o passado.
Por que Ouro Preto foi uma das cidades mais ricas do mundo
Ouro Preto nasceu no fim do século XVII, em plena corrida do ouro, e rapidamente virou o grande centro político, econômico e cultural das Minas Gerais coloniais. Na época em que ainda se chamava Vila Rica, toneladas de ouro saíam de seus morros em direção a Portugal.
Essa riqueza financiou igrejas monumentais, palácios locais e até parte da economia europeia. A Estrada Real ligava o interior ao litoral, especialmente ao porto de Paraty, e caminhar hoje por suas ruas de pedra é revisitar um tempo em que a cidade estava no centro das decisões do Império Português.

Como o trabalho escravizado sustentou a riqueza de Ouro Preto
Por trás do brilho do ouro, havia o trabalho forçado de milhares de pessoas escravizadas, fundamentais para a mineração. Nas minas subterrâneas, como a Mina Santa Rita, ainda é possível ter ideia das condições extremas de túneis estreitos, úmidos e com pouca ventilação.
Relatos apontam jornadas longas, com presença de crianças, uso de ferramentas simples e enorme esforço físico. A expressão popular “o filho chora e a mãe não vê” resume a realidade de quem descia às galerias e desaparecia da vista da família por horas em um ambiente isolado e hostil.
O que as muitas igrejas de Ouro Preto revelam sobre a cidade
Ouro Preto chama atenção pela quantidade de igrejas espalhadas por morros e vales, reflexo de uma sociedade fortemente organizada em torno da Igreja Católica e das irmandades religiosas. Essas confrarias, divididas por critérios sociais e raciais, reforçavam hierarquias e disputas de poder.
Por isso, a cidade reúne mais de vinte igrejas e capelas ligadas à elite local e ao ciclo do ouro. Cada templo é recado de fé, status e dinheiro investido em arte sacra barroca e rococó, hoje restaurada e estudada por pesquisadores e guias locais.
Quais são as igrejas e comunidades mais marcantes de Ouro Preto
Entre tantas construções religiosas, alguns templos se destacam pela história, pela arte e pelo papel que tiveram na formação da cidade. Eles ajudam a visualizar como ouro, fé e poder caminharam lado a lado nas Minas Gerais e ainda dialogam com o turismo cultural atual.
- Capela de São João: considerada uma das mais antigas, ligada aos primeiros momentos do povoamento.
- Basílica Nossa Senhora do Pilar: concluída em 1733, tem cerca de 300 quilos de ouro aplicados em seu interior.
- Igreja Nossa Senhora do Rosário: traçado curvo e influência italiana, ousada na arquitetura.
- Igreja São Francisco de Assis: atribuída a Aleijadinho, ícone do barroco e rococó mineiro.
- Igreja São Francisco de Paula: em ponto alto da cidade, com uma das vistas mais marcantes de Ouro Preto.
- Matriz de Nossa Senhora da Conceição: abriga os restos mortais de Manuel Francisco Lisboa e de seu filho Aleijadinho.
- Igreja Nossa Senhora do Carmo: ligada ao auge do rococó, com projeto associado a Manuel Francisco Lisboa.
Para você entender melhor, selecionamos o vídeo do canal Boa Sorte Viajante – Matheus Boa Sorte que faz sucesso no YouTube com seus vídeos e histórias:
Além do centro histórico, distritos e comunidades como Lavras Novas preservam o ritmo interiorano e fortalecem o turismo comunitário. Ali, o projeto Doninhas de Lavras Novas reúne mulheres acima de 60 anos em torno do bordado, enquanto o Atelier Família mostra como a vocação artística da região segue ativa em tecido, pintura, escultura e joalheria.
Como Ouro Preto vai além do ouro e por que você deve conhecer agora
Em áreas rurais, como a comunidade de Chapada, a vida gira em torno do campo, da gastronomia e do senso de pertencimento. Carnes variadas, torresmo artesanal e cachaças saborizadas, como a de jabuticaba, ajudam a contar a história local pela cozinha, ao lado de relatos de assombrações em casarões antigos, minas e sinos que tocariam sozinhos de madrugada.
Ouro Preto prova que uma cidade pode ser memória, arte, dor, religiosidade e cotidiano ao mesmo tempo. Se você quer sentir essa mistura de passado e presente de perto, não deixe para depois: planeje sua viagem, converse com moradores, visite distritos, minas e igrejas, e viva agora histórias que podem transformar a forma como você enxerga o Brasil.




