Um estudo recente, apresentado no congresso da RSNA nos Estados Unidos, revela que a gordura abdominal pode ser mais influente para a saúde cardíaca do que o peso corporal total. A pesquisa foca no impacto da conhecida “barriga de chope” em homens, avaliando como o excesso de gordura na cintura e quadris pode comprometer a estrutura cardíaca e sugerindo que a relação cintura-quadril pode ser um indicador mais eficaz de risco cardíaco do que o índice de massa corporal (IMC).
Consequências da obesidade abdominal para o coração?
A obesidade abdominal é uma fonte de inflamação crônica de baixo grau, podendo causar resistência à insulina, alterações no colesterol e aumento da pressão arterial. Esses fatores sobrecarregam o coração, que passa a sofrer espessamento de suas paredes, especialmente no ventrículo esquerdo, reduzindo o espaço interno para o fluxo sanguíneo.
Com o tempo, o músculo cardíaco perde elasticidade, dificultando seu relaxamento e enchimento adequados. Inicialmente, o coração compensa acelerando os batimentos, mas essa adaptação é temporária e pode evoluir para um tipo de insuficiência cardíaca que prejudica a circulação de oxigênio e nutrientes por todo o corpo.
Diferenças no acúmulo de gordura entre homens e mulheres?
A distribuição de gordura varia entre homens e mulheres e influencia diretamente o risco cardiovascular. Homens tendem a acumular mais gordura visceral, no padrão androide, concentrada no abdômen, o que aumenta a probabilidade de alterações metabólicas e cardíacas mais graves.
Mulheres, antes da menopausa, acumulam mais gordura subcutânea em quadris e coxas, padrão considerado menos nocivo ao coração. Com a queda do estrogênio após a menopausa, porém, a distribuição de gordura torna-se mais abdominal e o risco cardiovascular das mulheres se aproxima do observado em homens.

Quais as principais medidas preventivas para reduzir riscos cardiovasculares?
Para reduzir os riscos, é importante avaliar não apenas o peso total, mas também medidas como circunferência da cintura e relação cintura-quadril. Valores acima de 90 cm para homens e 85 cm para mulheres, segundo a OMS, estão associados a maior risco cardiovascular, indicando necessidade de atenção e mudanças no estilo de vida.
Algumas estratégias simples e práticas podem ajudar a reduzir a gordura visceral e proteger o coração no dia a dia:
- Adotar uma dieta equilibrada, rica em alimentos in natura e pobre em ultraprocessados.
- Praticar atividade física regular, incluindo exercícios aeróbicos e de força.
- Manter acompanhamento médico periódico, com controle de pressão, glicemia e colesterol.
- Evitar tabagismo, reduzir consumo de álcool e priorizar sono adequado e manejo do estresse.
Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271




