O fechamento do tradicional corredor de comida frita conhecido como Palácio do Colesterol, em Bogotá, marca uma virada na paisagem urbana e esportiva da capital colombiana. Depois de quase seis décadas ao lado do estádio Nemesio Camacho El Campín, o espaço dá lugar a um grande projeto de modernização, encerrando não só as atividades dos vendedores naquele ponto, mas também uma rotina afetiva de dias de jogo e encontro de torcedores.
Por que o Palácio do Colesterol foi fechado em Bogotá
O encerramento no endereço tradicional está ligado às obras de renovação do complexo de El Campín, dentro de um projeto de concessão que inclui modernização do estádio, novas áreas comerciais, espaços culturais e redesenho urbano da região da Rua 57.
A zona onde funcionavam as bancas foi incorporada à área que será totalmente urbanizada, o que exige demolições e retirada completa das estruturas. O fechamento não ocorreu por queda de público ou dificuldades financeiras: o movimento seguia forte, especialmente em dias de partida, mas as exigências técnicas e legais da concessão pedem um terreno livre para garantir o avanço das obras dentro dos prazos.

Como o Palácio do Colesterol marcou gerações de torcedores
O fim do Palácio do Colesterol em seu endereço original impacta muito além da perda de um ponto de comida rápida. Para grande parte dos torcedores, o local fazia parte da “experiência completa” de ir ao estádio, com o trajeto entre rádios ligados na prévia dos jogos, camisas dos clubes por todos os lados e o cheiro inconfundível de frituras dominando o ambiente.
Ao longo de décadas, famílias, amigos e ambulantes dividiram aquele corredor gastronômico como uma espécie de antessala do futebol, criando uma memória coletiva ligada ao El Campín. Para organizar o legado desse espaço na vida cotidiana da cidade, é possível destacar alguns elementos centrais:
- Ritual pré-jogo: ponto de encontro e aquecimento antes das partidas.
- Identidade popular: ambiente acessível, informal e democrático.
- Memória afetiva: gerações inteiras cresceram com a tradição de comer ali.
- Economia local: sustento direto de dezenas de famílias e ambulantes.
O Palácio do Colesterol vai desaparecer ou se transformar
O projeto de renovação prevê que o Palácio do Colesterol não desapareça como referência gastronômica, mas seja reposicionado em outro formato. A ideia é integrar a marca a uma área de restaurantes e lanchonetes planejada dentro do novo complexo esportivo e cultural, com infraestrutura de água, energia, saneamento e funcionamento regular além dos dias de evento.
Durante as obras, alguns vendedores que se formalizarem poderão atuar em estruturas móveis próximas ao estádio, mantendo parte da oferta de comida típica junto aos torcedores. Em etapas futuras, a marca deve renascer como um polo gastronômico mais estruturado, preservando o imaginário popular, mas adaptado a um modelo urbano planejado e regulado.

O que muda para os comerciantes históricos do Palácio
A transição para o novo modelo não é homogênea entre os comerciantes que fizeram o Palácio do Colesterol acontecer. Alguns donos de barracas optaram por encerrar as atividades e se aposentar, avaliando que as novas exigências de investimento, formalização e ritmo de trabalho já não se encaixam em seus planos de vida.
Outro grupo, porém, demonstra interesse em se formalizar e migrar para o formato de restaurante ou lanchonete no futuro complexo de El Campín. Para eles, o desafio passa por normas sanitárias rígidas, pagamento de aluguel ou concessão e horários ampliados, em troca de maior infraestrutura, visibilidade e atendimento a um público diversificado durante todo o ano.
Qual é o futuro do Palácio do Colesterol e por que agir agora
O antigo Palácio do Colesterol entra em uma fase de reinvenção, em que a memória afetiva disputa espaço com a necessidade de modernização urbana. A marca tende a sobreviver em outro formato, mais regulado e permanente, enquanto o cenário ao redor do El Campín se transforma em um grande polo esportivo, cultural e gastronômico.
Este é o momento decisivo para comerciantes, torcedores e autoridades defenderem a preservação da identidade popular do Palácio dentro do novo projeto. Se você valoriza essa história, acompanhe de perto as discussões públicas, pressione por soluções justas para os vendedores e ajude a garantir que, na correria da modernização, a cidade não perca um de seus símbolos mais queridos.




