No alto do Planalto da Borborema, a 555 metros de altitude e 126 km de João Pessoa, Campina Grande guarda um açude de quase 200 anos no centro da cidade, um museu projetado por Oscar Niemeyer e uma festa junina que dura mais de 30 dias seguidos.
Do ouro branco ao forró: a história que moldou a Rainha da Borborema
Fundada como pouso de tropeiros no século XVII, Campina Grande cresceu com o comércio de gado e depois se transformou no segundo maior centro exportador de algodão do mundo, atrás apenas de Liverpool, na Inglaterra. Na década de 1940, o chamado “ouro branco” já havia feito a população saltar de 20 mil para 130 mil habitantes em pouco mais de três décadas.
A chegada do trem da Great Western em 1907 acelerou esse crescimento. O algodão declinou após os anos 1940, mas deixou herança: o Museu do Algodão, instalado na antiga estação ferroviária, preserva a memória desse ciclo. Em 1967, a cidade recebeu o primeiro computador de todo o Nordeste, uma unidade central de processamento IBM que marcou a vocação tecnológica que a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) consolidou nas décadas seguintes.

O São João que para a cidade por 30 dias
Desde 1983, quando uma palhoça improvisada recebeu o letreiro “O Maior São João do Mundo”, a festa junina de Campina Grande não parou de crescer. Em 2024, o evento durou 38 dias e atraiu mais de 3,5 milhões de visitantes, movimentando cerca de R$ 740 milhões, segundo a Agência Brasil.
O Parque do Povo, com quase 40 mil m² após a expansão de 2024, funciona como arena cercada com entrada gratuita. Palco principal, palcos culturais, quadrilhas estilizadas e barracas de comida típica convivem no mesmo espaço. Fora do período junino, o parque ainda recebe eventos e serve de ponto de encontro. O trem forrozeiro que parte da estação velha até o distrito de Galante é outra tradição: 800 passageiros animados por trios de forró ao longo do trajeto.

O que visitar na Rainha da Borborema fora do São João?
O Açude Velho, construído em 1830, funciona como cartão-postal e centro de convivência. No seu entorno se concentram as principais atrações e restaurantes da cidade.
- Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP): última grande obra de Oscar Niemeyer, inaugurada em 2012. Três blocos circulares às margens do açude celebram a música, o cordel e o artesanato nordestino.
- Monumento Os Pioneiros da Borborema: esculturas em concreto que representam o índio, a catadora de algodão e o tropeiro, símbolos da fundação da cidade.
- Vila do Artesão: complexo com 77 lojas onde mais de 300 artesãos produzem e vendem cerâmica, renda e peças em couro.
- SESI Museu Digital: experiência imersiva com realidade virtual e simuladores sobre a história campinense.
- Parque da Criança: área verde ao lado do açude com pistas de skate, quadras e espaço para caminhada.
Quem deseja conhecer o melhor do interior paraibano, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Fabi Cassol | Minha Praia Viajar, que conta com mais de 74 mil visualizações, onde a Fabi Cassol mostra um roteiro completo pelo Maior São João do Mundo em Campina Grande:
Quais pratos experimentar no agreste paraibano?
A mesa campinense reflete a cozinha sertaneja com ingredientes fartos e preparo lento. Os restaurantes ao redor do Açude Velho concentram as melhores opções.
- Carne de sol na nata: servida no famoso Bar do Cuscuz, às margens do açude, com acompanhamentos regionais.
- Bode assado: especialidade do Bodódromo, acompanhado de macaxeira, queijo coalho e rubacão.
- Cuscuz com charque: presente no café da manhã e nos bares noturnos, preparado na hora.
- Pamonha e canjica: protagonistas das barracas juninas, mas disponíveis o ano inteiro nas feiras.

Como é viver na cidade que recebeu o primeiro computador do Nordeste?
Campina Grande reúne 419.379 habitantes pelo Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com crescimento de 9% em relação a 2010. A UFCG e a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) atraem estudantes de todo o país e alimentam um setor de tecnologia com cerca de 50 empresas de software. A cidade é reconhecida como uma das maiores concentrações de doutores por habitante do Brasil.
O clima de altitude ameniza o calor típico do Nordeste: a temperatura média anual fica em torno de 23 °C. A altitude e o custo de vida mais baixo que o das capitais tornam Campina Grande atrativa para quem busca qualidade de vida sem abrir mão de estrutura universitária e acesso a serviços.
Quando visitar a capital do forró?
O clima tropical de altitude garante temperaturas amenas o ano inteiro. Junho é o mês mais procurado por causa do São João, mas o período seco entre setembro e dezembro também favorece passeios ao ar livre.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar. Consulte a previsão antes de viajar.
Como chegar ao coração do agreste paraibano?
Campina Grande fica a 126 km de João Pessoa pela BR-230, cerca de 1h40 de carro. O Aeroporto Presidente João Suassuna recebe voos regionais e fica a 6 km do centro. Ônibus intermunicipais partem da rodoviária com conexões para Recife (190 km), Natal (330 km) e outras capitais do Nordeste.
Conheça a cidade onde o forró nunca acaba
Campina Grande carrega a força de quem já foi a segunda maior exportadora de algodão do mundo e hoje forma engenheiros, programadores e artistas no mesmo planalto. A Rainha da Borborema mistura açude centenário, museu de Niemeyer e uma festa junina que nenhuma outra cidade conseguiu igualar.
Você precisa subir a Borborema e sentir Campina Grande ao vivo, de preferência em junho, quando a sanfona toca até o sol nascer no Parque do Povo.




