Imagine acordar em um lugar onde sair de casa sem proteção adequada pode significar congelar em poucos minutos. Entre vales cercados por montanhas na Sibéria oriental, uma pequena vila russa ganhou fama mundial exatamente por isso: o frio extremo. Oymyakon é conhecido como o lugar permanentemente habitado mais frio do planeta, onde o inverno não é apenas rigoroso, mas representa uma condição constante de sobrevivência para seus moradores.
Oymyakon é realmente o lugar permanentemente habitado mais frio do planeta
Localizada em uma região remota da Rússia, Oymyakon abriga entre algumas centenas e pouco mais de mil moradores ao longo do ano. Apesar do isolamento e das temperaturas assustadoras, a comunidade mantém escolas, pequenos comércios e uma rotina que mistura tradições antigas com adaptações modernas.
O vilarejo registra temperaturas médias de inverno próximas a -50 °C e já alcançou marcas em torno de -71 °C ao longo do século XX. Esses valores se aproximam de recordes absolutos de frio em áreas fora da Antártica, com a particularidade impressionante de manter moradores durante todo o ano, que aprendem desde cedo a respeitar o clima.
O que explica o frio extremo de Oymyakon
Viver no lugar permanentemente habitado mais frio do planeta tem muito a ver com onde ele está no mapa. A localização em altas latitudes traz dias muito curtos no inverno, quase sem luz solar, enquanto a distância do mar impede que o oceano amenize as temperaturas, deixando o ar ainda mais gelado e frequentemente dominado por massas de ar polares.
O vilarejo fica em um vale cercado por montanhas, como se estivesse no fundo de uma grande bacia. À noite, o ar frio escorre das encostas e se acumula nas áreas baixas, formando uma “piscina” de ar gelado. O céu limpo e o ar seco facilitam a perda de calor, e o solo dominado pelo permafrost, permanentemente congelado, mantém o frio firme e constante por quase todo o ano.
Como é o cotidiano no lugar permanentemente habitado mais frio do planeta
Em Oymyakon, nada é feito sem pensar no frio. As pessoas usam várias camadas de roupa, muitas vezes com pele e materiais bem isolantes, e planejam com cuidado qualquer atividade ao ar livre. Ficar exposto por muito tempo pode causar hipotermia ou congelamento em partes do corpo, por isso as famílias ensinam crianças, desde pequenas, a se proteger.
As casas costumam ser elevadas em relação ao solo para evitar problemas com o permafrost, que pode derreter parcialmente e deformar as estruturas. Tubulações de água e esgoto muitas vezes passam acima do chão e são isoladas, e em alguns casos a água vem do derretimento de gelo ou de fontes próximas. Até tarefas simples, como lavar roupa ou guardar alimentos, são adaptadas ao inverno quase permanente.
Para você que gosta de curiosidades, separamos um vídeo do canal Ruhi Çenet Português mostrando o dia a dia nessa cidade congelada:
Que desafios o frio extremo traz para transporte e infraestrutura
Os veículos em Oymyakon raramente “descansam” totalmente no inverno: muitas vezes permanecem ligados por longos períodos para evitar que o motor congele. Óleos, combustíveis e baterias pedem cuidados especiais, e qualquer pane mecânica em uma estrada deserta, com -50 °C, representa um perigo real para quem está dentro do carro.
Por isso, a população costuma viajar em comboios ou avisa parentes e amigos sobre o trajeto antes de sair. Estradas precisam de manutenção constante, e linhas de energia e aquecimento são planejadas para suportar ventos cortantes e neve intensa. A infraestrutura local é menos sobre conforto e mais sobre garantir que todos consigam chegar em casa em segurança.
Quais são as principais atividades econômicas em um frio tão intenso
Num ambiente em que o inverno dita o ritmo de tudo, as opções de trabalho são naturalmente limitadas. Em Oymyakon, muitas famílias vivem da criação de animais adaptados ao frio, como renas e gado resistente, além da pesca em rios e lagos que, mesmo congelados na superfície, ainda oferecem alimento e sustentam parte da economia local.
Nos últimos anos, o turismo curioso começou a aparecer: visitantes vão até lá para tirar fotos em termômetros externos, sentir o ar congelante no rosto e conhecer os costumes locais. Para que essa experiência seja possível e segura, a comunidade precisa organizar alguns cuidados básicos:
- Preparar hospedagens simples, mas bem aquecidas para suportar o frio extremo.
- Oferecer roupas adequadas e instruções de segurança aos visitantes.
- Garantir transporte confiável em estradas congeladas e isoladas.
- Valorizar e compartilhar saberes locais de sobrevivência e cultura tradicional.




