Imagine caminhar por uma imensidão de areia dourada e, de repente, alguém dizer: “Aqui onde você pisa já existiu um mar cheio de peixes, corais e baleias”. Parece fantasia, mas essa é a história real do Deserto do Saara, que um dia foi fundo de oceano e hoje guarda, escondida sob as dunas, a memória de um mundo totalmente diferente.
Como o Deserto do Saara se transformou de mar em deserto
A mudança do Saara não foi mágica nem rápida. Ao longo de milhões de anos, a região passou por ciclos de clima mais úmido e mais seco, influenciados por variações na órbita da Terra, no eixo de rotação e no movimento das placas tectônicas. Em alguns desses períodos, o nível do mar era mais alto e cobria grandes áreas do norte da África com águas rasas.
Nesses mares antigos se formavam recifes, bancos de areia submersos e ambientes ideais para vários tipos de vida marinha. Com o tempo, o mar recuou, o clima mudou, as chuvas diminuíram e o que antes era fundo de oceano ficou exposto. Ventos fortes, erosão e falta de vegetação fizeram o resto, esculpindo a paisagem seca e arenosa que conhecemos hoje, tornando o Saara um dos maiores desertos quentes do planeta.
Leia também: Três cidades do interior de Minas que estão entre os melhores lugares para viver no Brasil
Quais são as provas de que o Saara já foi coberto pelo mar
Para entender esse passado escondido, os cientistas olham principalmente para os fósseis e para as rochas. Em várias partes do Saara, o solo revela conchas, corais e até ossos de grandes animais marinhos, como baleias, que viveram em antigos braços de oceano que alcançavam a região.
Um exemplo marcante é uma área no Egito famosa pela enorme quantidade de fósseis de baleias, peixes, tartarugas marinhas e plantas típicas de ambientes costeiros. Rochas sedimentares como calcários e arenitos, com camadas bem marcadas e típicas do fundo do mar, reforçam essa história de um Saara muito mais úmido e azul do que vemos hoje, revelando também antigos deltas de rios e margens costeiras.
Para você que ficou curioso, separamos um vídeo do canal Canal History Brasil com a história da origem do deserto do saara:
Por que o antigo fundo de oceano virou o deserto do Saara atual
A transformação em deserto está ligada a mudanças lentas, mas profundas, no clima da Terra. A inclinação do eixo terrestre e a forma da órbita ao redor do Sol mudam com o tempo, influenciando onde chove mais ou menos. Em fases mais úmidas, o Saara já teve rios permanentes, grandes lagos e vegetação, parecendo uma savana verde em muitos trechos.
Quando esses ciclos entraram em fases mais secas, as chuvas rarearam, os lagos encolheram e a vegetação desapareceu em boa parte da região. Com o solo desprotegido, o vento passou a carregar e acumular areia, formando dunas, planícies pedregosas e paisagens que hoje associamos imediatamente à ideia de deserto.
O que a história do Saara ensina sobre o clima da Terra
O Saara funciona como um grande livro aberto sobre as mudanças do clima em escalas de tempo muito maiores do que a vida humana. Saber que uma região hoje extremamente árida já foi mar, depois área verde e, por fim, deserto mostra o quanto o planeta é dinâmico e está sempre em transformação.
Para deixar mais claro o que essa história nos ensina sobre o funcionamento da Terra, alguns pontos se destacam:
- O clima sempre mudou: o Saara prova que ambientes áridos podem ter sido cheios de água e vida no passado.
- As rochas guardam memórias: fósseis e camadas de sedimentos ajudam a reconstruir paisagens antigas.
- Tudo está conectado: oceano, atmosfera e placas tectônicas atuam juntos nas grandes mudanças ambientais.
- Tecnologia amplia o entendimento: análises de sedimentos, modelos climáticos e novas técnicas de datação, usadas até 2026 e além, ajudam a refinar essa história.
Assim, o “deserto que já foi fundo de oceano” continua sendo um laboratório natural a céu aberto, lembrando que a Terra muda o tempo todo e que entender o passado é essencial para lidar com o futuro do clima.




