O ato de lembrar dos sonhos é um baita desafio para o nosso cérebro, já que as imagens noturnas somem rápido assim que você abre os olhos pela manhã. Sigmund Freud mostra que não é só falta de memória, mas um truque da mente para lidar com cenas caóticas e sem sentido lógico.
Por que algumas cenas somem da mente tão rápido?
Freud usa os estudos de Strümpell para explicar que não existe um motivo único para a perda dessa memória. A maioria das nossas aventuras noturnas é uma experiência única, e o cérebro tem muita dificuldade de gravar coisas que não se repetem.
Outro ponto é que a intensidade das emoções não garante que a lembrança fique guardada na cabeça. Às vezes, você acorda assustado com algo forte, mas logo esquece tudo porque o mundo real toma conta da sua atenção.

Como a falta de lógica afeta a capacidade de lembrar dos sonhos?
A ausência de sentido é o principal vilão quando tentamos lembrar dos sonhos após o despertador tocar. Eles misturam pessoas e lugares sem nenhum encadeamento racional, o que impede a memória de criar uma estrutura coerente para armazenar a informação.
Abaixo, listamos os principais fatores que apagam essas imagens da sua cabeça logo cedo:
- Cenas fracas que parecem impressões cotidianas.
- Concorrência desleal com estímulos da vida desperta, como sons e luzes.
- Falta de interesse real em anotar ou registrar o que rolou na mente.
O que acontece quando acordamos e tentamos relatar o ocorrido?
A transição para a vigília quebra completamente a conexão com o que estávamos vivendo de olhos fechados. A luz do sol e os barulhos da rua funcionam como um apagador mental que ofusca as imagens mais sutis criadas pelo inconsciente.
Para facilitar a sua compreensão sobre o assunto, compare como o cérebro lida com as duas situações:
Nós inventamos histórias na hora de contar o que passamos dormindo?
A mente odeia lacunas e faz de tudo para tapar os buracos de uma memória fragmentada. Quando você tenta relatar aquele pesadelo maluco, seu cérebro preenche as falhas automaticamente para que a história faça o mínimo de sentido para quem ouve.
Esse processo transforma qualquer pessoa em um verdadeiro artista involuntário logo de manhã. Cada vez que você repete a narrativa, novos detalhes surgem e aquela versão editada vira a sua verdade absoluta sobre a noite anterior.
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Qual o problema dessa memória editada para a psicanálise?
Compreender como o seu inconsciente organiza e descarta informações durante o repouso é um passo fascinante para conhecer melhor o funcionamento da sua própria mente. No vídeo a seguir, do canal Psico Leitura, é explicado como entender os processos do sono ajuda a fortalecer o organismo e proteger sua saúde.
Toda essa edição mental gera um baita problema na hora de levar o material para o divã do psicanalista. Se a nossa memória falha e ainda inventa fatos, fica difícil saber o que é um relato fiel e o que é pura ficção criada pela nossa cabeça.
Essa reflexão prova que o relato que chega ao consultório já sofreu uma forte reconstrução psíquica pelo próprio paciente. No fim das contas, a lembrança nunca é neutra e já carrega um monte de interpretações antes mesmo da sessão começar.




