Os bancos que não cobram juros operam com base na sharia e já administram trilhões em ativos globais. O modelo troca juros por parceria, risco compartilhado e lucro ligado à economia real, com presença forte em dezenas de países.
Onde existem bancos que não cobram juros hoje?
As instituições financeiras islâmicas estão presentes em cerca de 77 países, com maior concentração nos Estados do Golfo e no Sudeste Asiático. Regiões do Oriente Médio e da Ásia Meridional também reúnem grande parte das operações.
Na América Latina, esse formato ainda não se estabeleceu. Especialistas apontam baixa demanda ligada ao perfil religioso da população e necessidade de ajustes regulatórios específicos para permitir funcionamento completo desse tipo de banco.

Como bancos sem juros conseguem lucrar na prática?
Mesmo sem cobrar juros, o modelo bancário sem juros é lucrativo. As operações substituem o crédito tradicional por contratos de parceria, compra e arrendamento, sempre com divisão de risco e retorno ligada ao desempenho real do negócio, como nos formatos a seguir.
- Sociedade em projetos com divisão de ganhos e perdas
- Compra e revenda de bens com margem acordada
- Arrendamento e leasing com transferência futura
Por que a sharia proíbe a cobrança de juros?
A lei islâmica sharia entende que o dinheiro não deve gerar renda automática sem produção ou risco. Juros são associados à usura, vista como prática indevida, pois cria ganho financeiro sem participação direta na atividade econômica.
Esse princípio financeiro religioso também impõe filtros éticos de investimento. Setores como álcool, jogos de azar e tabaco ficam fora das carteiras. O foco recai em atividades produtivas e socialmente aceitáveis dentro dessas regras.

Como funciona financiamento de imóveis sem juros?
No financiamento imobiliário islâmico, não existe empréstimo com taxa. O banco participa da aquisição do bem e estrutura contratos alternativos, ligando pagamento a uso, recompra gradual ou revenda com lucro definido, como você vê nas opções abaixo.
- Leasing com uso do imóvel e compra ao final
- Compra conjunta com aquisição progressiva da parte do banco
- Revenda com preço maior pactuado desde o início
Quando surgiram e quanto dinheiro já administram?
Os bancos baseados na sharia ganharam força entre as décadas de 1950 e 1960 e aceleraram nos anos 1970 com o boom do petróleo. A demanda veio de investidores que buscavam aplicações compatíveis com regras religiosas.
Em 2022, os ativos financeiros islâmicos somavam cerca de US$ 4,5 trilhões, com projeção de chegar a US$ 6,7 trilhões até 2027. O sistema ampliou inclusão financeira e virou um dos segmentos que mais crescem no mercado global.




