Imagine estar no topo do mundo, a quase nove mil metros de altura, e descobrir que aquele ponto não é fixo: ele continua subindo, milímetro a milímetro, ano após ano. O Monte Everest, símbolo de desafio e superação, não é apenas o pico mais alto da Terra, mas também uma montanha em constante transformação, moldada por forças invisíveis que atuam debaixo de nossos pés e pelas mudanças do clima em sua superfície.
Como o Monte Everest consegue continuar crescendo?
A principal explicação para o crescimento do Monte Everest está no encontro entre a placa tectônica indiana e a placa euroasiática. Essas placas se movem lentamente, empurrando enormes massas de rocha uma contra a outra, o que faz com que partes da crosta sejam comprimidas e erguidas, alimentando a elevação do Himalaia e do próprio Everest.
Embora esse aumento seja de apenas alguns milímetros anuais, em milhares de anos o efeito é enorme. Redes de estações GPS espalhadas pelo Himalaia medem com precisão esses pequenos movimentos, mostrando que a região está longe de ser “parada”: algumas áreas sobem, outras afundam levemente, e grandes terremotos podem reorganizar tudo de forma sutil.
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Quais fatores além das placas tectônicas mudam a altura do Everest?
A altura do Everest também é afetada por forças que atuam na superfície. A erosão desgasta lentamente a montanha: ventos fortes, gelo que se expande nas fendas das rochas, derretimento da neve e até quedas de blocos de pedra ajudam a “lixar” o relevo ao longo do tempo, reduzindo parte do que as placas tectônicas levantam.
Outro ponto importante é a variação na capa de neve e gelo que cobre o cume. Em anos mais secos, ou com mudanças no padrão de precipitação e temperatura, essa camada pode ficar mais fina, alterando o valor medido. Por isso, ao determinar a altura do Everest, técnicos precisam decidir se vão considerar a rocha firme ou o ponto mais alto do gelo que a recobre.
Que processos de erosão e gelo atuam sobre o Monte Everest?
Para entender como o Everest muda de forma e de altura, é útil olhar mais de perto os tipos de erosão e o comportamento do gelo. Eles trabalham devagar, mas nunca param, esculpindo encostas, vales e paredões de forma contínua.
Abaixo estão alguns dos principais processos que atuam na região do cume e em suas encostas, ajudando a remodelar o Everest ao longo dos séculos:
- Erosão mecânica: fragmentação das rochas por gelo, vento e gravidade.
- Erosão química: alteração de minerais em contato com água e atmosfera.
- Neve sazonal: aumento ou redução temporária da altura aparente.
- Geleiras: movimentação de grandes massas de gelo que remodelam o relevo.
Para você que gosta de curiosidades, separamos um vídeo do canal Você Sabia? com mais informações e fatos do Mont Everest:
Como a altura do Monte Everest é medida hoje em dia?
Se antes a altura do Everest era estimada com instrumentos ópticos à distância e cálculos de triangulação, hoje a tecnologia permite um olhar muito mais preciso. Expedições levam até o cume equipamentos especiais de GPS, capazes de registrar a posição exata do ponto mais alto durante várias horas contínuas.
Esses dados são combinados com informações de satélites e técnicas de nivelamento geodésico. Depois, especialistas aplicam correções que levam em conta o formato real da Terra (geoide), a gravidade local e outros detalhes, definindo se a medida oficial considera a rocha nua ou o gelo do topo.
Qual é a altura atual do Everest e como ela foi atualizada?
Em 2020, Nepal e China anunciaram em conjunto um novo valor oficial para a altura do Monte Everest, após campanhas de medição modernas que usaram GPS de alta precisão e dados de satélite. Essa atualização levou em conta tanto os movimentos das placas quanto possíveis impactos de grandes terremotos recentes na região.
Desde então, pesquisadores continuam acompanhando pequenas variações na altitude do cume. Novas medições podem ajustar alguns centímetros para cima ou para baixo, mantendo nossas cartas topográficas, mapas de navegação e registros científicos alinhados com a realidade dinâmica da montanha.




