Imagine caminhar por uma calçada qualquer, passar por um tapete de musgo e nem desconfiar que ali, escondido entre os fios verdes, vive um dos animais mais incríveis e resistentes do planeta: o tardígrado, também chamado de urso-d’água. Minúsculo, com menos de 1 milímetro, ele suporta ambientes que destruiriam facilmente quase todas as outras formas de vida conhecidas.
O que é um tardígrado e onde ele vive
O tardígrado é um microanimal de corpo gordinho e segmentado, com oito patas curtas, que se move devagar, quase como se estivesse caminhando preguiçosamente de um lado para o outro. Seu nome significa algo como “andarilho lento”, e ele pertence a um filo próprio (Tardigrada), diferente de insetos e ácaros, embora possa lembrar esses grupos ao microscópio.
Esse “urso-d’água” é praticamente um cidadão do mundo: está presente em todos os continentes, do gelo da Antártida às florestas tropicais. Vive em musgos, líquens, solo úmido, água doce e até em regiões profundas do oceano; onde houver um mínimo de umidade, há grande chance de existir algum tipo de tardígrado escondido por ali.
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Por que o tardígrado é considerado o animal mais resistente do mundo
A fama de animal mais resistente do mundo vem de sua capacidade de suportar condições extremas que parecem coisa de ficção científica. Alguns tardígrados aguentam temperaturas próximas do zero absoluto (poucos graus acima de -273 °C) e também calor acima de 150 °C, por curtos períodos, além de suportar pressões muito maiores que as das profundezas oceânicas.
Ele também lida de forma impressionante com a falta quase completa de água. Quando o ambiente seca, entra em um estado especial chamado criptobiose, encolhendo o corpo, perdendo quase toda a água interna e reduzindo o metabolismo a um ritmo quase parado. Já houve casos de tardígrados que voltaram à atividade depois de anos em condições secas, como se tivessem apenas tirado um “cochilo” prolongado.
Como o tardígrado consegue sobreviver em ambientes extremos
A principal estratégia de sobrevivência é o estado de criptobiose, um modo de “pause” extremo da vida. Quando o ambiente fica perigoso demais, o tardígrado se contrai, retrai as patas e forma uma estrutura conhecida como “tun”. Nessa forma, o metabolismo cai a níveis quase indetectáveis, reduzindo o consumo de energia e protegendo as partes mais sensíveis do corpo.
Durante esse processo, o corpo passa por mudanças químicas importantes, produzindo substâncias que funcionam como um “escudo” para proteínas, membranas e DNA. Para entender melhor como esse truque funciona, vale olhar alguns dos principais recursos que ele usa para se proteger, muitos dos quais interessam a áreas como biotecnologia e medicina regenerativa:
- Redução do metabolismo – atividade celular quase zerada para economizar energia.
- Desidratação controlada – perda de água sem rompimento das células.
- Proteínas protetoras – moléculas que estabilizam o DNA e outras estruturas internas.
- Capacidade de reparo – correção de danos quando volta à atividade normal.
Para você que gosta de uma curiosidade, separamos um vídeo do canal Você Sabia? com os diversos fatos curiosos sobre o uso da água:
Quais curiosidades sobre tardígrados chamam mais atenção
Outra curiosidade é o tamanho: a maioria mede entre 0,1 e 0,5 milímetro, exigindo apenas um microscópio simples para observação. Mesmo tão pequenos, quando ampliados, lembram mini-ursos com patas grossas e garras, aparência que rendeu o apelido “urso-d’água” e conquistou a simpatia de quem os vê pela primeira vez.
- Podem viver em musgos de calçadas urbanas e telhados úmidos.
- São encontrados em altitudes elevadas e também em fossas oceânicas profundas.
- Já foram descritas centenas de espécies, com novas sendo registradas com frequência.
- Algumas espécies suportam ficar congeladas por anos e voltar à atividade ao descongelar.
Entre as curiosidades sobre tardígrados, uma das mais marcantes é sua participação em experimentos no espaço. Desde o fim dos anos 2000, eles já foram expostos ao vácuo espacial e à radiação solar, e alguns conseguiram sobreviver e até se reproduzir depois de voltar à Terra, mostrando que são fortes candidatos em estudos sobre vida fora do nosso planeta.




